Premiê da Rússia faz visita surpresa à Crimeia e oferece incentivo após anexação

Por iG São Paulo |

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Dmitry Medvedev liderou uma delegação de ministros até a área e afirmou que população terá apenas ganhos após a anexação

Em uma visita surpresa à Crimeia nesta segunda-feira (31), o primeiro ministro da Rússia prometeu investir recursos financeiros rapidamente para que a península recém-anexada possa ver mudanças positivas após sua adesão à Rússia.

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AP
Primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, 3º à dir., sorri enquanto visita hospital na cidade de Simferopol, Crimea

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Dmitry Medvedev, que liderou uma delegação de ministros à região, prometeu que a Rússia vai aumentar rapidamente os salários e pensões na província e despejar recursos para melhorar a educação, saúde e infra-estrutura locais.

Rússia anexou Crimea, que fazia parte da Ucrânia, no início deste mês, após referendo realizado às pressas apenas duas semanas depois que as forças russas ocuparam a península do Mar Negro. A Ucrânia e o Ocidente rejeitaram a anexação.

“Os habitantes da Crimeia não perderão nada se juntando à Rússia, eles apenas terão ganhos”, Medvedev disse em entrevista televisionada. "As pessoas esperam criar condições para uma vida calma e respeitável, a confiança no amanhã, a sensação de fazer parte de um país forte. Devemos atender a essas expectativas."

Ele disse que o governo vai criar uma zona econômica especial na Criméia, península de 2 milhões de habitantes, para incentivar empresas a se instalarem no local, com impostos mais baixos e leis mais simples. "Precisamos criar uma nova história de investimento para Criméia, que será mais bem sucedido do que havia sido", disse Medvedev.

Medvedev enfatizou particularmente a necessidade de garantir um fornecimento de energia estável na região. Atualmente, a área recebe cerca de 80% de sua eletricidade e uma cota semelhante de sua água da Ucrânia,. Cortes de energia na semana passada levantou temores de que o governo ucraniano poderia usar a energia como arma para negociar com a Rússia.

De acordo com o primeiro-ministro russo, o país já tem a certeza que a Criméia tem capacidade suficiente para gerar energia de backup e garantir um fornecimento elétrico ininterrupto. Ele acrescentou que a Rússia irá trabalhar em soluções de longo prazo para o problema de energia da Criméia.

Confira fotos da ocupação russa na Crimeia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Ele também afirmou que serão feitos esforços para reparar rapidamente a infra-estrutura de abastecimento de água. No futuro, a Crimea pode ser abastecida pela Rússia ou criar seus próprios reservatórios. Medvedev prometeu que a Rússia vai procurar desenvolver na Criméia um destino turístico de primeiro mundo, tentando garantir bilhetes aéreos baratos o suficiente para incentivar os russos a visitaram o local.

Crise na Ucrânia

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o secretário de Estado russo, Sergei Lavrov, discutiram sugestões para resolver a crise na Ucrânia durante quatro horas de reunião em Paris.

Em entrevista coletiva na noite de domingo (30), Kerry disse que os Estados Unidos deixaram claro que ainda consideram "ilegais e ilegítimas" as ações russas na península da Crimeia.

"Os EUA e a Rússia têm diferenças de opinião sobre os eventos que levaram a essa crise, mas ambos reconhecemos a importância de encontrar uma solução diplomática e simultânea para responder às necessidades do povo ucraniano", disse Kerry. "Os dois lados fizeram sugestões de maneiras para melhorar a situação de segurança e política dentro e no entorno da Ucrânia", afirmou.

Kerry e Lavrov se encontraram para tentar estabelecer as bases de um acordo com o objetivo de reduzir as tensões sobre a anexação da região ucraniana da Crimeia pela Rússia, enquanto líderes ocidentais consideram impor sanções mais amplas a Moscou que teriam como alvo setores vitais da economia, incluindo a indústria de petróleo e gás.

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Os chefes da diplomacia de EUA e Rússia também esperavam agendar um telefonema entre os presidentes Vladimir Putin e Barack Obama, de acordo com funcionários norte-americanos. Os movimento da Rússia na Crimeia, que se seguiram à destituição em fevereiro do presidente ucraniano pró-Moscou Viktor Yanukovych, provocou o pior confronto Leste-Oeste desde o fim da Guerra Fria há duas décadas.

*Com Reuters e AP

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