Vaticano tem a intenção de ajudar diálogo entre governo e oposição na Venezuela

Por iG São Paulo |

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Santa Sé faz declaração um dia após Maduro dizer que pretende se reunir com opositores na presença de observador externo

O Vaticano disse que tem a intenção de ajudar a facilitar negociações entre o governo da Venezuela e seus oponentes com o objetivo de pôr fim a semanas de tumultos violentos que paralisaram boa parte do país.

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AP
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (D), reúne-se com o arcebispo do país, Diego Rafael Padrón Sánchez, e o cardeal Pietro Parolin em Caracas (14/6/2013)

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Na quinta-feira, o presidente Nicolás Maduro disse pretender se sentar com a oposição com a presença de um observador externo. Ele sugeriu o nome do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, que serviu como embaixador da Santa Sé para a Venezuela antes de ser convocado para a Roma no ano passado.

O porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi, disse à Associated Press nesta sexta-feira que a Santa Sé e Parolin "certamente têm a intenção e o desejo de fazer o que for possível para o bem e a serenidade do país". Mas ele acrescentou que o Vaticano precisava entender as expectativas de sua intervenção e se elas poderiam trazer um "resultado desejado". Tal estudo está em andamento, afirmou.

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O catolicismo é uma base para os críticos da administração socialista de Maduro, e os líderes da oposição Leopoldo López e Henrique Capriles, ambos conhecidos por usar rosários, têm pressionado o Vaticano a assumir a causa. Maduro também elogio o papa Francisco depois de conhecer o primeiro pontífice latino-americano no ano passado.

Veja imagens dos protestos na Venezuela:

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Embora a Igreja seja um aceitável mediador, o caminho para um acordo nessa nação polarizada é longo. Radicais em ambos os lados continuam a rejeitar concessões mesmo com ao menos 32 mortos e centenas de feridos, muitos deles durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança reforçadas por milícias pró-governo.

Quarta: Prefeito venezuelano da oposição é sentenciado a um ano por protestos

Assim que Maduro concordou em negociações com o auxílio de um facilitador externo, vários partidos que formam a aliança opositora União Democrática questionaram a proposta, dizendo que ela poderia prejudicar a ascensão do movimento de protesto.

Maduro também tem exposto ceticismo com as motivações de seus oponentes, apontando para recusa de boa parte da oposição de participar em "conferências de paz" prévias propostas por sua administração. "Coitado, eles vão fazê-lo perder tempo", disse a partidários na noite de quinta, referindo-se a Parolin.

Terça: Opositora tem mandato cassado no Congresso e perde imunidade judicial

Por outro lado, a oposição diz que Maduro é aquele que não está negociando de boa-fé, afirmando querer ver soltos López e dezenas de ativistas presos, assim como o fim da repressão aos protestos.

*Com AP

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