Presidente deposto da Ucrânia diz que errou ao convidar tropas russas à Crimeia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em sua 1ª entrevista desde que fugiu para a Rússia, Yanukovych promete que tentará convencer Moscou a devolver península

Em sua primeira entrevista desde que fugiu para a Rússia, o presidente deposto da Ucrânia Viktor Yanukovych disse nesta quarta-feira que cometeu um erro quando convidou as tropas russas para a Crimeia e prometeu que tentará persuadir a Rússia a devolver a cobiçada península do Mar Negro.

AP
Presidente deposto da Ucrânia Viktor Yanukovych desticula durante entrevista à Associated Press em Rostov-on-Don, Rússia

Na defensiva e às vezes com os olhos cheios d'água, Yanukovych disse à Associated Press e à TV estatal russa NTV que espera negociar com o presidente russo, Vladimir Putin, a devolver à Ucrânia a região anexada por Moscou.

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"A Crimeia é uma tragédia, uma grande tragédia", disse Yanukovych, 63, insistindo que a tomada de controle da área não teria acontecido se ele tivesse permanecido no poder. Ele fugiu da Ucrânia em fevereiro, depois de três meses de protestos contrários à corrupção e à sua decisão de buscar laços mais próximos com a Rússia em vez da União Europeia (UE).

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Yanukovych negou as alegações de corrupção, dizendo que construiu sua residência palaciana nos arredores de Kiev, capital ucraniana, com seu próprio dinheiro. Ele também negou responsabilidade pelas mortes por franco-atiradores de cerca de 80 manifestantes em Kiev em fevereiro, pelas quais foi acusado pelo governo interino da Ucrânia.

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Enquanto o mundo assistia aos eventos tumultuados na UCrânia, Yanukovych foi uma espécie de fantasma, mesmo quando insistia que ainda era o verdadeiro líder do país. Embora tenha desconsiderado abertamente Yanukovych, o presidente russo o descreveu como o líder legítimo do país, afirmando que sua deposição foi ilegal.

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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A declaração de Yanukovych sobre a Crimeia pareceu representar uma tentativa de angariar ao menos algum apoio em seu país natal, onde mesmo seus partidários o abandonaram.

A Rússia anexou a Crimeia no mês passado depois de um referendo organizado rapidamente e realizado duas semanas depois de as tropas russas terem tomado controle da região. A Ucrânia e o Ocidente rejeitaram a votação e a anexação, chamando as medidas de ilegais.

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Embora dificilmente espera-se que a Rússia recue de sua anexação, a declaração de Yanukovych poderia ampliar as opções de Putin nas negociações para apaziguar a crise na Ucrânia ao criar a impressão de que Moscou poderia estar aberto a discussões sobre o status da Crimeia no futuro.

Yanukovych relatou que falou duas vezes por telefone com Putin e uma vez pessoalmente desde que chegou à Rússia — descrevendo suas conversas como "difíceis" — e que espera ter mais encontros com o líder russo para negociar a devolução da Crimeia à Ucrânia. "Devemos buscar formas para que a Crimeia tenha o máximo grau de independência possível, mas seja parte da Ucrânia", afirmou.

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Segundo ele, o referendo de março — uma votação em que os residentes em peso votaram para integrar a Rússia — foi uma resposta às ameaças representadas pelos nacionalistas radicais na Ucrânia.

No mês passado, Putin disse que Yanukovych pediu à Rússia que enviasse seus soldados à Ucrâia para proteger sua população — um pedido visto como traição por muitos ucranianos. Questionado sobre a medida, Yanukovych afirmou que cometeu um erro. "Estava errado", disse. "Agi com a emoção."

Os soldados russos rapidamente dominaram a Crimeia, que tem uma população de etnia russa majoritária, assumindo o controle de instalações militares e do governo sob o pretexto de proteger os russos.

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Yanukovych não respondeu a várias questões sobre se apoiaria a Rússia — que posicionou dezenas de milhares de soldados perto da fronteira da Ucrânia — a entrar no país vizinho para proteger a população de etnia russa, uma justificativa usada por Putin para controlar a Crimeia.

*Com AP

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