Ministério das Relações Exteriores russo diz que recorrer ao Exército para conter ocupações só agravará a violência no país

A Rússia alertou a Ucrânia nesta terça-feira (8) que o uso de forças militares para retomar o controle dos prédios do governo das cidades de Donetsk, Luhansk e Kharkiv, ocupado por grupos separatistas pró-russos, pode culminar em uma guerra civil. 

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Manifestantes pró-russos se reúnem em uma barricada do lado de fora de prédio do governo regional em Donetsk, Ucrânia
Reuters
Manifestantes pró-russos se reúnem em uma barricada do lado de fora de prédio do governo regional em Donetsk, Ucrânia


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Em comunicado no site do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, o governo russo pediu para que o país desista dos preparativos militares para deter os manifestantes.

Rebeldes ocuparam prédio do governo regional de Donetsk no domingo (6), assim como dos escritórios dos serviços de segurança na vizinha Luhansk, onde, segundo a polícia, pegaram armas. Manifestantes também invadiram o prédio da administração regional em Kharkov. Grupo separatista declarou Donetsk uma "república popular", pedindo referendo sobre a secessão da Ucrânia, a ser realizado no dia 11 de maio .

Segundo o ministério, há relatos "preocupantes" de que os manifestantes estão enfrentando repressão por parte das autoridades ucranianas. "Estamos pedindo o fim imediato de quaisquer preparativos militares, o que poderia levar a uma guerra civil", disse comunicado no site oficial russo.

Autoridades alegaram que "especialistas americanos da organização militar privada Greystone", disfarçados de soldados, bem como militantes do grupo de extrema-direita ucraniano Setor Direito, haviam unido forças e preparavam repressão no leste da Ucrânia.

Ucrânia

Nesta terça, a Ucrânia lançou operação "antiterrorista" na cidade de Kharkiv, leste do país, e prendeu pelo menos 70 "separatistas" por invasão do edifício do governo regional, disse o ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov.

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Apesar do avanço em Kharkiv, manifestantes pró-Moscou se mantiveram firmes nas outras duas cidades onde os prédios do governo regional foram invadidos, no que Kiev afirma ser um plano liderado pela Rússia para desmembrar o país. O governo ucraniano espera que a situação seja normalizada nos edifícios de Luhansk e Donetsk em breve.

Em sua página no Facebook, Avakov afirmou que uma "operação antiterrorista foi lançada. O centro da cidade está bloqueado, assim como as estações de metrô. Não se preocupem. Uma vez terminada, vamos reabri-las".

O Ministério do Interior da Ucrânia afirmou que os detidos eram suspeitos de "atividade ilegal relacionada ao separatismo, à organização de distúrbios em massa, danos à saúde humana" e a violação de outras leis. As detenções foram feitas sem nenhum tiro, de acordo com Avakov. 

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A tomada de prédios nessas três cidades aconteceram há menos de um mês da anexação da Crimeia pela Rússia , em março, movimento realizado após referendo. Kiev e o Ocidente consideram a votação, onde a maioria dos habitantes é de etnia russa, ilegal.

Moscou tem milhares de soldados reunidos ao longo de sua fronteira com o leste da Ucrânia. Mas, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores Danylo Lubkivsky, durante conversa em programa de rádio da BBC, a situação estava "sob controle, mas continua perigosa".

O presidente interino Oleksandr Turchynov disse que vários policiais ucranianos acabaram feridos na operação e que o grupo que tomou os prédios seriam tratados como "terroristas e criminosos" e processados ​​com todo o rigor da lei.

Rebeldes ocupam prédios do governo regional da Donetsk desde a segunda-feira e declararam a cidade uma "república popular", pedindo o referendo para possível anexação à Rússia. Autoridades e os separatistas conversaram durante a noite. 

'Consequências graves'

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, alertou a Rússia também nesta terça que se o país voltar a violar o leste da Ucrânia haverá "consequências graves" para sua relação com a aliança.

"Se a Rússia for intervir mais na Ucrânia será um erro histórico", disse Rasmussen em coletiva em Paris. "Isso teria graves consequências para nossa relação com a Rússia e isolaria ainda mais a Rússia internacionalmente."

O governo da Ucrânia afirma que a invasão de prédios públicos no leste ucraniano, coração industrial do país e onde a maioria da população é russófona, repete os acontecimentos na Crimeia, uma península no mar Negro que foi anexada por Moscou no mês passado.

*Com BBC, Reuters e AP

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