EUA investigam ataque à base de Fort Hood; atirador buscou tratamento mental

Por iG São Paulo |

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Veterano não entrou em combate nos 4 meses no Iraque, mas buscou ajuda contra depressão, ansiedade e outros problemas

Um veterano da Guerra do Iraque sob tratamento de uma doença mental abriu fogo em Fort Hood, Texas, deixando três mortos e 16 feridos antes de cometer suicídio, em um ataque na mesma base do Texas onde um atirador deixou 13 mortos em 2009, disseram autoridades.

Quarta: Tiroteio mata quatro, incluindo atirador, em base militar de Fort Hood, no Texas

AP
Seguranças verificam veículas enquanto entram no principal portãod e base de Fort Hood, no Texas

Reação: Obama se diz 'inconsolável' após a morte de quatro militares no Texas

Horas depois do ataque de quarta, os investigadores começaram a pesquisar se a experiência de guerra do homem causou um trauma psicológico. O oficial graduado de Fort Hood, general Mark Milley, disse que o atirador buscou ajuda contra depressão, ansiedade e outros problemas.

Em testemunho nesta quinta-feira à Comissão de Serviços Armados do Senado, o principal oficial civil do Exército americano, o secretário do Exército John McHugh, disse que o soldado identificado por outros como Ivan Lopez foi enviado para os meses finais da Guerra do Iraque, mas não viu nenhum combate.

Lopez foi identificado pelo deputado do Texas Michael McCaul, presidente da Comissão de Segurança Interna da Câmara. Mas o congressista não ofereceu mais nenhum outro detalhe, e o Exército recusou-se a identificar o atirador até que os membros de sua família tenham sido notificados.

Segundo McHugh, não parece que o soldado tem conexões com grupos extremistas. Lopez se alistou no Exército em junho de 2008 como homem da infantaria e mais tarde mudou sua especialidade para motorista de caminhão, emprego que tinha no Iraque.

Agosto: Atirador de massacre de Fort Hood é sentenciado à pena de morte nos EUA

Lucy Hamlin segura pé do marido, o militar Timothy Hamlin, enquanto aguardam permissão para voltar a Fort Hood, Texas, onde moram (2/4)
. Foto: APGeneral Mark Milley fala com a mídia do lado de fora de uma entrada para a base militar de Fort Hood após tiroteio, no Texas, EUA (2/3). Foto: ReutersPolicial verifica documentos de motorista fora do portão principal de Fort Hood, Texas (2/4). Foto: APKrystina Cassidy e Dianna Simpson tentam fazer contato com seus maridos dentro de Fort Hood do lado de fora do Portão Bernie Beck em Fort Hood, Texas (2/4). Foto: APPolicial para carro em Fort Hood, Texas, após incidente com tiros na base americana (2/4). Foto: APSecretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, recebe informações atualizadas sobre incidente com tiros na base de Fort Hood, Texas (2/4). Foto: AP

Também de acordo com o secretário do Exército, o soldado foi examinado por um psiquiatra no mês passado e não mostrou nenhuma tendência violenta ou suicida. Ao soldado, disse, foi prescrito Ambien por causa de um problema para dormir. Segundo uma autoridade graduada da base identificada como Milley pela Associated Press, o atirador serviu no Iraque durante quatro meses em 2011 e estava sob análise antes do ataque para verificar se tinha estresse pós-traumático.

Entre o que os investigadores planejam explorar estão as possibilidades de que uma briga ou discussão na base tenham desatado o ataque. "Temos de encontrar todas aquelas testemunhas e descobrir quais foram suas ações e o que foi dito às vítimas", disse um oficial federal que falou sob condição de anonimato.

Segundo ele, as autoridades começariam conversando com a mulher do homem, e há expectativa de que façam buscas em sua casa e em quaisquer computadores de sua propriedade.

Aparentemente o suspeito entrou no prédio na tarde de quarta-feira e começou a disparar com uma pistola calibre 45 semiautomática. Ele então entrou em um veículo e continuou disparando antes de entrar em outro prédio. Em certo ponto, o suspeito foi confrontado por um policial militar em um estacionamento, de acordo Milley.

Quando estava a seis metros de um oficial, o atirador pôs suas mãos para cima e então puxou uma arma sob sua jaqueta. Uma oficial puxou sua própria arma, e então o suspeito pôs a arma na cabeça e puxou o gatilho uma útima vez, relatou Milley.

O suspeito chegou a Fort Hood em fevereiro vindo de outra base no Texas. Sem dar muitos detalhes, Milley afirmou que, após voltar do Iraque, o atirador reclamava de ter sofrido um ferimento traumático no cérebro. A arma usada no ataque foi comprada recentemente em uma área local e nunca foi registrada dentro da base.

AP
Secretário do Exército John M. McHugh (E), acompanhado pelo chefe do Exército Raymond Odierno, pausa durante testemunha no Congresso dos EUA, em Washington

Lopez era do território americano de Porto Rico e entrou para a Guarda Nacional da ilha em 1999. Ele foi para uma missão de paz e segurança na egípcia Península do Sinai em meados dos anos 2000 e deixou a Guarda Nacional em 2010 para alistar-se no Exército, disse Ruth Diaz, porta-voz da Guarda Nacional de Porto Rico.

Massacre de 2009

Em 5 de novembro de 2009, o ataque lançado a tiros pelo major do Exército Nidal Malik Hasan deixou 13 mortos e 32 feridos, na ação mais mortal contra uma instalação militar americana na história dos EUA.

Ele disparou contra soldados que esperavam para ser vacinados ou preenchiam documentos em um lotado centro de processamento depois de recentemente voltar de missões no exterior ou enquanto se preparavam para embarcar para o Afeganistão e o Iraque. Os promotores argumentaram que a radicalização progressiva do muçulmano nascido nos EUA levou ao massacre na base.

Há informações de que Hasan escolheu aquele dia para o ataque por ser quando as unidades que ele estava programado para enviar ao Afeganistão passariam pelo centro de processamento.

De acordo com testemunhas, Hasan entrou no local com duas armas e várias munições, gritou "Allahu Akbar!" — "Deus é grande", em árabe — e abriu fogo. Também segundo as testemunhas, ele teve como alvo soldados que caminhavam pelo prédio, deixando poças de sangue, munições vazias e militares morrendo no chão.

O ataque acabou quando Hasan foi atingido nas costas por policiais de Fort Hood que estavam fora do prédio, ferimento que o deixou paralítico. Atualmente o ex-psiquiatra do Exército está no corredor da morte após ter sido condenado por assassinato premeditado. Um júri militar recomendou que Hasan fosse punido com a pena de morte.

*Com AP

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