Secretário-geral diz que ao menos 40 mil soldados continuam na fronteira; Rússia discutirá crise ucraniana com os EUA e a UE

A Rússia deve retirar suas tropas da fronteira da Ucrânia se quiser iniciar um diálogo para discutir a crise na região, de acordo com o secretário-geral da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, Anders Fogh Rasmussen, nesta quinta-feira (10).

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O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, fala sobre o futuro da Aliança e sua revitalização em Washington, EUA (9/04)
AP
O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, fala sobre o futuro da Aliança e sua revitalização em Washington, EUA (9/04)


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Rasmussen afirmou, em uma entrevista à imprensa durante visita à capital da República Tcheca, membro da aliança militar, que qualquer outra ação militar da Rússia terá consequências graves e duras sanções econômicas.

O secretário-geral disse ainda que, segundo observações feitas pela Otan, a Rússia tem cerca de 40 mil militares perto da Ucrânia.

Ucrânia

O presidente em exercício ucraniano, Oleksandr Turchynov, prometeu nesta quinta que os ativistas pró-Rússia que ocupam prédios do governo nas cidades orientais de Donetsk e Luhansk não serão processados, caso entreguem suas armas.

Enquanto discursava no parlamento da Ucrânia em Kiev, Turchynov elogiou os ativistas em Luhansk, que começaram a negociar com as autoridades nacionais e encorajaram os rebeldes em Donetsk a seguir o exemplo.

Centenas de manifestantes armados pró-russos ocupam um prédios da administração do governo regional em Donetsk e do Serviço de Segurança da Ucrânia em Luhansk desde domingo (6). Eles exigiram um referendo sobre a autonomia ou mesmo a secessão das cidades pelas novas autoridades de Kiev, que tomaram o poder depois que o presidente pró-Kremlin Viktor Yanukovych fugiu do país em fevereiro, após ser deposto. Manifestantes também invadiram o prédio da administração regional em Kharkov.

As tensões ainda são altas em Donetsk, onde cerca de 1 mil manifestantes do lado de fora do prédio ocupado gritam "Rússia! Rússia!". Manifestantes ergueram ainda linhas de barricadas, acumulando pneus de borracha ou tijolos utilizados em construção de paredes e paralelepípedos.

Rússia

Já o governo russo condenou o secretário-geral por "zelosamente reproduzir retórica da Guerra Fria", enquanto como as tensões entre a aliança de 28 nações e Moscou fervem sobre a crise ucraniana. Em comunicado publicado nesta quinta, o Ministério das Relações Exteriores russo atacou Rasmussen, acusando-o de transformar a Otan em um "clube de elite" que empregava "padrões duplos" na política internacional.

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Em discurso realizado em Paris na última terça-feira (8), Rasmussen pediu que a Rússia retirasse suas dezenas de milhares de tropas na fronteira da Ucrânia.

De acordo com a Aliança, Moscou está usando as tropas para pressionar o governo de Kiev, além de se preparar para uma possível invasão. Em março, as tropas russas tomaram o controle da Criméia cujos habitantes, em seguida, escolheram se separar da Ucrânia e ser anexada à Rússia por meio de um referendo .

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Discutindo a crise

Rússia, Estados Unidos, Ucrânia e União Europeia vão se reunir na próxima quinta-feira (17) para tentar negociar um fim para a crise na Ucrânia, segundo diplomatas europeus.

A Rússia tem afirmado que quer mais informações sobre a agenda dessa reunião e, embora não haja de imediato mais detalhes sobre o encontro, diplomatas da União Europeia afirmam que está mantido.

A chefe de Relações Exteriores da UE, Catherine Ashton, vai prestar informações à maioria dos chanceleres do bloco na segunda-feira, disseram três diplomatas, que pediram anonimato.

"Nós precisamos manter o canal do diálogo aberto, mesmo se consideramos futuras sanções", disse um dos diplomatas. "A solução para a crise será por meio de negociações."

A Rússia, que desafiou a Ucrânia e o Ocidente ao anexar a Crimeia no mês passado, não quer ser forçada a participar de conversas com o governo interino ucraniano, devido ao papel que teve na deposição do ex-presidente Viktor Yanukovich, um aliado russo, o que Moscou chamou de um golpe armado, incentivado por países do Ocidente.

*Com Reuters e AP

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