Obama pede à Rússia que retire suas tropas da fronteira com a Ucrânia

Por iG São Paulo |

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Em entrevista à emissora de TV italiana, presidente sugere que os planos do governo russo na Ucrânia podem não ter acabado

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira (28) que o aumento da presença de tropas russas na fronteira com a Ucrânia não é normal e pediu para que Moscou recue com suas tropas e inicia um plano para diminuir as tensões com o país.

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AP
Soldados russos próximos de um tanque militar em uma antiga base ucraniana em Perevalne, Simferopol (27/03)


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"Você tem visto uma variedade de tropas se juntando ao longo daquela fronteira sob a forma de exercícios militares", disse Obama ao programa "This Morning" da emissora CBS, durante entrevista na Cidade do Vaticano. "Mas isso não é o que a Rússia estaria fazendo normalmente."

Segundo Obama, a movimentação pode não ser nada além de um esforço para intimidar a Ucrânia, mas também pode ser uma preliminar para outras ações. "Pode ser que eles tenham planos adicionais", disse. Ele também pediu à Rússia que "desagrave a situação" e inicie as negociações com Kiev, capital ucraniana.

Por causa da ocupação russa no país, estima-se que a Ucrânia tenha aumentado o número de militares perto da fronteira na região leste. Paralelamente as declarações do presidente dos EUA, o presidente deposto Viktor Yanukovych pediu um referendo nacional para determinar o "status dentro Ucrânia" de cada região do país.

Yanukovych está asilado na Rússia desde o final de fevereiro, após as manifestações contra e confrontos que deixaram ao menos 100 mortos e culminaram na deposição do ex-líder ucraniano. O Kremlin afirma que o novo governo em Kiev chegou ao poder de forma ilegal.

Confira imagens da ocupação russa na Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Em entrevista concedida por Obama na quinta, ele afirma que o presidente Putin havia "demonstrado uma queixa profunda sobre o fim da União Soviética". Mas alertou que o líder russo não deve "voltar a praticar ações que eram comuns durante a Guerra Fria".

"Acredito que há um forte sentimento de nacionalismo russo e uma sensação de que, de alguma forma, o Ocidente se aproveitou da Rússia no passado", disse Obama. "O que eu tenho repetido é que Putin pode estar totalmente errado sobre a leitura que fez do Ocidente. Ele certamente está interpretando mal a política externa americana."

'Vítima de ameaças'

Moscou enfrenta ameaças crescentes dos Estados Unidos e de seus aliados, que estão tentando enfraquecer a influência russa na Ucrânia, disse uma importante autoridade de segurança da Rússia ao presidente russo, Vladimir Putin, nesta sexta.

"Houve um grande aumento nas ameaças externas ao Estado. O desejo legítimo dos povos da Crimeia e de regiões do leste da Ucrânia está causando histeria nos Estados Unidos e em seus aliados", afirmou Alexander Malevany, vice-chefe do Serviço de Segurança Federal da Rússia, segundo a agência de notícias Interfax.

Ele disse que a Rússia está tomando "medidas ofensivas de contra-inteligência" para fazer frente aos esforços ocidentais de "enfraquecer a influência russa na região, que é de vital importância (para Moscou)", segundo a Interfax.

*Com BBC e Reuters

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