Organização também pede a generais que pensem em formas de proteger membros que se sentem ameaçados pelo Kremlin

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) anunciou nesta terça-feira que vai suspender "toda cooperação prática militar e civil" com a Rússia por causa da ocupação e anexação da região ucraniana da Crimeia por Moscou . A organização também pediu a seus generais e almirantes que rapidamente pensem em formas para proteger membros da aliança que se sentem ameaçados pelo Kremlin de Vladimir Putin.

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Chanceleres da Otan são vistos durante reunião na sede da organização, em Bruxelas
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Chanceleres da Otan são vistos durante reunião na sede da organização, em Bruxelas

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A decisão foi tomada por chanceleres da Otan, que pediram à Rússia em um comunicado que "tome passos imediatos para voltar a cumprir a legislação internacional". A medida da aliança de 28 membros, a base da segurança dos EUA e da Europa desde o fim da Segunda Guerra (1939-1945), também é uma reação à sua mais crise séria em anos: os EUA e seus aliados consideram a anexação da Crimeia uma ação ilegal.

A Otan e a Ucrânia divulgaram um comunicado conjunto após um encontro de ministros em Bruxelas em que dizem que vão intensificar a cooperação e promover reformas na defesa ucraniana por meio de treinamentos e outros programas.

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O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e os outros ministros, que se reuniram a portas fechadas na sede da Otan em Bruxelas, concordaram de forma unânime nesta terça em várias medidas. Entre eles estão:

— suspensão de "toda cooperação prática civil e militar" entre a Otan e a Rússia. Autoridades da aliança afirmaram que contatos no nível de embaixador continuarão abertos para garantir um confiável canal de comunicação;

— o possível envio e reforço de unidades militares nos membros da Otan da região oriental, como Polônia e Estados Bálticos, que se sentem ameaçados pelas ações mais recentes de Moscou;

__ possível aumento dos níveis de prontidão para a força de resposta rápida da Otan;

__ possível revisão dos planos de resposta de crise da Otan, assim como de seu treinamento militar e dos cronogramas de exercícios.

O comandante supremo da Otan, general Phil Breedlove, e seus subordinados formularão as propostas dentro de poucas semanas e então as submeterão aos líderes políticos para sua aprovação, disse uma fonte da aliança militar.

Para assegurar os membros da organização mais próximos da Rússia e da Ucrânia, a Otan já aumentou suas patrulhas aéreas sobre o Mar Báltico e os voos de monitoramento Awacs sobre a Polônia e a Romênia.

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Soldados ucranianos fazem ronda no vilarejo de Strilkove, Ucrânia (30/03)
AP
Soldados ucranianos fazem ronda no vilarejo de Strilkove, Ucrânia (30/03)

Antes do encontro, o chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, subestimou as informações de uma retirada militar russa das áreas ao longo de sua fronteira com a Ucrânia . O Ministério da Defesa russo disse na segunda-feira que um batalhão - cerca de 500 soldados - havia recuado .

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"Isso não é o que vemos", disse Rasmussen. "E esse massivo reforço militar de nenhuma forma pode contribuir para frear a escalada da situação - algo que todos queremos ver. Então eu continuo a pedir à Rússia para retirar suas tropas, para respeitar sua obrigação internacional e se engajar em um diálogo construtivo com a Ucrânia."

Estimados 35 mil a 40 mil soldados russos equipados com tanques, veículos blindados e aeronaves fixas ou rotatórias continuaram posicionados perto da fronteira com a Ucrânia, disse uma fonte da Otan à Associated Press nesta terça. Ele descreveu o reforço russo como "uma completa força de combate" altamente ameaçadora contra a Ucrânia.

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Em um acontecimento separado, a Rússia aumentou drasticamente o preço do gás natural que vende à Ucrânia e ameaçou reivindicar bilhões em descontos prévios, aumentando a pressão sobre o governo ucraniano.

*Com AP e Reuters

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