Arsen Avakov diz que ativistas devem deixar prédios do governo por diplomacia ou violência; Rússia se reunirá com o ocidente

O ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, alertou nesta quarta-feira (9) que manifestantes separatistas pró-Rússia terão de deixar os prédios do governo ocupados nas cidades de Luhansk, Kharkiv e Donetsk, no leste do país, nas próximas 48h, ou enfrentarão o uso de forças armadas, caso as negociações fracassem.

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Ativistas pró-russos mostram bandeiras sobre a entrada do prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (8/04)
AP
Ativistas pró-russos mostram bandeiras sobre a entrada do prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (8/04)


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"Há duas opções: a política, de negociação, e a força", afirmou Avakov aos jornalistas durante reunião do governo. "Para aqueles que querem diálogo, nós propomos conversa e solução política. Para a minoria que quer conflito, eles terão uma resposta firme das autoridades ucranianas", continuou.

Mais cedo, pessoas que haviam sido mantidas reféns dentro de edifício de segurança do Estado em Luhansk foram libertados. De acordo com o Serviço de Segurança ucraniano, 56 foram soltos por rebeldes pró-Rússia. Eles estavam sendo mantidos no local desde domingo (6). Na terça-feira (8), os serviços de segurança disseram que o grupo no interior do edifício, armados com explosivos, haviam feito 60 reféns. 

Rebeldes ocuparam prédio do governo regional de Donetsk no domingo (6), assim como dos escritórios dos serviços de segurança na vizinha Luhansk, onde, segundo a polícia, pegaram armas. Manifestantes também invadiram o prédio da administração regional em Kharkov. Grupo separatista declarou Donetsk uma "república popular", pedindo referendo sobre a secessão da Ucrânia, a ser realizado no dia 11 de maio .

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A tomada de prédios nessas três cidades aconteceram há menos de um mês da anexação da Crimeia pela Rússia , em março, movimento realizado após referendo. Kiev e o Ocidente consideram a votação, onde a maioria dos habitantes é de etnia russa, ilegal.

Moscou tem milhares de soldados reunidos ao longo de sua fronteira com o leste da Ucrânia. Mas, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores Danylo Lubkivsky, durante conversa em programa de rádio da BBC, a situação estava "sob controle, mas continua perigosa".

Rússia e ocidente

Os Estados Unidos, a União Europeia, a Rússia e a Ucrânia se reunirão em nível ministerial na próxima semana para discutir a crise ucraniana, afirmou o bloco europeu na terça, oferecendo um vislumbre do possível progresso diplomático no conflito.

O encontro envolverá o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, e o chanceler da Ucrânia, Andriy Deshchytsia, segundo a UE.

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"(Catherine Ashton) segue com os esforços diplomáticos que pretendem reduzir a crise na Ucrânia. Neste contexto, ela se reunirá com chanceleres dos EUA, da Federação Russa e da Ucrânia na próxima semana", disse um porta-voz da chefe de política externa da UE.

Mais detalhes da reunião, que será realizada em um local não especificado na Europa, ainda estão sendo definidos, afirmou uma fonte da UE. Separadamente, um diplomata europeu afirmou que o bloco europeu prevê a criação de um grupo de apoio especial para ajudar a Ucrânia a estabilizar sua economia precária e sua situação política.

Em um telefonema na segunda-feira (7), Kerry e Lavrov discutiram a convocação de negociações diretas nos próximos 10 dias entre Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e União Europeia para aliviar as tensões, informou o Departamento de Estado norte-americano.

A confirmação da reunião pela UE aconteceu logo depois que Kerry acusou agentes russos e forças especiais de instigar tumultos separatistas no leste da Ucrânia, dizendo que Moscou poderia estar tentando se preparar para uma ação militar como aconteceu na Crimeia.

*Com BBC, AP e Reuters

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