Representante afirma que insurgentes só se desarmarão e sairão de prédios ocupados quando governo em Kiev renunciar

Insurgentes pró-Rússia de forma desafiadora rejeitaram nesta sexta-feira entregar suas armas ou deixar prédios públicos no leste da Ucrânia apesar de um acordo diplomático alcançado em Genebra na quinta-feira e de acenos feitos pelo governo em Kiev.

Kiev: Ucrânia diz que mantém operação antiterrorista apesar de acordo

Ativista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia
AP
Ativista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia

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Denis Pushilin, da autonomeada República Popular de Donetsk, disse aos repórteres que os insurgentes em mais de dez cidades não reconhecem o governo interino da Ucrânia como legítimo e não deixarão os prédios até que ele renuncie. Ele reivindicou que os líderes ucranianos abandonem seus próprios prédios públicos.

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O diálogo entre a Ucrânia, a Rússia, os EUA e a União Europeia produziu um acordo na quinta em Genebra para a adoção de passos iniciais com o objetivo de acalmar as tensões na Ucrânia. O ex-líder do país fugiu para a Rússia em fevereiro, e Moscou anexou a Crimeia em março . O acordo de Genebra pede o desarmamento de todos os grupos paramilitares e a devolução imediata de todos os prédios do governo capturados em todo o país.

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Pushilin, falando nos quartéis-generais regionais ocupados pelos insurgentes na cidade oriental de Donetsk, disse que o acordo era "razoável", mas insistiu que "todos deveriam esvaziar os prédios", incluindo Arseniy Yatsenyuk e Oleksandr Turchynov, respectivamente o primeiro-ministro e presidente em exercício.

A Ucrânia marcou uma eleição presidencial para 25 de maio, mas Pushilin reiterou uma convocação para realizar um referendo de autodeterminação para a região de Donetsk até 11 de maio. O mesmo tipo de referendo na Crimeia levou à anexação pela Rússia.

A Ucrânia enfrenta meses de tumultos, primeiramente em Kiev por manifestantes irritados com a decisão do presidente deposto Viktor Yanukovych de querer laços mais próximos com Rússia em vez da Europa, e agora no leste europeu por partidários da Rússia. Agora a maioria dos prédios no leste ocupados por insurgentes com apoio tácito de Moscou estão nas mãos de homens armados altamente treinados — situação que complica os planos das autoridades de retomá-los.

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Pushilin afirmou que os insurgentes não entregarão suas armas até que o governo pare seus esforços de reivindicar os prédios ocupados. "A junta de Kiev já começou a violar os acordos ontem ao anunciar que não recuará suas tropas de Slovyansk e Kramatorsk," afirmou Pushilin, referindo-se a duas cidades ocupadas pela insurgência.

Em um sinal de que o incipiente governo da Ucrânia está pronto para atender a algumas demandas do manifestantes, o presidente e o premiê em exercício emitiram um comunicado conjunto nesta sexta-feira dizendo que o governo ucraniano está "pronto para conduzir uma completa reforma constitucional que assegurará poderes às regiões", dando-lhes mais voz na governança local.

Eles também prometeram "um status especial para a língua russa" e a proteção dos direitos de todos os cidadãos qualquer que seja o idioma que falem. Yatsenyuk também comunicou o Parlamento nesta sexta que o governo esboçou uma lei para oferecer anistia a todos aqueles que desejam entregar suas armas e deixar os prédios ocupados.

A Rússia diz que o governo interino da Ucrânia é ilegítimo, mas não reivindicou que seus líderes abandonem seus gabinetes.

Em Washington, o presidente Barack Obama expressou ceticismo com a promessa russa de que conterá a escalada na volátil situação da Ucrânia, afirmando que os EUA e seus aliados estão prontos para impor mais sanções se Moscou não cumprir seus compromissos.

*Com AP

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