Documento alega que policiais foram autorizados a alvejar manifestantes de Kiev. Mais de cem foram mortos nos protestos

O presidente ucraniano deposto Viktor Yanukovych, durante entrevista à Associated Press, na Rússia (2/03)
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O presidente ucraniano deposto Viktor Yanukovych, durante entrevista à Associated Press, na Rússia (2/03)

O governo de Viktor Yanukovych autorizou a polícia a usar franco-atiradores contra dezenas de manifestantes em fevereiro, durante onda de protestos em Kiev, diz inquérito do governo ucraniano divulgado nesta quinta-feira (3).

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Para o ministro do Interior, Arsen Avakov, e o procurador-geral Oleh Makhnitsky, 12 membros da polícia haviam sido identificados como atiradores e três deles já haviam sido presos.

Avakov apresentou documento do qual ele afirma ser uma evidência sobre a autoria dos tiroteios de 18 a 20 de fevereiro, quando ao menos 76 foram mortos. 

A identidade dos atiradores que podem ter sido responsáveis pelas mortes é motivo de amargas controvérsias. O governo interino da Ucrânia acusa Yanukovych de ter ordenado a implantação de atiradores - acusação negada pelo presidente deposto durante sua entrevista à Associated Press, na quarta-feira (2). 

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Sabe-se que mais de 100 foram mortos durante a onda de violência na Ucrânia, que começou em novembro e acabou levando o ex-presidente a deposição . Ele buscou asilo político na Rússia, onde está até o momento. Enquanto isso, a Rússia - que apoiou Yanukovych - anexou no mês passado a Crimeia, localizada ao sul da Ucrânia, na sequência de um referendo controverso definido como ilegal por Kiev e nações ocidentais.

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'Estava errado'

Em sua entrevista com à AP , Yanukovych afirmou que "estava errado" ao convidar tropas russas para ocupar a Criméia, que foi rapidamente anexada por Moscou na sequência de um referendo onde a união com a Rússia foi apoiada por 97% da população que foi às urnas. 

Desde então, líderes do governo ucraniano e países ocidentais demonstraram publicamente sua preocupação sobre o recente acúmulo de forças russas perto da fronteira com a Ucrânia. O presidente Vladimir Putin disse a chanceler alemã Angela Merkel, na semana passada, que as tropas estavam na região para exercícios militares e que um batalhão havia sido retirado do local. 

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Yanukovych, durante sua conversa com a AP e à televisão russa NTV, não respondeu a várias perguntas sobre seu possível apoio a qualquer movimentação da Rússia em outras áreas da Ucrânia, sob o pretexto de proteger a população de etnia russa.

Sobre a anexação, o ex-presidente disse que "A Crimeia é uma tragédia, uma grande tragédia", insistindo que a tomada de controle da área não teria acontecido se ele tivesse permanecido no poder. Ele fugiu da Ucrânia em fevereiro, depois de três meses de protestos contrários à corrupção e à sua decisão de buscar laços mais próximos com a Rússia em vez da União Europeia (UE).

Embora dificilmente espera-se que a Rússia recue de sua anexação, a declaração de Yanukovych poderia ampliar as opções de Putin nas negociações para apaziguar a crise na Ucrânia ao criar a impressão de que Moscou poderia estar aberto a discussões sobre o status da Crimeia no futuro.

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Yanukovych relatou que falou duas vezes por telefone com Putin e uma vez pessoalmente desde que chegou à Rússia — descrevendo suas conversas como "difíceis" — e que espera ter mais encontros com o líder russo para negociar a devolução da Crimeia à Ucrânia. "Devemos buscar formas para que a Crimeia tenha o máximo grau de independência possível, mas seja parte da Ucrânia", afirmou.

Nesta quinta, o chanceler russo Sergey Lavrov ofereceu mais garantias, dizendo a repórteres que as tropas russas "vai voltar para o lugar de seus quartéis permanentes assim que outros participantes do exercício completarem suas obrigações."

Lavrov, no entanto, criticou as acusações contra o governo russo, acrescentando que seu país não violou quaisquer normas internacionais ao enviar tropas para suas próprias fronteiras.

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Segundo o general Philip M. Breedlove, que comanda todas as forças da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Rússia tem 40 mil soldados ao longo da fronteira com a vizinha Ucrânia e os militares podem atacar por terra e ar sem aviso prévio.

*Com AP e BBC

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