Resistência palestina a reconhecer Israel como Estado judeu dificulta acordo

Por Nahum Sirotsky - correspondente em Israel | - Atualizada às

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Proclamação da independência de Israel inclui a lei de dar a todos judeus do mundo o direito de retorno à terra ancestral

Os judeus comemoram sua Páscoa poucos dias antes dos cristãos. A celebração implica em uma série de preparos um tanto complexos. Um deles é a limpeza total das residências para eliminar vestígios de alimentos que fermentam. São oito dias dentro de dieta especial, à base de pão ázimo, sem amido e glúten.

AP
Judeus ultraortodoxos queimam itens em preparação final para o feriado de Páscoa na cidade de Bnei Brak, perto de Tel Aviv, Israel (14/4)

Em Israel, a festa tem duraçã de 24 horas. Começou na noite de segunda-feira (14) e termina no fim da tarde desta terça.

Recordam todos os anos o êxodo do povo de Israel escravizado no Egito e a fuga liderada por Moisés. Eles chegaram ao Sinai, de onde regressaram com os Mandamentos de Deus. Foi o nascimento da religião israelita. Esse fato histórico, segundo os judeus, aconteceu há cerca de 3,5 mil anos e simboliza a opção pela liberdade em qualquer hipótese e o compromisso com o monoteísmo. E isso foi inspiração para o que viria resultar no sistema democrático.

Jerusalém seria conquistada por David, jovem rei da nação estabelecida em Canaã, pelas 12 tribos que nela ingressaram saindo do deserto há mais de 3 mil anos. No ano 70 d.C., as legiões romanas conquistaram a cidade. Em 1948, os judeus tiveram sua grande oportunidade de restaurar Israel como seu país, que nasceu com o sonho de retorno de toda Jerusalém, como capital.

Há conflito permanente entre Israel e a maioria dos árabes, principalmente os palestinos, desde 1948. Os muçulmanos não reconhecem Israel como Estado judeu. A ideia de dois países independentes, um árabe e outro judeu, foi aprovada em 1947, durante Assembleia Geral da ONU, presidida por Osvaldo Aranha.

A proclamação da independência de Israel inclui a lei de dar a todos judeus do mundo o direito de retorno à terra ancestral. Sem a qualidade de Estado judeu, seus descendentes do mundo inteiro perderiam o direito a uma nacionalidade de origem e de abrigo, sem quaisquer restrições. Depois do Holocausto cometido pelos nazistas de Hitler, quando assassinaram 6 milhões de judeus europeus, ter um país para defender esse conceito passou a ser algo insubstituível.

Até o momento, os árabes palestinos ainda não instituíram um país e negam aos israelenses o direito de qualificar o seu de Estado judeu. A nova crise que surgiu nas tentativas de um entendimento entre Israel e Autoridade Palestina, para independência árabe, pode vir com um acordo provisório.

Entretanto, sem reconhecimento de Israel como Estado judeu, acordo finalizando o conflito seria impossível.

*Colaborou Nelson Burd

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