Premiê renuncia e ex-ministro do Interior, Manuel Valls, assume na França

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Jean-Marc Ayrault renunciou nesta segunda-feira; Hollande fez o anúncio sobre o substituto 24 horas após eleições municipais

O premiê da França, Jean-Marc Ayrault, pediu demissão nesta segunda-feira (31) e o presidente François Hollande nomeou o ministro do Interior, Manuel Valls, como novo primeiro-ministro apenas 24 horas depois que de seu partido sofrer pesadas perdas nas eleições municipais.

Hoje: Extrema direita avança, e socialistas veem derrota como 'tapa na cara' na França

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O presidente da França, François Hollande, à esq., e seu então premiê, Jean-Marc Ayrault, centro, realizam reunião em Versalhes, França (março/2014)


Escândalo: Após rumores sobre traição, Hollande anuncia separação

Em discurso televisionado, Hollande, disse que Valls seria responsável por um "governo combativo". Ele admitiu que "é hora de começar uma nova etapa". Valls, que é visto constantemente como o socialista mais popular da França em pesquisas de opinião, é considerada parte da direita no partido e também é relativamente popular entre os conservadores franceses.

A decepção com a economia liderada por socialistas levou muitos eleitores a escolherem candidatos de extrema direita ou conservadores anti-imigrantes nas eleições de domingo (30). Com os resultados, Hollande espera que a remodelação do governo aumente sua popularidade. 

Eleições municipais

Ayrault admitiu que as eleições foram "uma derrota para o governo." A administração não cumpriu suas promessas de acabar com mais de 10% do desemprego e impulsionar o crescimento da França, que foi de apenas 0,3% no ano passado, segundo dados divulgados nesta segunda.

O baixo índice na escolha dos eleitores e o fraco desempenho dos candidatos socialistas "realmente envia uma mensagem para Hollande que ele tem de mudar seu gabinete", de acordo com Hall Gardner, professor de política da Universidade Americana de Paris.

As alterações são especialmente previstas para o Ministério das Finanças, que assustou os investidores com impostos elevados e complexos e esforçou-se para encontrar soluções para o baixo crescimento crônico e a crescente taxa de desemprego.

2012: Socialistas obtêm ampla maioria no Parlamento francês

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Manuel Valls faz uma pausa após conversar com a imprensa no Palácio do Eliseu, em Paris, França (outubro/2013).



Desafios: Futuro econômico da França atrapalha ano eleitoral

O presidente francês deverá se ater a um grande plano para o corte de impostos da folha de pagamento, visando criar postos de trabalho - embora também envolva os impopulares cortes de gastos.

Os maiores vencedores na votação de domingo eram candidatos da Frente Nacional de extrema direita, que venceram corridas à prefeitura de 12 cidades e levou 1.546 assentos dos cargos parlamentares, segundo o próprio partido divulgou nesta segunda. Isso é menos do que alguns socialistas temiam, mas ainda assim um número recorde de alta para o partido, cujo líder Marine Le Pen tentou suavizar sua imagem xenófoba e foi confrontado pelo descontentamento com as políticas tradicionais no país.

A economia francesa evitou afundando em uma nova recessão, com crescimento de 0,3% no quarto trimestre, mas as perspectivas gerais sugerem um crescimento lento.

*Com AP e BBC

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