Confrontos deixam ao menos três mortos na Ucrânia em dia de negociações

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Rússia, EUA, UE e a Ucrânia se reúnem nesta quinta em Genebra para debater crise. Expectativas para as negociações são baixas

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Em meio à nova escalada de violência no leste ucraniano, Rússia, Estados Unidos, União Europeia e Ucrânia se reúnem nesta quinta-feira em Genebra para tentar debelar a crise. As expectativas para as negociações, no entanto, são baixas.

Ontem: Insurgentes pró-Rússia capturam veículos blindados da Ucrânia

Reuters
Soldados ucranianos entram em confronto com manifestantes pró-Rússia no campo, perto de Kramatorsk


Crise: Otan reforça proteção terrestre, marítima e aérea no leste da Europa

Três separatistas pró-Rússia foram mortos a tiros em um confronto com as forças ucranianas em Mariupol, perto do Mar Azov, segundo o ministro do Interior da Ucrânia. Em um post no Facebook, Arsen Avakov disse que cerca de 300 separatistas atacaram uma unidade militar em Mariupol durante a noite, jogando bombas de gasolina, e as tropas abriram fogo.

As potências ocidentais dizem que a Rússia está ajudando os ativistas pró-Rússia a ocuparem edifícios no leste da Ucrânia. A divisão política no país levou à deposição do presidente em fevereiro e à pior crise entre os Estados Unidos e a Rússia desde a Guerra Fria.

A posição da Rússia sobre a Ucrânia oriental e a anexação da Crimeia em março continuam a causar preocupação nos países membros da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) com países de minorias de língua russa, como a Letônia e Estônia.

Por causa disso, a organização anunciou na quarta-feira que estava reforçando as defesas dos seus membros orientais.

Mortes

Não houve confirmação independente sobre as três mortes relatadas pelo governo ucraniano.

Entenda: Saiba quais são as cidades afetadas pelo movimento separatista na Ucrânia

A operação continua - a Ucrânia enviou reforços, incluindo helicópteros. Segundo Avakov, 13 dos autores do ataque foram feridos e 63 foram detidos. Ninguém das tropas do Ministério do Interior foi morto.

Mariupol fica no extremo sul da região de Donetsk, onde separatistas tomaram dezenas de edifícios oficiais. Conflito em Mariupol deixou várias pessoas feridas e três mortos. Forças especiais ucranianas e veículos blindados foram ao auxílio das tropas do Ministério do Interior, relatou a agência de notícias ucraniana Unian.

Separatistas em retirada teriam ferido dois pedestres, incendiado um microônibus e também atirado em um prédio ao lado da unidade militar.

"Por meio de esforços conjuntos, policiais armados e a guarda nacional dispersaram a gangue depois de uma curta batalha, a maioria deles foi encurralada e desarmada", disse Avakov.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reagiu.

"O que eu disse de forma consistente é que, cada vez que a Rússia tomar esses tipos de medidas que visam desestabilizar a Ucrânia e violam sua soberania, haverá consequências", disse ele.

Há relatos de que a Casa Branca está considerando enviar roupas e suprimentos médicos para as forças armadas da Ucrânia.

Conflitos

Enquanto isso, a operação militar contra os separatistas da Ucrânia enfrenta obstáculos. Chamada de "antiterrorista" pelo governo de Kiev, a operação começou na terça-feira e tem como objetivo desalojar militantes pró-Rússia de edifícios das autoridades locais em cidades e vilas no leste da Ucrânia.

Ativistas pró-Rússia querem um referendo sobre maior autonomia para o Sudeste do país ou o direito de integrar a Rússia. Militantes pró-Rússia cercaram tanques do exército ucraniano.

Confira fotos da ocupação russa na Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Terça: Ucrânia lança operação antiterrorista; grupos pró-Rússia mantêm posições

Em vários distritos as tropas ucranianas enfrentaram na quarta-feira forte oposição de cidadãos que se opõem ao novo governo em Kiev.

Na cidade de Kramatorsk, seis veículos militares foram interceptados por homens armados, que desarmaram os soldados ucranianos e enviaram alguns deles para casa de ônibus.

Um oficial ucraniano disse que não tinha "vindo para lutar" e nunca obedeceria ordens para atirar em suas "próprias pessoas." Em outro incidente, centenas de moradores de Pchyolkino, ao sul de Sloviansk, cercaram uma coluna de 14 veículos militares ucranianos.

Depois que a multidão foi reforçada por homens armados pró-Rússia, houve negociação e as tropas de Kiev foram autorizadas a se retirar com seus veículos, mas apenas depois de concordar em descarregar seus rifles. Putin voltou a alertar para risco de guerra civil no leste da Ucrânia.

Apelo: Ucrânia pede tropas de paz da ONU no leste

Nesta quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, atendeu ligações de pessoas de todo o país - inclusive da Crimeia - em um programa televisivo que é realizado anualmente.

Putin voltou a alertar para o risco de uma guerra civil e disse que a decisão da Ucrânia de enviar forças armadas para o leste em vez de tentar estabelecer um diálogo com a população de língua russa era um "crime grave".

Genebra

A reunião de Genebra é a primeira vez que ministros das Relações Exteriores dos Estados Unidos, da União Europeia, da Ucrânia e da Rússia vão discutir sobre a crise na Ucrânia desde que o impasse começou.

Os Estados Unidos e a União Europeia querem o fim das ocupações no leste da Ucrânia e que as tropas russas posicionadas perto da fronteira, estimadas em 40 mil militares, recuem. John Kerry conversa com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia

Uma autoridade dos EUA, que falou durante a chegada do secretário de Estado americano, John Kerry, em Genebra, sublinhou que a Rússia deve "aproveitar esta oportunidade de reduzir as tensões" ou enfrentará um endurecimento das sanções.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Deshchytsya, pediu que a Rússia "não apoie atividades terroristas no leste da Ucrânia."

Já o Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou Washington de "falta de vontade persistente ou incapacidade de ver a realidade como ela é de fato". E disse ainda que os Estados Unidos impõem ao resto do mundo "uma percepção distorcida do que está acontecendo no sudeste da Ucrânia".

A Rússia, que se opôs fortemente à destituição do presidente ucraniano pró-Moscou Viktor Yanukovych, em fevereiro, propôs uma nova Constituição para o país, que dê mais poder para as regiões.

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