Rússia tenta desmembrar a Ucrânia com protestos, acusa governo em Kiev

Por iG São Paulo |

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Declaração é feita após invasão de prédios do governo em três cidades e convocação de referendo separatista em Donetsk

O presidente interino da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, acusou a Rússia nesta segunda-feira de tentar "desmembrar o país" e de realizar uma repetição da Crimeia, que foi anexada por Moscou no mês passado, depois que cerca de 120 manifestantes pró-Rússia autoproclamaram uma Assembleia Legislativa em Donetsk e anunciaram a realização de um referendo separatista em 11 de maio.

Donetsk: Ativistas pró-Rússia proclamam república separatista em cidade da Ucrânia

AP
Ativistas preparam barricada dentro de administração regional em Donetsk, Ucrânia

Domingo: Manifestantes pró-Rússia invadem prédio do governo no leste da Ucrânia

Em uma mensagem televisionada, Turchynov disse que a Rússia começou uma segunda onda de uma operação especial para tentar destituir o governo em Kiev. "Inimigos da Ucrânia tentam criar um cenário da Crimeia, mas não deixaremos isso acontecer", disse em um discurso gravado, acusando "grupos separatistas coordenados com os serviços especiais russo" de estar por trás da invasão de prédios públicos em várias cidades do leste da Ucrânia. Ele acrescentou que "medidas antiterroristas" serão tomadas contra aqueles que pegarem em armas.

Os manifestantes entraram no prédio da administração regional na cidade de mineração de Donetsk no domingo, assim como dos escritórios dos serviços de segurança na vizinha Luhansk, onde, segundo a polícia, pegaram armas. Manifestantes também invadiram o prédio da administração regional em Kharkov. Na cidade, o ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov, disse em sua página do Facebook nesta segunda que o prédio foi liberado e que os funcionários públicos retornaram ao trabalho. Todas as três cidades localizam-se perto da fronteira da Ucrânia com a Rússia.

Em Donetsk, uma Assembleia Legislativa que disse representar o que chamou de República do Povo de Donestsk anunciou que o referendo de 11 de maio definirá se a cidade deve aderir à Rússia, segundo a agência estatal russa ITAR-Tass reported. A informação não pôde ser confirmada de forma independente. De acordo com a agência russa, o grupo pró-russo de Donetsk pediu ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, para enviar "um contingente temporário de forças de paz".

Veja imagens da presença russa na Ucrânia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Um homem não identificado leu "o ato da proclamação de um Estado independente, a República do Povo de Donetsk " diante de uma bandeira russa. "No caso de uma ação agressiva das autoridades ilegítimas de Kiev, vamos apelar para a Federação Russa trazer um contingente de paz", declarou. Ativistas leram o texto mais tarde para uma multidão de cerca de 1 mil pessoas fora do prédio.

Dia 2: Presidente deposto da Ucrânia diz que errou ao convidar tropas russas à Crimeia

O leste da Ucrânia, que em sua maioria fala russo, tem tido um aumento de tensões desde que um novo governo pró-Europa assumiu o controle de Kiev depois de destituir o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych em fevereiro. Donetsk, cidade natal de Yanukovych, tem sido palco de várias manifestações pró-Moscou nas últimas semanas.

"É absolutamente claro de que há a percepção de planos para desestabilizar a situação. O plano é para que tropas estrangeiras cruzem a fronteira e capturem o território do país", disse o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk. "Não permitiremos isso."

Em 1º de março, Putin anunciou que Moscou tinha o direito de proteger os cidadãos de língua russa na Ucrânia, após a queda de Yanukovych, criando o maior confronto entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria. Os EUA e a União Europeia impuseram sanções financeiras leves.

Diferentemente da Crimeia, onde os russos étnicos formam uma maioria, a maioria das pessoas no leste e sul são ucranianas, mas falam o russo como primeira língua. Empresários influentes em regiões orientais estão apoiando o governo em Kiev, e os conflitos vão testar sua capacidade de exercer o controle.

*Com AP e Reuters

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