Pedido é feito enquanto Kiev se mostra impotente para conter protestos em ao menos nove cidades na região oriental do país

O presidente em exercício da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, pediu à ONU nesta segunda-feira que envie tropas de paz ao leste do país, onde atiradores pró-Rússia mantiveram sua ação de invadir e ocupar escritórios locais do governo, delegacias de polícia e um pequeno aeroporto.

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Ativista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia
AP
Ativista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia

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O pedido veio de um governo que se provou impotente para controlar os separatistas em suas regiões leste e sul, onde insurgentes capturaram ou montaram barricadas em ao menos nove cidades, reivindicando mais autonomia em relação ao novo governo em Kiev e vínculos mais próximos com a Rússia.

O governo em Kiev e as autoridades ocidentais acusaram a Rússia de instigar o tumulto e de posicionar agentes armados russos à paisana para incitá-los.

Em um telefonema ao secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, Turchynov sugeriu que uma "operação antiterrorista" seja conduzida em conjunto com forças de segurança ucranianas e tropas de paz da ONU, de acordo com o site presidencial. As tropas de paz, porém, teriam de ser autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia tem poder de veto.

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O ultimato imposto por Turchynov para que os insurgentes entregassem suas armas e abandonassem suas barricadas passou nesta segunda-feira sem uma ação visível — em vez disso, a violência continuou. Uma multidão pró-Rússia invadiu uma delegacia de polícia em Horlivka, outra cidade perto da fronteira russa. Mais tarde, homens armados com máscaras também tomaram o controle de um pequeno aeroporto nos arredores da cidade de Slovyansk, também na região de Donetsk, na divisa com a Rússia.

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os eventos ecoaram aqueles na Crimeia, que foi anexada pela Rússia no mês passado , depois que instalações regionais essenciais foram controladas por soldados russos auxiliados por milicianos locais.

Os acontecimentos surgiram no mesmo dia em que chanceleres da União Europeia (UE) decidiram que imporão mais sanções contra russos por meio de congelamentos de bens e proibições de visto como um sinal de sua oposição à política de Moscou em relação à Ucrânia.

O nome das pessoas atingidas ainda não foi divulgado. Na quinta-feira (17), diplomatas dos EUA, Rússia, UE, Ucrânia e Suíça se reúnem em Genebra para negociações sobre a crise. A Rússia alertou o governo em Kiev para não usar a força contra os protestos armados no leste, afirmando que isso prejudicaria a conferência em Genebra.

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Desde que o presidente pró-Rússia da Ucrânia Viktor Yanukovych fugiu para a Rússia no final de fevereiro, Moscou reivindicou que a Ucrânia mude sua Constituição para transformar o país em um Estado levemente federal. A Ucrânia reagiu dizendo que não é papel de seu vizinho lhe dizer que tipo de governo o país tem de ter.

Depois que pôs fim a demandas para a realização de um referendo separatista no leste, Turchynov indicou nesta segunda-feira que era possível realizar um referendo nacional sobre o status da Ucrânia. Ele disse que tal votação poderia ocorrer em 25 de maio, juntamente com a eleição presidencial. Turchynov expressou confiança de que os ucranianos votarão contra transformar o país em uma federação e contra dividi-lo.

*Com AP

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