Venezuela acusa o líder da oposição, Leopoldo López, por quatro crimes

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Entre eles está o de formação de quadrilha. López pode ficar 14 anos detido. Partidários preparam protestos para esta sexta (4)

A procuradora-geral da república da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, acusou formalmente o líder da oposição Leopoldo López, que já está preso, por vários crimes, inclusive o de formação de quadrilha, nesta sexta-feira (4).

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AP
Partidários do líder da oposição Leopoldo Lopez se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03)


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"O cidadão Leopoldo López Mendoza, economista, foi acusado pelos delitos de instigação pública, danos à propriedade e incêndio em grau de determinador (autor intelectual), além de formação de quadrilha",afirmou ela em coletiva de imprensa. As informações foram apresentadas um dia antes do prazo final para formalizar acusação e manter Lopez sob custódia do Estado.

Líder do partido opositor ao governo de Nicolás Maduro, Vontade Popular, López fez uma rendição dramática às autoridades no dia 18 de fevereiro, enquanto era cercado por milhares de simpatizantes. Confrontos durante as sete semanas de manifestações no país deixaram pelo menos 35 mortos.

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O líder da oposição passou o último mês e meio na prisão militar Ramo Verde, que fica nos arredores de Caracas. Caso seja condenado, ele pode pegar até 14 anos de prisão. Partidários estão se preparando para novas manifestações nesta sexta, exigindo a liberdade do político. De acordo com críticos à administração de Maduro, o carismático líder conservador está sendo mantido preso sob acusações inventadas.

Cassação

A deputada María Corina Machado, que se transformou no rosto internacionalmente mais visível da oposição venezuelana em meio à crise, foi cassada no dia 25 de março em um procedimento polêmico que a tirou do Parlamento de forma definitiva sem nem mesmo uma acusação judicial registrada contra a oposicionista.

A imunidade de Machado não foi cancelada antes da cassação e a oposição qualificou a medida de inconstitucional. O presidente da Assembleia Nacional, o governista Diosdado Cabello, justificou a medida argumentando que Machado aceitou um cargo temporário de um governo "hostil", do Panamá, que convidou a deputada a falar como parte de sua delegação em uma reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Confira fotos das manifestações venezuelanas

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

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Onda de violência

O presidente da Venezuela afirmou que os protestos de fevereiro causaram danos de 10 bilhões de dólares (cerca de R$ 23 bilhões) à Venezuela, e acusou seus adversários de realizarem atos terroristas para sabotar bens públicos.

Maduro não disse como o governo chegou a esse valor total, em relação aos confrontos entre manifestantes, que bloquearam estradas, radicais pró-governo e forças de segurança, que resultaram nas mortes de pelo menos 31 pessoas.

"A minoria que quer um golpe causou muitos danos ao país... eles incendiaram uma universidade pública, onde centenas de jovens estudavam", disse ele em um discurso transmitido em rede nacional de TV. "Isso não é um protesto. É vandalismo. É terrorismo."

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Maduro estava falando de um colégio militar afiliado às tropas do exército venezuelano, que as autoridades dizem que foi incendiado pelos manifestantes na cidade de San Cristobal, perto da fronteira com a Colômbia.

Sobre as vítimas desde o dia 12 de fevereiro no país, Luisa informou que há 39 mortes até o momento e 608 feridos - 414 eram civis e 194 agentes de polícia militar. "Dos mortos, 31 são civis, oito são da polícia e do exército e um funcionário do MP", declarou ela.

*Com El Universal, AP, BBC e Reuters

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