Dívida ucraniana ameaça fluxo de gás para a Europa, alerta presidente russo

Por iG São Paulo |

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Ucrânia deve US$ 2,2 bilhões à Gazprom e deixou de pagar suas contas de março, num momento de forte tensão com Moscou

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, informou a vários líderes europeus sobre a "situação crítica" das dívidas ucranianas pela aquisição de gás natural, alertando para um possível impacto sobre o fluxo de gás da Rússia para a Europa, disseram agências russas de notícias nesta quinta-feira.

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AP
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, sorri durante encontro com ativistas da Frente Popular na residência de Novo-Ogaryovo, nos arredores de Moscou

Putin manifestou "extrema preocupação com a situação que cerca as dívidas ucranianas pelo gás e o suprimento de gás para a União Europeia", disse a agência estatal RIA, citando o porta-voz presidencial Dmitry Peskov.

A estatal Gazprom parou de enviar gás à Ucrânia durante disputas sobre o preço nos invernos de 2005/6 e 2008/9, o que levou à redução da oferta para os países europeus que recebem gás russo via dutos que cruzam a Ucrânia.

A Gazprom diz que a Ucrânia lhe deve US$ 2,2 bilhões e deixou de pagar suas contas de março, num momento de forte tensão entre os dois países por causa da anexação da Crimeia por Moscou.

Crítica à Otan

Também nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de usar a crise na Ucrânia para aumentar seu apelo junto aos membros e justificar sua existência, reunindo-os contra uma ameaça imaginária.

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A crise na Ucrânia colocou a Rússia e os países ocidentais em um disputa ao estilo da Guerra Fria, e o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, alertou Moscou para retirar suas tropas da fronteira com a Ucrânia se quiser evitar as consequências de uma ação da aliança.

Veja imagens da presença militar da Rússia na Crimeia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

O ministério russo disse que as declarações de Rasmussen são provocadoras e que, nos últimos meses, ele não ofereceu "qualquer agenda construtiva" para a crise da Ucrânia e que estaria aumentando a instabilidade na região.

Reação: Rússia acusa Otan de retomar discurso da Guerra Fria após suspensão de acordo

"As constantes acusações contra nós por parte do secretário-geral nos convence de que a aliança está tentando usar a crise na Ucrânia para reunir suas fileiras diante de uma ameaça externa imaginária aos membros da Otan e para fortalecer a demanda para a aliança no século 21", disse.

A Otan suspendeu toda a cooperação militar e civil com a Rússia, embora tenha dito que o diálogo político poderia continuar em nível de embaixador ou superior, desde que a Rússia incorporou a Crimeia no mês passado.

A aliança militar ocidental também tem limitado o acesso de diplomatas russos à sua sede e está revisando um acordo de 1997 de cooperação com a Rússia e a posterior declaração de Roma de 2002, que impede a criação de bases na Europa Central e Oriental.

A Rússia respondeu acusando a Otan de ter uma mentalidade da Guerra Fria e manifestou preocupação com a possibilidade do envio de tropas permanentes da aliança para a Europa Oriental.

*Com Reuters

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