Americanos Glenn Greenwald e Laura Poitras viajaram ao país para receber prêmio por terem revelado espionagem dos EUA

Reuters

Glenn Greenwald e Laura Poitras, os jornalistas norte-americanos que revelaram os vazamentos de Edward Snowden , ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA), que expuseram o monitoramento em massa do governo dos EUA , voltaram ao país nesta sexta-feira, a primeira vez que o fazem desde a exposição dos programas de espionagem em 2013.

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Laura Poitras e Glenn Greenwald, principais repórteres que revelaram escândalo de espionagem dos EUA, são vistos após receber George Polk Award em Nova York
AP
Laura Poitras e Glenn Greenwald, principais repórteres que revelaram escândalo de espionagem dos EUA, são vistos após receber George Polk Award em Nova York

Greenwald e Poitras chegaram ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, no mesmo voo para receber o prêmio de jornalismo George Polk por suas reportagens sobre como o governo dos EUA obteve informações de milhões de cidadãos secretamente, entre outras revelações.

Seus relatos sobre os vazamentos, que começaram em junho, desencadearam um debate mundial sobre os limites da vigilância governamental e levaram o presidente Barack Obama a reduzir os poderes de espionagem da NSA no começo deste ano.

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"Eu realmente não esperava que nada acontecesse, e é por isso que finalmente viemos", disse Greenwald pouco depois de abraçar seu companheiro, o brasileiro David Miranda, que disse que estava nervoso enquanto esperava Greenwald ser liberado pela segurança do aeroporto.

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Em agosto, autoridades britânicas detiveram Miranda, que vive com Greenwald no Rio de Janeiro, e o questionaram durante nove horas apoiados na legislação antiterrorismo quando ele pousou no Aeroporto de Heathrow, em Londres, levando documentos de Snowden.

Defensores da liberdade de imprensa criticaram a detenção de Miranda e os esforços do governo britânico para evitar que o jornal Guardian, que publicou muitos dos artigos de Greenwald, divulgasse novas reportagens sobre os documentos de Snowden.

Greenwald disse acreditar que o governo dos EUA "não seria tão incrivelmente estúpido e autodestrutivo" a ponto de deter ele e Poitras de maneira semelhante.

Quando indagado sobre se trazia documentos de Snowden consigo, Greenwald repetiu a pergunta com incredulidade e, rindo, disse "não, não trago".

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