Ucrânia dá ultimato de 48hs a grupos pró-Rússia e ameaça usar forças armadas

Por iG São Paulo |

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Arsen Avakov diz que ativistas devem deixar prédios do governo por diplomacia ou violência; Rússia se reunirá com o ocidente

O ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, alertou nesta quarta-feira (9) que manifestantes separatistas pró-Rússia terão de deixar os prédios do governo ocupados nas cidades de Luhansk, Kharkiv e Donetsk, no leste do país, nas próximas 48h, ou enfrentarão o uso de forças armadas, caso as negociações fracassem.

Ontem: Rússia alerta a Ucrânia que o uso de força pode provocar uma guerra civil

AP
Ativistas pró-russos mostram bandeiras sobre a entrada do prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (8/04)


Vídeo: Deputados na Ucrânia trocam socos e safanões

"Há duas opções: a política, de negociação, e a força", afirmou Avakov aos jornalistas durante reunião do governo. "Para aqueles que querem diálogo, nós propomos conversa e solução política. Para a minoria que quer conflito, eles terão uma resposta firme das autoridades ucranianas", continuou.

Mais cedo, pessoas que haviam sido mantidas reféns dentro de edifício de segurança do Estado em Luhansk foram libertados. De acordo com o Serviço de Segurança ucraniano, 56 foram soltos por rebeldes pró-Rússia. Eles estavam sendo mantidos no local desde domingo (6). Na terça-feira (8), os serviços de segurança disseram que o grupo no interior do edifício, armados com explosivos, haviam feito 60 reféns. 

Rebeldes ocuparam prédio do governo regional de Donetsk no domingo (6), assim como dos escritórios dos serviços de segurança na vizinha Luhansk, onde, segundo a polícia, pegaram armas. Manifestantes também invadiram o prédio da administração regional em Kharkov. Grupo separatista declarou Donetsk uma "república popular", pedindo referendo sobre a secessão da Ucrânia, a ser realizado no dia 11 de maio.

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A tomada de prédios nessas três cidades aconteceram há menos de um mês da anexação da Crimeia pela Rússia, em março, movimento realizado após referendo. Kiev e o Ocidente consideram a votação, onde a maioria dos habitantes é de etnia russa, ilegal.

Moscou tem milhares de soldados reunidos ao longo de sua fronteira com o leste da Ucrânia. Mas, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores Danylo Lubkivsky, durante conversa em programa de rádio da BBC, a situação estava "sob controle, mas continua perigosa".

Rússia e ocidente 

Os Estados Unidos, a União Europeia, a Rússia e a Ucrânia se reunirão em nível ministerial na próxima semana para discutir a crise ucraniana, afirmou o bloco europeu na terça, oferecendo um vislumbre do possível progresso diplomático no conflito.

O encontro envolverá o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, e o chanceler da Ucrânia, Andriy Deshchytsia, segundo a UE.

Confira fotos da ocupação russa na Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Domingo: Manifestantes pró-Rússia invadem prédio do governo no leste da Ucrânia

"(Catherine Ashton) segue com os esforços diplomáticos que pretendem reduzir a crise na Ucrânia. Neste contexto, ela se reunirá com chanceleres dos EUA, da Federação Russa e da Ucrânia na próxima semana", disse um porta-voz da chefe de política externa da UE.

Mais detalhes da reunião, que será realizada em um local não especificado na Europa, ainda estão sendo definidos, afirmou uma fonte da UE. Separadamente, um diplomata europeu afirmou que o bloco europeu prevê a criação de um grupo de apoio especial para ajudar a Ucrânia a estabilizar sua economia precária e sua situação política.

Em um telefonema na segunda-feira (7), Kerry e Lavrov discutiram a convocação de negociações diretas nos próximos 10 dias entre Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e União Europeia para aliviar as tensões, informou o Departamento de Estado norte-americano.

A confirmação da reunião pela UE aconteceu logo depois que Kerry acusou agentes russos e forças especiais de instigar tumultos separatistas no leste da Ucrânia, dizendo que Moscou poderia estar tentando se preparar para uma ação militar como aconteceu na Crimeia.

*Com BBC, AP e Reuters

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