Militantes pró-russos fincaram bandeiras em prédios oficiais em duas cidades da Ucrânia, ampliando impasse com Moscou

A Ucrânia considerou os ataques de separatistas pró-Rússia no leste do país neste sábado (12) como um "ato de agressão da Rússia", disse o ministro do Interior, Arsen Avakov. "Unidades dos ministérios do Interior e da Defesa estão implementando um plano de resposta operacional", disse em comunicado. 

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Ações: Ucrânia diz que militantes pró-russos ocuparam prédio do serviço de segurança

O presidente interino da Ucrânia convocou uma reunião de emergência do conselho de segurança nacional em Kiev. "As 9h locais (15h de Brasília), uma reunião será realizada pelo conselho de segurança e defesa da Ucrânia devido à situação no leste do país", disse um porta-voz do presidente interino Oleksander Turchinov.

Ativistas armados pró-Rússia ocupam o escritório da polícia regional em Donetsk, neste sábado
AP
Ativistas armados pró-Rússia ocupam o escritório da polícia regional em Donetsk, neste sábado

Prédios tomados

Militantes pró-russos fincaram suas bandeiras em prédios oficiais em duas cidades do leste, ampliando o impasse com Moscou, enquanto Kiev alertou que a crise está levando a Europa para uma "guerra do gás" que poderá interromper o fornecimento no continente.

Ao menos 20 homens armados com pistolas e rifles ocuparam a delegacia de polícia e os prédios dos serviços de segurança em Slaviansk, a cerca de 150 km da fronteira com a Rússia.

Autoridades disseram que os homens apreenderam centenas de pistolas dos arsenais dos edifícios. Os militantes substituíram a bandeira ucraniana de um dos prédios pela bandeira vermelha, branca e azul da Rússia.

Alguns moradores ajudaram os militantes a construir barricadas com pneus, esperando que a polícia tentará forçar a retirada deles, presenciou um repórter da Reuters. Mas não estava claro como as autoridades retirariam os militantes depois que o chefe da polícia da região anunciou ter deixado o cargo.

Kostyantyn Pozhydayev saiu do prédio para falar com os manifestantes pró-Rússia na capital regional, Donetsk, e disse que estava renunciado "de acordo com suas demandas". Alguns de seus funcionários deixaram o edifício.

Os manifestantes estavam ocupando o primeiro andar dos prédios da polícia de Donetsk e a bandeira preta e laranja adotada por separatistas pró-russos foi colocada no topo do edifício, substituindo a bandeira ucraniana.

As ocupações são importantes porque se os manifestantes forem mortos ou feridos por forças ucranianas, isso pode levar o Kremlin a intervir para proteger a população russa local, um cenário já visto na Crimeia.

Moscou nega qualquer plano de enviar tropas para dividir a Ucrânia, mas autoridades de Kiev acreditam que a Rússia está tentando criar um precedente para intervir novamente. A Otan disse que as forças russas estão mobilizadas na fronteira com a Ucrânia, mas Moscou afirma se tratar de manobras rotineiras.

O ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Deshchytsia, disse ter conversado por telefone com o chanceler russo, Sergei Lavrov, e pediu que Moscou interrompa o que chamou de "ações de provocação" por seus agentes no leste da Ucrânia.

A Rússia e a Ucrânia têm se confrontado desde que protestos em Kiev forçaram o presidente pró-Rússia a deixar o cargo, e o Kremlin enviou tropas para a Crimeia.

Guerra do gás

A Ucrânia disse neste sábado que vai suspender os pagamentos à Rússia pelo gás natural, aumentando as tensões sobre um impasse que pode deixar países da União Europeia sem o produto russo, do qual dependem.

Grande parte do gás natural que a UE compra da Rússia passa pelo território ucraniano. Portanto, se os russos cortarem o fornecimento à Ucrânia por inadimplência, vários clientes europeus ficariam sem esse gás.

Andriy Kobolev, chefe-executivo da empresa estatal de energia da Ucrânia, a Naftogaz, disse que o alto preço que a Rússia está exigindo pelo produto era injustificável e inaceitável.

"Suspendemos o pagamento durante o período de negociação de preços", afirmou Kobolev em entrevista ao jornal Zerkalo Nedely.

A decisão de suspender formalmente os pagamentos mostra que não há sinal de acordo com Moscou, o que pode deixar ambos os países perto de repetirem a antiga "guerra do gás", quando a Ucrânia teve seu fornecimento interrompido e afetou o abastecimento para a UE.

Moscou disse que não quer desligar o fornecimento para a Ucrânia se puder evitar esse desfecho, e que honrará seu compromisso de continuar fornecendo o produto para seus outros clientes europeus.


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