Para governo russo, a resolução só atrapalha os esforços para resolver a crise política na Ucrânia após anexação da província

A Rússia disse na sexta-feira que uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) declarando inválida a separação da Crimeia da Ucrânia é contraproducente e se presta a uma chantagem ocidental.

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Presidente russo Vladimir Putin fala durante reunião do Conselho de Segurança no Kremlin em Moscou, Rússia
AP
Presidente russo Vladimir Putin fala durante reunião do Conselho de Segurança no Kremlin em Moscou, Rússia


Ontem: Assembleia Geral da ONU declara referendo da Crimeia como ilegal e inválido

Sem caráter de cumprimento obrigatório, a resolução da Assembleia Geral da ONU foi aprovada por 100 votos favoráveis, 11 contrários e 58 abstenções, resultado que, segundo países ocidentais, salienta o isolamento russo sobre a questão. O governo russo anexou a Crimeia na semana passada, após um referendo em que uma expressiva maioria dos habitantes dessa península votou por se separar da Ucrânia.

Em nota sobre a resolução da Assembleia, a chancelaria russa disse que "essa iniciativa contraproducente apenas complica os esforços para resolver a crise política doméstica na Ucrânia". O texto acusa governos ocidentais de usarem "a máquina de propaganda da era da Guerra Fria" para conseguir votos em prol da resolução.

"É sabido que tipo de pressão desavergonhada, a ponto de configurar chantagem política e ameaças econômicas, foi imposta a vários Estados-membros (da ONU) para que eles votassem ‘sim'", afirmou a nota. Mas vários diplomatas ocidentais na ONU disseram que foi a Rússia que fez uma campanha agressiva contra a resolução.

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No início deste mês, a Rússia bloqueou a ação no Conselho de Segurança, onde tem poder de veto por ser um de seus cinco membros permanentes. Apesar disso, o conselho de 15 membros realizou oito reuniões sobre a Ucrânia à medida que as potências ocidentais buscaram manter a pressão sobre Moscou.

Crimeia

A Crimeia está no centro da maior crise geopolítica da Europa desde o fim da Guerra Fria (1947-1991). As tropas russas assumiram o controle da península ucraniana, onde está baseada a Frota do Mar Negro da Rússia, e Moscou oficialmente anexou na semana passada a Crimeia depois do referendo.

O tumulto na Crimeia é resultado de meses de protestos antigoverno e de explosões de violência que levaram à queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, que fugiu do país no ano passado.

*Com Reuters e AP

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