Premiê da Ucrânia promete mais poder ao Leste do país

Por iG São Paulo |

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Arseniy Yatseniuk fez a declaração durante encontro com as autoridades das cidades do leste, em Donetsk, nesta sexta (11)

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, afirmou aos líderes rebeldes do país nesta sexta-feira (11) que tem o compromisso de permitir que as regiões do leste tenham mais poder autônomo, mas deixou claro como suas ideias diferem das demandas dos manifestantes, que ocupam prédios do governo regional ou defendem a anexação à Rússia.

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AP
O primeiro-ministro da Ucrânia Arseniy Yatsenyuk, centro, fala durante encontro com líderes regionais em Donetsk, Ucrânia,


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A declaração aconteceu durante reunião do premiê com autoridades da região leste, em encontro realizado na cidade de Donetsk, e não incluiu representantes dos ativistas pró-Rússia. Eles pediram ao premiê que permita referendo sobre a autonomia de suas regiões, e não sobre a secessão.

"Não há separatistas entre nós", disse Gennady Kernes, prefeito da região de Kharkiv, onde manifestantes ocuparam um prédio do governo no início da semana.

Coração industrial da Ucrânia, a região leste do país foi a base de apoio do presidente deposto pró-Kremlin Viktor Yanukovych, que deixou o cargo em fevereiro, após meses de protestos. No mês passado, a região da Criméia votou pela secessão e foi anexada pela Rússia.

O governo russo aumentou a pressão sobre a Ucrânia na quinta (10), quando o presidente Vladimir Putin advertiu os líderes europeus de risco para o fornecimento de gás importado pela Ucrânia. Ele ameaçou que a Rússia pode acabar com a exportação para a Ucrânia, caso o país não quite suas dívidas gigantescas. O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov disse às agências de notícias russas nesta sexta que a Rússia não teve resposta dos países para os quais Putin enviou o comunicado.

Os manifestantes nas cidades orientais de Donetsk e Luhansk estão ocupando prédios do governo e pedindo um referendo sobre a autonomia regional que poderia configurar uma busca pela anexação à Rússia.

Antes de sair de Donetsk para outra cidade oriental, Yatsenyuk disse aos repórteres que ele favorece uma solução pacífica para o impasse. No entanto, deixou a opção de invadir os prédios ocupados pelos rebeldes em aberto, apesar do esgotamento do prazo estabelecido por ele de dois dias para a retirada total dos manifestantes do local.

Yatsenyuk disse que as queixas dos ucranianos orientais seriam aplacadas pela próxima reforma constitucional que "satisfaz as pessoas que querem ver mais poderes às regiões." Ele mencionou o fim da administração dessas cidades por Kiev como uma das medidas para descentralizar o país.

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Os manifestantes em Donetsk, que ocuparam o prédio da administração regional no domingo, inicialmente clamavam por um referendo sobre a secessão do território, mas depois reduziram a demanda por autonomia, com a possibilidade de realizar outra votação.

As regiões orientais da Ucrânia tem uma alta proporção de falantes russos e muitos deles temem que o governo que assumiu após Yanukovych reprima-os. Kiev e os ocidentais, por sua vez, afirmam que a Rússia está manuseando as tensões no leste com o objetivo de estabelecer um pretexto para o envio de suas tropas à região.

O chanceler russo, Sergey Lavrov negou qualquer participação da Rússia nos eventos no leste, dizendo na rede de TV russa nesta sexta que "nossos soldados não estão lá. Nossos agentes é que estão."

Rússia pede à Ucrânia para mudar a sua constituição e se torne um estado federalizado dos quais as regiões teria mais controle de seus próprios assuntos. O governo da Ucrânia tem resistido a federalização, dizendo que iria lançar as bases para separação do país.

Confira fotos da ocupação russa na Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Rússia e o FMI

O ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, disse na quinta ao secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, que a Rússia está preocupada com a dívida da Ucrânia pelo gás natural russo, mas que o governo de Moscou está disposto a trabalhar com parceiros internacionais para fornecer ajuda financeira a Kiev.

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"Uma preocupação foi expressa sobre a crescente dívida ucraniana pelo fornecimento de gás russo, particularmente no contexto de preparação para o inverno de 2014-2015", disse Siluanov a jornalistas após encontro com Lew às margens de um encontro do Banco Mundial e do FMI em Washington. "A Rússia está pronta para participar do apoio à Ucrânia junto com o FMI e a União Europeia", disse Siluanov. 

Ele disse ter afirmado ao homólogo norte-americano que a anexação da Crimeia pela Rússia foi legítima.

União Europeia

O comissário europeu para Energia, Guenther Oettinger, trabalha em um plano para ajudar a Ucrânia a pagar parte de suas contas de gás com a Rússia, disse ele à rádio austríaca ORF, afirmando que não há "razão para entrar em pânico" a respeito do fornecimento de gás russo para a Europa.

"Estamos em contato próximo com a Ucrânia e sua companhia de gás para garantir que a Ucrânia continue capaz de pagar e não aumente ainda mais as suas dívidas junto à Gazprom", afirmou o comissário, acrescentando que iria se reunir com os ministros de Energia e Relações Exteriores da Ucrânia na segunda-feira (14).

"Estou preparando uma solução que seja parte do pacote de ajuda que o FMI, a União Europeia e o Banco Mundial estão oferecendo à Ucrânia e a partir do qual o pagamento das contas em aberto será possível", acrescentou.

O presidente russo, Vladimir Putin, avisou na quinta-feira em uma carta aos líderes de 18 países europeus que a Rússia cortaria o fornecimento de gás natural para a Ucrânia caso Kiev não pague suas contas, e afirmou que isso poderia levar a uma redução do fornecimento subsequente para a Europa.

Oettinger aconselhou que a ameaça não seja tomada ao pé da letra, dizendo que a Rússia quer entregar o gás e precisa de seus rendimentos.

"Parte das contas é justificada. Outra parte é injustificada. Vamos reunir um pacote nas próximas semanas para que o pagamento das contas em aberto que são justas seja possível, mas não de acordo com a contabilidade do senhor Putin, e sim pelo que é contratualmente correto", disse.

*Com Reuters e AP

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