Coreia do Sul prende e acusa capitão por naufrágio de balsa

Por iG São Paulo |

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Lee Joon Seok, 68, é acusado de negligência, abandono do barco, ausência de busca de resgate e violação da 'lei do mar'

O capitão da balsa que afundou na Coreia do Sul foi formalmente acusado e está sob custódia policial, disse a mídia estatal na manhã de sábado local (tarde de sexta-feira em Brasília), citando promotores e policiais.

Hoje: Coreia do Sul busca mandado de prisão de capitão de balsa naufragada

Reuters
Lee Joon-Seok (C), capitão da balsa naufragada sul-coreana Sewol, chega à corte em Mokpo

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Lee Joon Seok, 68, é acusado de cinco violações relacionadas a abandono do barco, negligência, ferimentos, ausência de busca de resgate de outras embarcações e violação da "lei do homem do mar".

Um mandato de prisão foi emitido contra Lee em conexão com o acidente, que deixou quase 30 mortes confirmadas e quase 270 desaparecidos.

"Lee é acusado de fazer o navio Sewol naufragar ao falhar em desacelerar enquanto navegava por rota estreita e por fazer uma curva em excesso", disse o promotor Lee Bong-chang à Yonhap. "Lee também é acusado de fracassar em fazer a coisa certa para guiar os passageiros durante a fuga e, portanto, os levou à morte e a ferimentos."

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Se condenado, Lee pode ser sentenciado a cinco anos. Outros dois membros da tripulação também podem ser presos, disse um porta-voz dos investigadores.

A investigação sobre o desastre da balsa analisa uma curva brusca que a embarcação fez antes de começar a inclinar e a possibilidade de que uma retirada mais rápida ordenada pelo capitão poderia ter salvado mais vidas.

Alguns analistas acreditam que a curva brusca pode ter deslocado cargas pesadas, desestabilizando o barco, enquanto outros sugerem que ela pode ter sido causada pela colisão com uma rocha. Segundo o promotor sul-coreano Yang Jung-jin, Lee não estava na cabine de comando quando o Sewol passava através de uma área com várias ilhas muito juntas, algo que disse ser uma exigência legal para que o capitão possa ajudar um colega a fazer uma curva. O capitão também abandonou pessoas que precisavam de ajuda e resgate, disse. "Ele escapou antes dos passageiros", afirmou.

Parente de uma das vítimas, segurando retrato envolto em lençol branco, chora após tributo em Ansan, Coreia do Sul (23/4). Foto: ReutersMergulhadores buscam sobreviventes de naufrágio de balsa na Coreia do Sul (22/4). Foto: BBCParente de passageiro que estava a bordo de balsa naufragada em Seul chora enquanto aguarda informações em porto de Jindo (19/4). Foto: APBoias são rebocadas por um barco da marinha sul-coreana para ser instalada na balsa afundada na Coreia do Sul (18/4). Foto: ReutersCriança é resgatada por policiais marítimos sul-coreanos ao sair do navio 'Sewol', que naufragou em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersCorpo de um dos passageiros da balsa que afundou na região costeira da Coreia do Sul é levado para hospital em Jindo (16/04). Foto: APAdolescentes resgatadas após naufrágio na Coreia do Sul choram em academia para onde foram levadas (16/04). Foto: ReutersMulher se emociona ao ver o nome do filho em lista de sobreviventes na academia para onde eles foram levados, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersUma mãe se emociona ao ver o filho entre os resgatados após naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersHomem é socorrido no porto após ser resgatado de balsa que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEquipes de resgate auxiliam sobrevivente de naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersParente espera por notícias sobre os desaparecidos sozinho, em uma área do porto em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APGrupo de familiares espera por notícias dos desaparecidos após naufrágio, em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APEquipes da guarda costeira resgatam as vítimas de um navio que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: APPassageiros resgatados após naufrágio de balsa na Coreia do Sul são escoltados por equipes de resgate em sua chegada ao porto de Jindo, em Seul (16/04). Foto: APParentes a espera de notícias acompanham as buscas por desaparecidos na Coreia do Sul (16/04). Foto: APFamiliares choram enquanto aguardam por notícias de passageiros desaparecidos após naufrágio, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APOficiais da guarda costeira sul-coreana tentam resgatar passageiros de naufrágio (16/04). Foto: APHelicópteros de resgate sobrevoam balsa de passageiros sul-coreanos que afundou com mais de 450 pessoas, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APBalsa com tripulantes acabou afundando na Coreia do Sul. Maior parte das pessoas a bordo eram estudantes (16/04). Foto: APOficiais marítimos (de preto) tentam resgatar passageiros (com coletes salva-vidas) a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol' (16/04). Foto: ReutersOficial marítimo (de preto) resgata passageiros a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol', que naufragou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEmbarcação estava cheia de estudantes e acabou naufragando na Coreia do Sul. Autoridades marítimas buscam por desaparecidos (16/04). Foto: ReutersBalsa sul-coreana 'Sewol' é vista afundando no mar ao longo de Jindo, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersFamiliares choram enquanto esperam por passageiros desaparecidos de uma balsa que naufragou, no porto Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APDurante as buscas noturnas, autoridades iluminaram região para fazer os primeiros resgates, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersBusca da polícia marítima por passageiros desaparecidos com sinalizadores, após naufrágio da embarcação 'Sewol', na Coreia do Sul (16/04). Foto: Reuters

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Os membros da tripulação na cabine de comando — uma mulher de 25 anos e um timoneiro de 55 anos — também fracassaram em reduzir a velocidade nas águas perto das ilhas e fizeram a manobra brusca, disse Yang. Eles também não tomaram medidas para salvar vidas, afirmou.

A balsa deixou o porto de Incheon, no noroeste, na terça-feira para uma jornada de madrugada para a ilha de férias de Jeju, no sul, com 476 pessoas a bordo, sendo 323 delas estudantes que viajavam em uma excursão escolar.

A balsa naufragou poucas horas depois de a tripulação fazer uma ligação de alerta às 9 horas de quarta-feira. Em pouco tempo apenas sua quilha azul estava acima da superfície. Nesta sexta, não havia nem isso, e mergulhadores da Marinha anexaram sacos de ar embaixo d'água na balsa de 6.852 toneladas para evitar que ela afunde ainda mais, disse o Ministério da Defesa. Funcionários da Guarda Costeira disseram que os mergulhadores começaram a bombear ar dentro do navio em uma tentativa de manter vivos quaisquer sobreviventes.

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Uma transcrição de uma ligação de rádio entre o navio e comando em terra mostrou que o capitão atrasou a retirada em meia hora depois que uma autoridade de Transportes sul-coreana disse que o navio deveria ser esvaziado.

AP
Oficial americana no navio de assalto anfíbio USS Bonhomme Richard ajuda em esforços de buscas após naufrágio de balsa na Coreia do Sul

Oh Yong-seok, um timoneiro na balsa, disse à Associated Press que as primeiras instruções do capitão foram para que os passageiros colocassem os coletes salva-vidas e permanecessem onde estavam enquanto a tripulação tentava controlar o navio.

Cerca de 30 minutos depois, o capitão finalmente deu a ordem de retirada, disse Oh, acrescentando não ter certeza se, na confusão e caos, a ordem foi repassada aos passageiros. Vários sobreviventes disseram à AP que nunca ouviram uma ordem de retirada.

Hoje: Vice-diretor de escola que tinha alunos em naufrágio na Coreia comete suicídio

Nesta sexta, a polícia disse que Kang Min-kyu, o vice-diretor de uma escola secundária que havia sido resgatado da balsa, foi encontrado enforcado nesta sexta em um pinheiro em Jindo, uma ilha perto do navio afundado onde os sobreviventes foram abrigados. Ele era o líder do grupo de 323 estudantes e disse em uma nota de suicídio que se sentia culpado por estar vivo enquanto mais de 200 de seus alunos haviam desaparecido.

Além do diretor, há confirmação de ao menos 28 mortos na balsa, que afundou na quarta-feira. Segundo autoridades, há 174 sobreviventes e cerca de 270 ainda continuam desaparecidos, muitos deles estudantes. Com as chances de encontrar sobreviventes cada vez menor, o desastre deve se tornar um dos maiores da Coreia do Sul, sendo ainda mais comovente pela perda de tantas pessoas com idades entre 16 e 17 anos.

*Com AP, BBC e informações da rede de TV CNN

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