Kerry ameaça deixar negociações de paz no Oriente Médio

Por iG São Paulo |

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Secretário de Estado diz que os EUA reavaliarão seu papel nas negociações de paz entre palestinos e israelenses, nesta sexta

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse nesta sexta-feira (4) que os Estados Unidos estão reavaliando seu papel nas negociações de paz no Oriente Médio, depois que israelenses e palestinos tomaram passos que não ajudaram nas negociações.

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AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry fala com jornalistas durante coletiva de imprensa no Marrocos


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Em visita ao Marrocos, ele disse ser "hora de checar a realidade" e que há um limite de tempo para os Estados Unidos gastarem no processo de paz, caso as partes propriamente ditas não tomarem medidas construtivas.

"Esse não é um esforço sem fim, nunca foi. É hora de checar a realidade, e nós pretendemos avaliar precisamente quais serão os próximos passos", disse Kerry.

Visivelmente pessimista, Kerry - que passou a maior parte de seu mandato de 14 meses como principal diplomata dos Estados Unidos na tentativa de persuadir as partes envolvidas nas negociações - deixou claro que sua paciência estava perto de se esgotar. Ele disse que era hora de um "choque de realidade".

"É lamentável que, nos últimos dias, ambos os lados tenham tomado medidas que não são úteis [para o processo de paz] e isso é evidente para todo mundo", afirmou.

Durante conversa com os jornalistas em Rabat antes de viajar a Casablanca para se reunir com o rei de Marrocos, o Secretário observou que há outras questões urgentes, como as crises na Ucrânia e na Síria, bem como as negociações nucleares do Irã, que exigem atenção.

Kerry tem sido o protagonista do esforço dos EUA em formalizar um acordo para acabar com o conflito. O fim das negociações seria uma grande decepção para Kerry e poderia ser visto como um fracasso da política externa da administração do presidente Obama.

"Eles dizem que querem continuar", disse Kerry sobre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas. "Mas nós não vamos sentar com eles indefinidamente. Este não é um esforço em aberto. É hora verificação da realidade."

Resumo da semana

Após o encontro com o presidente palestino Mahmud Abbas na semana passada, na Jordânia, Kerry voou para Israel na segunda (31 de março) para se reunir com primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em uma última tentativa de manter as negociações.

Ele então voou a Bruxelas para participar de uma reunião da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, sobre a Ucrânia na terça (1), mas que pretendia voltar para o Oriente Médio na quarta (2) e se encontrar novamente com Abbas. Esse plano foi cancelado quando Abbas dizer, na terça, que haveria retaliação por Israel ter se recusado a libertar prisioneiros. Na quinta Israel cancelou oficialmente a libertação de prisioneiros, colocando o processo de paz em dúvida.

Os EUA têm apoiado os palestinos, mas argumentou que eles deveriam tomar essa atitude por meio do processo de paz, e não por ações unilaterais.

Kerry disse que voltaria aos EUA nesta sexta e consultaria o presidente Barack Obama e outros assessores da segurança nacional sobre como proceder. Mas seus comentários sinalizaram que tanto ele quanto sua equipe dariam um passo para trás sobre o processo de paz a fim de testar as intenções dos povos israelenses e palestinos. Abbas e Netanyahu devem liderar e fazer concessões difíceis para as negociações terem uma chance de sucesso, de acordo com Kerry.

"Os líderes têm de tomar essas decisões", afirmou ele.

*Com Reuters e AP

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