Governo da Venezuela se reunirá com oposição para discutir crise política

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Reunião preparatória foi proposta por chanceleres da Unasul, que voltaram ao país nesta semana. Protestos mataram 39

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Representantes do governo socialista de Nicolás Maduro e da oposição venezuelana se reunirão nesta terça-feira para estabelecer as condições de um diálogo com o qual buscam pôr fim a dois meses dos piores protestos em mais de uma década no país, grande produtor de petróleo.

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Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4)

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Desde o início de fevereiro milhares de opositores do governo de Maduro vêm saindo às ruas das principais cidades da Venezuela para protestar contra a elevada inflação, o desabastecimento de produtos básicos e a persistente criminalidade.

Os violentos protestos deixaram 39 mortos e centenas de feridos e, apesar de a forte repressão das forças de segurança ter sufocado focos de manifestações, ainda há opositores arrojados, na maioria estudantes universitários, em Caracas e nas cidades mais povoadas do país.

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A onda de protestos acendeu o alarme na região, motivo pelo qual uma comissão de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) voltou ao país nesta semana com pedidos de "diálogo" e disposta a mediar a crise.

Veja imagens dos protestos na Venezuela:

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

"Os chanceleres sul-americanos nos informaram, depois de reunir-se com o governo, que esse diálogo está aberto aos nossos pontos da agenda e nos diriam quais são os seus", disse nesta terça-feira Ramón Aveledo, secretário-executivo da Mesa da Unidade (MUD), coalizão que agrupa os partidos da oposição.

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"Aceitamos a proposição dos chanceleres de realizar uma reunião preparatória de exploração a fim de estabelecer as condições para um encontro público de diálogo", acrescentou.

Minutos mais tarde, o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, anunciou que o governo e a oposição se reuniriam na tarde desta terça-feira para aplanar o caminho para um encontro que ponha fim aos protestos contra o sucessor do presidente Hugo Chávez, morto em 5 de março do ano passado.

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Apesar das boas intenções, a oposição permanecia firme em suas condições para iniciar o diálogo, entre as quais a transmissão das reuniões ao vivo, uma anistia para as pessoas que denomina de "presos políticos", renovação equilibrada dos poderes públicos e desarmamento dos grupos leais ao governo.

Maduro disse que a oposição quer destituí-lo, seguindo o mesmo roteiro do golpe de Estado que afastou brevemente Chávez do poder em 2002. No entanto, a oposição garante que quer uma mudança de governo por via eleitoral, através de um referendo revogatório, permitido pela Constituição a partir de 2016.

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