Reunião preparatória foi proposta por chanceleres da Unasul, que voltaram ao país nesta semana. Protestos mataram 39

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Representantes do governo socialista de Nicolás Maduro e da oposição venezuelana se reunirão nesta terça-feira para estabelecer as condições de um diálogo com o qual buscam pôr fim a dois meses dos piores protestos em mais de uma década no país, grande produtor de petróleo.

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Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4)
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Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4)

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Desde o início de fevereiro milhares de opositores do governo de Maduro vêm saindo às ruas das principais cidades da Venezuela para protestar contra a elevada inflação, o desabastecimento de produtos básicos e a persistente criminalidade.

Os violentos protestos deixaram 39 mortos e centenas de feridos e, apesar de a forte repressão das forças de segurança ter sufocado focos de manifestações, ainda há opositores arrojados, na maioria estudantes universitários, em Caracas e nas cidades mais povoadas do país.

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A onda de protestos acendeu o alarme na região, motivo pelo qual uma comissão de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) voltou ao país nesta semana com pedidos de "diálogo" e disposta a mediar a crise.

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"Os chanceleres sul-americanos nos informaram, depois de reunir-se com o governo, que esse diálogo está aberto aos nossos pontos da agenda e nos diriam quais são os seus", disse nesta terça-feira Ramón Aveledo, secretário-executivo da Mesa da Unidade (MUD), coalizão que agrupa os partidos da oposição.

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"Aceitamos a proposição dos chanceleres de realizar uma reunião preparatória de exploração a fim de estabelecer as condições para um encontro público de diálogo", acrescentou.

Minutos mais tarde, o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, anunciou que o governo e a oposição se reuniriam na tarde desta terça-feira para aplanar o caminho para um encontro que ponha fim aos protestos contra o sucessor do presidente Hugo Chávez, morto em 5 de março do ano passado.

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Apesar das boas intenções, a oposição permanecia firme em suas condições para iniciar o diálogo, entre as quais a transmissão das reuniões ao vivo, uma anistia para as pessoas que denomina de "presos políticos", renovação equilibrada dos poderes públicos e desarmamento dos grupos leais ao governo.

Maduro disse que a oposição quer destituí-lo, seguindo o mesmo roteiro do golpe de Estado que afastou brevemente Chávez do poder em 2002. No entanto, a oposição garante que quer uma mudança de governo por via eleitoral, através de um referendo revogatório, permitido pela Constituição a partir de 2016.

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