Medida, que é um golpe a esforço de paz mediado pelos EUA, é tomada em reação ao pedido de adesão palestino a 15 agências

Israel cancalou nesta quinta-feira de forma abrupta a libertação de presos palestinos, fazendo os problemáticos esforços de paz do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, ficarem em uma situação ainda pior.

Dia 1: Kerry cancela visita a líder palestino após pedido de adesão a agências da ONU

Prisioneiro palestino recém-libertado abraça parente ao chegar à cidade de Ramallah, Cisjordânia, na madrugada de 14/8/2013
Reuters
Prisioneiro palestino recém-libertado abraça parente ao chegar à cidade de Ramallah, Cisjordânia, na madrugada de 14/8/2013

2013: Israel e palestinos estabelecem prazo de nove meses para alcançar acordo

O anúncio israelense, feito em reação a um renovado impulso palestino pela entrada em agências da ONU , aprofundou a crise nas negociações de paz lideradas pelos EUA e tornou uma possibilidade mais distante o objetivo de Kerry de estender o diálogo para além do prazo de final de abril.

A chefe negociadora de Israel, Tzipi Livni, disse que a decisão dos palestinos de buscar a acesso a 15 convenções internacionais por meio da ONU viola os termos da prometida soltura dos presos, que teria sido a quarta desde que as negociações foram retomadas. Os palestinos submeteram seus pedidos de adesão depois que Israel fracassou em realizar a libertação, como prometido, até o fim de março. Israel cumpriou as três primeiras libertações, mas suspendeu a última por não ter garantias de que os palestinos estenderiam as negociações.

"Novas condições foram estabelecidas, e Israel não pode libertar o quarto grupo de prisioneiros", disse Livni em uma declaração.

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Em Washington, o porta-voz da Casa Branca Jay Carney disse que a medida de Israel "cria problemas", mas que os esforços de mediação dos EUA para aproximar os dois lados ainda estão em andamento.

"Nenhum dos lados indicou que quer abandonar as negociações", disse Carney. "Apesar do fato de que houve algum progresso, ainda há um distanciamento, e os israelenses e palestinos devem decidir se adotarão os passos necessários para acabar com ele", acrescentou. "Os EUA não podem impor um acordo para os dois lados."

Ao lado do negociador-chefe Saeb Erekat, presidente palestino, Mahmud Abbas (D), assina pedido de adesão a agências da ONU na cidade cisjordana de Ramallah (1/4)
AP
Ao lado do negociador-chefe Saeb Erekat, presidente palestino, Mahmud Abbas (D), assina pedido de adesão a agências da ONU na cidade cisjordana de Ramallah (1/4)

No início desta quinta, um frustrado Kerry exortou os líderes de ambos os lados a "liderar" e fazê-lo com o objetivo de evitar o colapso das negociações. Kerry falou que esse era um "momento crítico" para o processo de paz e prometeu continuar seus esforços "de qualquer forma". Mas acrescentou que há limites ao que o governo Obama pode fazer para pressionar os lados, afirmando que seria uma "tragédia" se as negociações fracassassem.

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Sob forte pressão de Kerry, Israel e os palestinos retomaram as negociações de paz em julho, concordando em um período de discussão de nove meses com o objetivo de alcançar um acordo final de paz. Com poucos resultados para seus esforços, Kerry agora tenta alcançar um acordo de princípios mais modesto, com a esperança de estender o prazo de 29 de abril das negociações para o fim deste ano para completar um pacto.

Sob a fórmula original do diálogo, Israel prometeu libertar 104 prisioneiros palestinos há muito tempo na prisão em quatro grupos, enquanto os palestinos paralisaram sua campanha de adesão às agências da ONU.

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Depois que os palestinos conseguiram ser aceitos como um Estado não membro pela Assembleia Geral da ONU em 2012 , ficaram qualificados para integrar dezenas de agências internacionais. Israel diz que a entrada nesses órgãos é uma tentativa de burlar as negociações. Também teme que os palestinos usarão seu status recém-conquistado para pressionar por uma agenda anti-Israel.

Os palestinos dizem que a libertação já estava prometida e não deveria ser relacionada a outras questões. Autoridades dos EUA também afirmaram que era esperado que Israel cumprisse a libertação.

*Com AP

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