Investigadores analisam curva brusca feita por embarcação e demora para retirada de passageiros; há 270 desaparecidos

A investigação sobre o desastre com uma balsa na Coreia do Sul analisa uma curva brusca que a embarcação deu antes de começar a inclinar e a possibilidade de que uma retirada mais rápida ordenada pelo capitão poderia ter salvado mais vidas, disseram autoridades nesta sexta-feira, enquanto as equipes de resgate tentam encontrar cerca de 270 desaparecidos que podem estar mortos. 

Oficial americana no navio de assalto anfíbio USS Bonhomme Richard ajuda em esforços de buscas após naufrágio de balsa na Coreia do Sul
AP
Oficial americana no navio de assalto anfíbio USS Bonhomme Richard ajuda em esforços de buscas após naufrágio de balsa na Coreia do Sul

Promotores e a polícia também disseram nesta sexta-feira que pediram a uma corte que emita mandados de prisão contra o capitão e outros dois membros da tripulação.

Ontem: Balsa sul-coreana teria desviado de rota

Leia também:  Três questões não respondidas sobre o naufrágio na Coreia

A polícia disse que Kang Min-kyu, o  vice-diretor de uma escola secundária que havia sido resgatado da balsa, foi encontrado enforcado nesta sexta em um pinheiro em Jindo, uma ilha perto do navio afundado onde os sobreviventes foram abrigados. Ele era o líder de um grupo de 323 estudantes que viajavam na embarcação em uma excursão escolar e disse em uma nota de suicídio que se sentia culpado por estar vivo enquanto mais de 200 de seus alunos haviam desaparecido.

Hoje: Vice-diretor de escola que tinha alunos em naufrágio na Coreia comete suicídio

Além do diretor, há confirmação de ao menos 28 mortos na balsa, a Sewol, que afundou na quarta-feira. Segundo autoridades, há 174 sobreviventes e cerca de 270 ainda continuam desaparecidos, muitos deles estudantes. Com as chances de encontrar sobreviventes cada vez menor, o desastre deve se tornar um dos maiores da Coreia do Sul, sendo ainda mais comovente pela perda de tantas pessoas com idades entre 16 e 17 anos.

A balsa deixou o porto de Incheon, no noroeste, na terça-feira para uma jornada de madrugada para a ilha de férias de Jeju, no sul, com 476 pessoas a bordo. Ela naufragou poucas horas depois de a tripulação fazer uma ligação de alerta às 9 horas de quarta-feira. Logo, apenas sua quilha azul estava acima da superfície. Nesta sexta, não há nem isso, e mergulhadores da Marinha anexaram sacos de ar embaixo d'água na balsa de 6.852 toneladas para evitar que ela afunde ainda mais, disse o Ministério da Defesa. Funcionários da Guarda Costeira disseram que os mergulhadores começaram a bombear ar dentro do navio em uma tentativa de manter vivos quaisquer sobreviventes.

Vídeo: Menina de seis anos é resgatada de balsa na Coreia do Sul

Autoridades sul-coreanas deram alguma informação do que pode ter feito a embarcação afundar. Eles disseram que o acidente aconteceu em um ponto onde a balsa tem de fazer uma curva. O promotor Park Jae-eok disse que os investigadores analisam se o terceiro oficial ordenou um movimento muito brusco que fez a embarcação inclinar.

A balsa fez o movimento brusco entre as 8h48 e 8h49, mas ainda não se sabe se ele foi feito voluntariamente ou por causa de um fator externo, disse Nam Jae-heon, um porta-voz do Ministério da Marítimo.

Mãe após naufrágio sul-coreano:  'Não posso dormir com minha filha na água'

Outro ângulo sendo investigado é o papel do capitão, Lee Joon-seok, 68. O promotor Yang Jung-jin disse que o capitão não estava presente na ponte quando o navio passava através de uma área com muitas ilhas muito juntas, algo que disse ser uma exigência legal para que o capitão possa ajudar um colega a fazer uma curva. O capitão também abandonou pessoas que precisavam de ajuda e resgate, disse. "O capitão escapou antes dos passageiros", afirmou.

Os membros da tripulação na ponte da balsa — uma mulher de 25 anos e um timoneiro de 55 anos — também fracassaram em reduzir a velocidade nas águas perto das ilhas e fizeram a manobra brusca, disse Yang said. Eles também não tomaram medidas para salvar vidas, afirmou.

Adeus: 'Mãe, eu te amo', diz torpedo de estudante em balsa naufragada

Uma transcrição de uma ligação de rádio entre o navio e comando em terra mostrou que o capitão atrasou a retirada em meia hora depois que uma autoridade de Transportes sul-coreana disse que o navio deveria ser esvaziado.

Oh Yong-seok, um timoneiro na balsa, disse à Associated Press que as primeiras instruções do capitão foram para que os passageiros colocassem os coletes salva-vidas e permanecessem onde estavam enquanto a tripulação tentava controlar o navio.

Cerca de 30 minutos depois, o capitão finalmente deu a ordem de retirada, disse Oh, acrescentando não ter certeza se, na confusão e caos, a ordem foi repassada aos passageiros. Vários sobreviventes disseram à AP que nunca ouviram uma ordem de retirada.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.