Pacto prevê desarme de grupos militares ilegais e devolução de de prédios capturados por separatistas às autoridades de Kiev

Importantes diplomatas dos EUA, União Europeia (UE), Rússia e Ucrânia concordaram nesta quinta-feira em adotar passos imediatos para acalmar as tensões na Ucrânia.

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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry (E), cumprimenta chanceler russo, Serguei Lavrov, durante encontro sobre crise na Ucrânia em Genebra
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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry (E), cumprimenta chanceler russo, Serguei Lavrov, durante encontro sobre crise na Ucrânia em Genebra

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O acordo, alcançado após sete horas de negociação em Genebra (Suíça), requer que todos os lados não recorram a violência, intimidação ou ações provocativas. Também pede o desarme de todos os grupos militares ilegais e que o controle de prédios capturados por separatistas pró-Rússia seja devolvido às autoridades.

O acordo também prevê que uma anistia seja concedida aos manifestantes pró-Rússia que participam do atual levante contra o governo em Kiev, com exceção daqueles considerados autores de crimes graves.

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O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que as quatro partes trabalharão para estabelecer um diálogo nacional amplo para assegurar que os direitos da população sejam protegidos. Segundo o chanceler russo, a crise deve ser resolvida pelos próprios ucranianos e devem ocorrer reformas constitucionais de longo prazo. 

A Ucrânia está em crise desde a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych em fevereiro depois de meses de protestos por sua decisão de se aproximar de Moscou em vez de assinar um acordo com a UE.

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Depois da destituição de Yanukovych, a Rússia anexou a estratégica Península da Crimeia e, nas últimas semanas, separatistas pró-Moscou tomaram o controle de vários prédios do governo no leste ucraniano.

Monitores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa terão a tarefa de ajudar as autoridades ucranianas e as comunidades locais a cumprir com os requerimentos detalhados no acordo. E os planos de Kiev de reformar sua Constituição e transferir mais poder do governo central para as autoridades regionais devem ser inclusivos, transparentes e com prestação de contas — incluindo por meio da criação de um amplo diálogo nacional.

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A tentativa de acordo poderia congelar — pelo menos por enquanto — sanções econômicas que o Ocidente preparou para impor contra a Rússia se as negociações fossem infrutíferas. E amenizaria a pressão internacional tanto em Moscou quanto nas nervosas nações da UE que dependem do gás russo.

O presidente russo, Vladimir Putin, criticou os EUA e seus aliados europeus pelo que chamou de padrão duplo e disse esperar não ter de enviar tropas para a Ucrânia.

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O governo em Kiev esperava usar as negociações de Genebra — a primeira do tipo sobre a crise que ameaça seu poder — para aplacar a Rússia e acalmar as hostilidades com seu vizinho enquanto os EUA preparam uma nova rodada de sanções para punir Moscou pelo que veem como ações para fomentar o atual tumulto.

Em uma aparição televisionada em Moscou nesta quinta, Putin negou as alegações de que as forças especiais russas fomentam o levante no leste da Ucrânia. Ele caracterizou de "crime" o esforço do governo ucraniano de conter o levante.

*Com AP e BBC

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