Otan suspende cooperação civil e militar com a Rússia em resposta à Crimeia

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Organização também pede a generais que pensem em formas de proteger membros que se sentem ameaçados pelo Kremlin

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) anunciou nesta terça-feira que vai suspender "toda cooperação prática militar e civil" com a Rússia por causa da ocupação e anexação da região ucraniana da Crimeia por Moscou. A organização também pediu a seus generais e almirantes que rapidamente pensem em formas para proteger membros da aliança que se sentem ameaçados pelo Kremlin de Vladimir Putin.

Apesar de sanções do Ocidente: Presidente da Rússia completa anexação da Crimeia

AP
Chanceleres da Otan são vistos durante reunião na sede da organização, em Bruxelas

Segunda: Premiê da Rússia visita Crimeia e oferece incentivo após anexação

A decisão foi tomada por chanceleres da Otan, que pediram à Rússia em um comunicado que "tome passos imediatos para voltar a cumprir a legislação internacional". A medida da aliança de 28 membros, a base da segurança dos EUA e da Europa desde o fim da Segunda Guerra (1939-1945), também é uma reação à sua mais crise séria em anos: os EUA e seus aliados consideram a anexação da Crimeia uma ação ilegal.

A Otan e a Ucrânia divulgaram um comunicado conjunto após um encontro de ministros em Bruxelas em que dizem que vão intensificar a cooperação e promover reformas na defesa ucraniana por meio de treinamentos e outros programas.

Dia 27: Assembleia Geral da ONU declara referendo da Crimeia como ilegal e inválido

Reação: Rússia critica resolução da ONU contra anexação da Crimeia

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e os outros ministros, que se reuniram a portas fechadas na sede da Otan em Bruxelas, concordaram de forma unânime nesta terça em várias medidas. Entre eles estão:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

— suspensão de "toda cooperação prática civil e militar" entre a Otan e a Rússia. Autoridades da aliança afirmaram que contatos no nível de embaixador continuarão abertos para garantir um confiável canal de comunicação;

— o possível envio e reforço de unidades militares nos membros da Otan da região oriental, como Polônia e Estados Bálticos, que se sentem ameaçados pelas ações mais recentes de Moscou;

__ possível aumento dos níveis de prontidão para a força de resposta rápida da Otan;

__ possível revisão dos planos de resposta de crise da Otan, assim como de seu treinamento militar e dos cronogramas de exercícios.

O comandante supremo da Otan, general Phil Breedlove, e seus subordinados formularão as propostas dentro de poucas semanas e então as submeterão aos líderes políticos para sua aprovação, disse uma fonte da aliança militar.

Para assegurar os membros da organização mais próximos da Rússia e da Ucrânia, a Otan já aumentou suas patrulhas aéreas sobre o Mar Báltico e os voos de monitoramento Awacs sobre a Polônia e a Romênia.

Otan: Não há sinais de recuo das tropas russas na fronteira com a Ucrânia

AP
Soldados ucranianos fazem ronda no vilarejo de Strilkove, Ucrânia (30/03)

Antes do encontro, o chefe da Otan, Anders Fogh Rasmussen, subestimou as informações de uma retirada militar russa das áreas ao longo de sua fronteira com a Ucrânia. O Ministério da Defesa russo disse na segunda-feira que um batalhão - cerca de 500 soldados - havia recuado.

Segundo a Ucrânia: Número de soldados russos na fronteira com a Ucrânia diminui

"Isso não é o que vemos", disse Rasmussen. "E esse massivo reforço militar de nenhuma forma pode contribuir para frear a escalada da situação - algo que todos queremos ver. Então eu continuo a pedir à Rússia para retirar suas tropas, para respeitar sua obrigação internacional e se engajar em um diálogo construtivo com a Ucrânia."

Estimados 35 mil a 40 mil soldados russos equipados com tanques, veículos blindados e aeronaves fixas ou rotatórias continuaram posicionados perto da fronteira com a Ucrânia, disse uma fonte da Otan à Associated Press nesta terça. Ele descreveu o reforço russo como "uma completa força de combate" altamente ameaçadora contra a Ucrânia.

Dúvida: A Europa conseguiria viver sem o gás da Rússia?

Em um acontecimento separado, a Rússia aumentou drasticamente o preço do gás natural que vende à Ucrânia e ameaçou reivindicar bilhões em descontos prévios, aumentando a pressão sobre o governo ucraniano.

*Com AP e Reuters

Leia tudo sobre: otanrússiarússia na ucrâniaucrâniacrimeia

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas