Manifestantes pretendem realizar referendo no dia 11 de maio. Ação ocorre há menos de um mês após a anexação da Crimeia

Manifestantes separatistas pró-Rússia que tomaram o prédio da administração regional na cidade de Donetsk, ao leste da Ucrânia, no domingo (6), proclamaram a região uma república independente nesta segunda-feira (7) e pretendem realizar referendo para decidir se a região deve ser anexada ao governo russo no dia 11 de maio, segundo a agência de notícias estatal russa ITAR-Tass.

Ontem: Manifestantes pró-Rússia invadem prédio do governo no leste da Ucrânia

Ativistas pró-russos com bandeiras da Rússia invadem escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk, Ucrânia (6/04)
AP
Ativistas pró-russos com bandeiras da Rússia invadem escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk, Ucrânia (6/04)


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De acordo com repórter da Reuters, um homem não identificado disse que os manifestantes pedirão ainda que a Rússia envie um "contingente de tropas de paz" no caso de ação agressiva por parte das autoridades "ilegítimas" de Kiev, capital ucraniana. O grupo representa o que eles chamam de República Popular de Donetsk.

Donetsk 

Aproximadamente 1,5 mil manifestantes pró-Rússia invadiram prédio do governo regional no domingo e içaram a bandeira russa no segundo andar do local, em Donetsk, bem como escritórios de serviços de segurança nas proximidades de Luhansk, onde a polícia disse ter apreendido armas.

O leste da Ucrânia manteve-se como o centro das tensões entre Ucrânia e Rússia após o ex-presidente Viktor Yanukovych ter sido deposto , em fevereiro, após onda de protestos que culminou em r eferendo pela anexação da Criméia à Rússia. A anexação , decidida nas urnas, foi considerada ilegítima pela Ucrânia e pelas nações ocidentais .

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Na ocasião, a polícia estava negociando com os manifestantes, que pediram para os adeptos do movimento se reunirem ao redor do edifício da Administração de Segurança Regional de Donetsk, a cerca de 200 km da fronteira com a Rússia.

A população de Donetsk, cuja maioria fala a língua russa, viu a tensão aumentar após a deposição do ex-chefe de estado e da instalação de um governo pró-Europa em Kiev. Repórter da Reuters disse que cerca de 500 policiais assistiam ao protesto sem inteferir. Os manifestantes também tomaram prédio administrativo regional em Kharkov.

O ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, que estava na cidade no domingo, disse em sua página no Facebook nesta segunda que os ativistas haviam saído do edifício e que os funcionários públicos já haviam voltado ao trabalho. Todas as três cidades - Donetsk, Kharvov e Luhansk - estão situadas perto da fronteira da Ucrânia com a Rússia.

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"É absolutamente claro que há uma concepção anti-ucraniana, anti-Donetsk, anti-Luhansk e anti-Kharkov cujo objetivo é desestabilizar a situação. O plano é que tropas estrangeiras atravessem a fronteira e capturem o território da Ucrânia", de acordo com o primeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk. "Nós não vamos permitir isso."

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Reação

No domingo, o ministro do Interior acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás da tomada de prédios estatais e prometeu que a polícia vai restaurar a ordem de forma pacífica. Ele também acusou o presidente deposto da Ucrânia de conspirar com Putin para alimentar tensões na região.

"Putin e Yanukovych ordenaram e pagaram pela última onda de desordem separatista no leste do país. As pessoas que se reuniram não são muitas mas são bastante agressivas", disse Avakov em comunicado por meio de sua página no Facebook.

"A situação voltará a ficar sob controle sem derramamento de sangue. Essa é a ordem para agentes da lei. Mas a verdade é que ninguém vai tolerar pacificamente a ilegalidade dos provocadores", afirmou ele.

Morte

Um soldado russo matou a tiros um oficial da Marinha ucraniana na Crimeia, informou o Ministério da Defesa da Ucrânia nesta segunda. Essa é a segunda morte de um ucraniano desde que a Rússia tomou o controle da península no mar Negro. O presidente da Rússia tem exaltado a ação do exército praticamente sem violência na tomada da Crimeia depois que a população local decidiu se juntar à Rússia.

"Um fuzileiro russo matou um oficial desarmado. Ele matou o major com dois tiros", disse o porta-voz da Marinha ucraniana Vladislav Seleznyov.

A primeira morte de que se teve notícia na Crimeia após a invasão russa aconteceu em Simferopol, quando um homem armado desconhecido matou um oficial ucraniano enquanto ele estava operando uma torre em uma base.

*Com CNN, AP e Reuters

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