Violência islâmica e policial matou 1,5 mil na Nigéria neste ano, diz Anistia

Por iG São Paulo |

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Organização de direitos humanos acusa extremistas e forças de segurança de crimes de guerra e crimes contra a humanidade

Atrocidades cada vez maiores de extremistas e represálias descontroladas das forças de segurança deixaram ao menos 1,5 mil mortos neste ano no levante islâmico no nordeste da Nigéria, informou a Anistia Internacional nesta segunda-feira, acusando ambos os lados de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.

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AP
Ibrahim Gaidam, governador de Yobe (E), olha os corpos de estudantes mortos na Nigéria em 13/3

Em um novo relatório, o grupo de direitos com base em Londres pediu uma investigação internacional. "A comunidade internacional não pode fingir que não vê as execuções extrajudiciais, os ataques contra os civis e outros crimes sob a lei internacional sendo comitidos em escala em massa", disse Netsanet Belay, o diretor do grupo para a África.

Chris Olukolade, porta-voz do Ministério da Defesa, questionou as motivações da Anistia Internacional e insistiu "que tentamos o nosso melhor". "É estranho que, apesar de todos os esforços para assegurar que observemos todo detalhe dos requerimentos sobre direitos humanos, qualquer organização ainda esteja desesperada para nos comparar com terroristas."

Segundo o relatório, o número de mais de 1,5 mil mortes indicava "uma deterioração arlamante". Isso igualaria o total de mortos desde que o levante começou em 2010 até junho de 2013, de acordo com uma contagem da Associated Press.

Os extremistas agiram mais uma vez na noite de domingo, queimando os quartéis militares e destruindo a torre de telefonia celular na cidade de Ngelzarma, no Estado de Yobe. O residente Abdullahi Umaru afirmou que os militantes mataram três policiais e dois soldados. Os moradores fugiram na manhã desta segunda-feira.

Este ano começou de forma turbulenta para o Exército, com o presidente Goodluck Jonathan despedindo todos os seus subordinados e substituindo o ministro da Defesa no mês passado em meio à crescente raiva perante a inabilidade do Exército de coibir as matanças. Três Estados no nordeste cobrindo um sexto do país estão sob estado de emergência desde maio do ano passado.

Maio: Presidente da Nigéria declara estado de emergência em três Estados

Mais da metade dos mortos deste ano são civis assassinatos pelos extremistas, segundo a Anistia. Entre eles estão vários estudantes que foram mortos a tiros em escolas, tiveram suas gargantas cortadas ou foram queimados vivos em dormitórios fechados que foram incendiados enquanto dormiam.

Quase todas as outras mortes envolveram soldados executando detentos desarmados libertados em um ataque de 14 de março no quartel-general de Giwa, na cidade de Maiduguri. Testemunhas e imagens de satélite indicam que mais de 600 pessoas foram mortas naquele dia, o mais sangrento já registrado no levante de quatro anos. Funcionários de um hospital disseram à AP que contaram 425 corpos, que tiveram de ser enterrados em uma vala comum porque não havia espaço em outros lugares.

*Com AP

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