Ministro russo Alexander Lukashevich afirma ter a sensação de 'déjà vu' após decisão da Aliança de suspender acordo com país

Nesta quarta-feira (2), a Rússia acusou a Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, de usar a linguagem da Guerra Fria ao suspender a cooperação com Moscou, e disse que nenhum dos lados vai ganhar com a mudança.

Ontem: Otan suspende cooperação civil e militar com a Rússia em resposta à Crimeia

Soldados russos próximos de um tanque militar em uma antiga base ucraniana em Perevalne, Simferopol (28/03)
AP
Soldados russos próximos de um tanque militar em uma antiga base ucraniana em Perevalne, Simferopol (28/03)


Mesmo após sanções: Presidente da Rússia completa anexação da Crimeia

De acordo com o governo russo, a decisão de chanceleres da Otan em suspender nesta terça (1) a cooperação prática com a Rússia, em protesto contra a anexação da região ucraniana da Crimeia, criou uma sensação de 'déjà vu'.

"A linguagem dos comunicados se assemelha às disputas verbais da era da 'Guerra Fria'", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo Alexander Lukashevich em comunicado.

O porta-voz afirmou que na última vez que a Otan tomou essa decisão, a respeito da guerra de cinco dias da Rússia com a Geórgia em 2008, a aliança de defesa acabou retomando posteriormente seu próprio acordo de cooperação.

Segunda: Premiê da Rússia visita Crimeia e oferece incentivo após anexação

"Não é difícil imaginar quem vai ganhar com a suspensão da cooperação entre a Rússia e a Otan no combate às ameaças e desafios modernos à segurança internacional e europeia, especialmente em áreas como a luta contra o terrorismo, a pirataria e os desastres naturais e provocados pelo homem", disse Lukashevich.

"Em qualquer caso, certamente não serão a Rússia ou os Estados-membros da Otan."

Possível invasão

A Rússia concentrou na fronteira com a Ucrânia todas as forças necessárias para uma eventual incursão ao país, e poderia concluí-la num prazo de três a cinco dias, disse o principal comandante militar da Otan nesta quarta.

Descrevendo a situação como "incrivelmente preocupante", o comandante supremo das forças aliadas na Europa, o brigadeiro norte-americano Philip Breedlove, disse que a Otan detectou durante a noite sinais de movimentação de uma parte da força russa, e que não há sinal de que as tropas teriam voltado aos seus quartéis.

A anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia provocou a maior crise entre Moscou e o Ocidente desde o final da Guerra Fria, levando os Estados Unidos e a Europa a imporem sanções, ameaçando intensificá-las se as forças russas entrarem no leste da Ucrânia.

Acordo suspenso

A Otan  anunciou na terça que vai suspender "toda cooperação prática militar e civil" com a Rússia por causa da ocupação eanexação da região ucraniana da Crimeia por Moscou. A organização também pediu a seus generais e almirantes que rapidamente pensem em formas para proteger membros da aliança que se sentem ameaçados pelo Kremlin de Vladimir Putin.

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Reação: Rússia critica resolução da ONU contra anexação da Crimeia

A decisão foi tomada por chanceleres da Otan, que pediram à Rússia em um comunicado que "tome passos imediatos para voltar a cumprir a legislação internacional". A medida da aliança de 28 membros, a base da segurança dos EUA e da Europa desde o fim da Segunda Guerra (1939-1945), também é uma reação à sua mais crise séria em anos: os EUA e seus aliados consideram a anexação da Crimeia uma ação ilegal.

A Otan e a Ucrânia divulgaram um comunicado conjunto após um encontro de ministros em Bruxelas em que dizem que vão intensificar a cooperação e promover reformas na defesa ucraniana por meio de treinamentos e outros programas.

Entre as medidas estão a suspensão de "toda cooperação prática civil e militar" entre a Otan e a Rússia. Autoridades da aliança afirmaram que contatos no nível de embaixador continuarão abertos para garantir um confiável canal de comunicação; o possível envio e reforço de unidades militares nos membros da Otan da região oriental, como Polônia e Estados Bálticos, que se sentem ameaçados pelas ações mais recentes de Moscou e o possível aumento dos níveis de prontidão para a força de resposta rápida da Otan.

O comandante supremo da Otan, general Phil Breedlove, e seus subordinados formularão as propostas dentro de poucas semanas e então as submeterão aos líderes políticos para sua aprovação, disse uma fonte da aliança militar.

Fronteira com a Ucrânia

Antes do encontro, o chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, subestimou as informações de uma retirada militar russa das áreas ao longo de sua fronteira com a Ucrânia. O Ministério da Defesa russo disse na segunda-feira que um batalhão - cerca de 500 soldados - havia recuado.

Segundo a Ucrânia: Número de soldados russos na fronteira com a Ucrânia diminui

"Isso não é o que vemos", disse Rasmussen. "E esse massivo reforço militar de nenhuma forma pode contribuir para frear a escalada da situação - algo que todos queremos ver. Então eu continuo a pedir à Rússia para retirar suas tropas, para respeitar sua obrigação internacional e se engajar em um diálogo construtivo com a Ucrânia."

Estimados 35 mil a 40 mil soldados russos equipados com tanques, veículos blindados e aeronaves fixas ou rotatórias continuaram posicionados perto da fronteira com a Ucrânia, disse uma fonte da Otan à Associated Press na terça. Ele descreveu o reforço russo como "uma completa força de combate" altamente ameaçadora contra a Ucrânia.

*Com Reuters e AP

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