Coreia do Sul busca mandado de prisão de capitão de balsa naufragada

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Investigadores analisam curva brusca feita por embarcação e demora para retirada de passageiros; há 270 desaparecidos

A investigação sobre o desastre com uma balsa na Coreia do Sul analisa uma curva brusca que a embarcação deu antes de começar a inclinar e a possibilidade de que uma retirada mais rápida ordenada pelo capitão poderia ter salvado mais vidas, disseram autoridades nesta sexta-feira, enquanto as equipes de resgate tentam encontrar cerca de 270 desaparecidos que podem estar mortos. 

AP
Oficial americana no navio de assalto anfíbio USS Bonhomme Richard ajuda em esforços de buscas após naufrágio de balsa na Coreia do Sul

Promotores e a polícia também disseram nesta sexta-feira que pediram a uma corte que emita mandados de prisão contra o capitão e outros dois membros da tripulação.

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A polícia disse que Kang Min-kyu, o vice-diretor de uma escola secundária que havia sido resgatado da balsa, foi encontrado enforcado nesta sexta em um pinheiro em Jindo, uma ilha perto do navio afundado onde os sobreviventes foram abrigados. Ele era o líder de um grupo de 323 estudantes que viajavam na embarcação em uma excursão escolar e disse em uma nota de suicídio que se sentia culpado por estar vivo enquanto mais de 200 de seus alunos haviam desaparecido.

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Além do diretor, há confirmação de ao menos 28 mortos na balsa, a Sewol, que afundou na quarta-feira. Segundo autoridades, há 174 sobreviventes e cerca de 270 ainda continuam desaparecidos, muitos deles estudantes. Com as chances de encontrar sobreviventes cada vez menor, o desastre deve se tornar um dos maiores da Coreia do Sul, sendo ainda mais comovente pela perda de tantas pessoas com idades entre 16 e 17 anos.

Parente de uma das vítimas, segurando retrato envolto em lençol branco, chora após tributo em Ansan, Coreia do Sul (23/4). Foto: ReutersMergulhadores buscam sobreviventes de naufrágio de balsa na Coreia do Sul (22/4). Foto: BBCParente de passageiro que estava a bordo de balsa naufragada em Seul chora enquanto aguarda informações em porto de Jindo (19/4). Foto: APBoias são rebocadas por um barco da marinha sul-coreana para ser instalada na balsa afundada na Coreia do Sul (18/4). Foto: ReutersCriança é resgatada por policiais marítimos sul-coreanos ao sair do navio 'Sewol', que naufragou em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersCorpo de um dos passageiros da balsa que afundou na região costeira da Coreia do Sul é levado para hospital em Jindo (16/04). Foto: APAdolescentes resgatadas após naufrágio na Coreia do Sul choram em academia para onde foram levadas (16/04). Foto: ReutersMulher se emociona ao ver o nome do filho em lista de sobreviventes na academia para onde eles foram levados, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersUma mãe se emociona ao ver o filho entre os resgatados após naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersHomem é socorrido no porto após ser resgatado de balsa que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEquipes de resgate auxiliam sobrevivente de naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersParente espera por notícias sobre os desaparecidos sozinho, em uma área do porto em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APGrupo de familiares espera por notícias dos desaparecidos após naufrágio, em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APEquipes da guarda costeira resgatam as vítimas de um navio que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: APPassageiros resgatados após naufrágio de balsa na Coreia do Sul são escoltados por equipes de resgate em sua chegada ao porto de Jindo, em Seul (16/04). Foto: APParentes a espera de notícias acompanham as buscas por desaparecidos na Coreia do Sul (16/04). Foto: APFamiliares choram enquanto aguardam por notícias de passageiros desaparecidos após naufrágio, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APOficiais da guarda costeira sul-coreana tentam resgatar passageiros de naufrágio (16/04). Foto: APHelicópteros de resgate sobrevoam balsa de passageiros sul-coreanos que afundou com mais de 450 pessoas, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APBalsa com tripulantes acabou afundando na Coreia do Sul. Maior parte das pessoas a bordo eram estudantes (16/04). Foto: APOficiais marítimos (de preto) tentam resgatar passageiros (com coletes salva-vidas) a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol' (16/04). Foto: ReutersOficial marítimo (de preto) resgata passageiros a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol', que naufragou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEmbarcação estava cheia de estudantes e acabou naufragando na Coreia do Sul. Autoridades marítimas buscam por desaparecidos (16/04). Foto: ReutersBalsa sul-coreana 'Sewol' é vista afundando no mar ao longo de Jindo, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersFamiliares choram enquanto esperam por passageiros desaparecidos de uma balsa que naufragou, no porto Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APDurante as buscas noturnas, autoridades iluminaram região para fazer os primeiros resgates, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersBusca da polícia marítima por passageiros desaparecidos com sinalizadores, após naufrágio da embarcação 'Sewol', na Coreia do Sul (16/04). Foto: Reuters

A balsa deixou o porto de Incheon, no noroeste, na terça-feira para uma jornada de madrugada para a ilha de férias de Jeju, no sul, com 476 pessoas a bordo. Ela naufragou poucas horas depois de a tripulação fazer uma ligação de alerta às 9 horas de quarta-feira. Logo, apenas sua quilha azul estava acima da superfície. Nesta sexta, não há nem isso, e mergulhadores da Marinha anexaram sacos de ar embaixo d'água na balsa de 6.852 toneladas para evitar que ela afunde ainda mais, disse o Ministério da Defesa. Funcionários da Guarda Costeira disseram que os mergulhadores começaram a bombear ar dentro do navio em uma tentativa de manter vivos quaisquer sobreviventes.

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Autoridades sul-coreanas deram alguma informação do que pode ter feito a embarcação afundar. Eles disseram que o acidente aconteceu em um ponto onde a balsa tem de fazer uma curva. O promotor Park Jae-eok disse que os investigadores analisam se o terceiro oficial ordenou um movimento muito brusco que fez a embarcação inclinar.

A balsa fez o movimento brusco entre as 8h48 e 8h49, mas ainda não se sabe se ele foi feito voluntariamente ou por causa de um fator externo, disse Nam Jae-heon, um porta-voz do Ministério da Marítimo.

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Outro ângulo sendo investigado é o papel do capitão, Lee Joon-seok, 68. O promotor Yang Jung-jin disse que o capitão não estava presente na ponte quando o navio passava através de uma área com muitas ilhas muito juntas, algo que disse ser uma exigência legal para que o capitão possa ajudar um colega a fazer uma curva. O capitão também abandonou pessoas que precisavam de ajuda e resgate, disse. "O capitão escapou antes dos passageiros", afirmou.

Os membros da tripulação na ponte da balsa — uma mulher de 25 anos e um timoneiro de 55 anos — também fracassaram em reduzir a velocidade nas águas perto das ilhas e fizeram a manobra brusca, disse Yang said. Eles também não tomaram medidas para salvar vidas, afirmou.

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Uma transcrição de uma ligação de rádio entre o navio e comando em terra mostrou que o capitão atrasou a retirada em meia hora depois que uma autoridade de Transportes sul-coreana disse que o navio deveria ser esvaziado.

Oh Yong-seok, um timoneiro na balsa, disse à Associated Press que as primeiras instruções do capitão foram para que os passageiros colocassem os coletes salva-vidas e permanecessem onde estavam enquanto a tripulação tentava controlar o navio.

Cerca de 30 minutos depois, o capitão finalmente deu a ordem de retirada, disse Oh, acrescentando não ter certeza se, na confusão e caos, a ordem foi repassada aos passageiros. Vários sobreviventes disseram à AP que nunca ouviram uma ordem de retirada.

*Com AP

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