Maduro justifica pressão contra oposição alegando golpe de Estado

Por BBC Brasil |

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Para o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, há um 'golpe suave' de Estado ocorrendo no país com início dos protestos

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Na terça-feira (25), o presidente venezuelano anunciou a prisão de três generais da Força Aérea que supostamente tentavam dar um golpe de Estado e, no mesmo dia, a deputada venezuelana María Corina Machado, um dos rostos mais conhecidos da oposição, teve o cargo cassado.

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Reuters
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Esta foi a primeira vez em 15 anos da chamada Revolução Bolivariana em que oficiais ativos de uma patente tão alta são acusados de crime contra a segurança do Estado - apesar de recorrentes denúncias prévias de supostas negociações militares para derrubar o governo.

Oficialmente não foram revelados os nomes dos generais presos, nem especificados seus cargos. Alega-se que o procedimento das prisões não cumpriu o protocolo, e críticos do governo descartam a importância de qualquer iniciativa em que os três poderiam estar envolvidos.

'Monolítica'

Mas o caso dos três generais é uma exceção. A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) apresentou na quarta-feira um comunicado de apoio ao governo no qual, apesar de garantir que não há problemas internos, defende a tese de "golpe suave" defendida por Maduro.

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"Frente a estes fatos a Força Armada Nacional Bolivariana se mantém monolítica e nada prejudica nossa convicção democrática nem a moral de quem, através de suas atuações, conseguiu consubstanciar-se com a realidade de nosso povo, pois, graças a nosso comandante supremo e eterno, Hugo Chávez, conseguimos compreender que a União Cívica e Militar nos faz mais fortes", afirmaram os militares em comunicado.

No documento, a FANB prossegue afirmando que sua união e opinião estão implícitas e foram demonstradas de forma consistente desde 12 de fevereiro, o começo dos protestos no país e o que tem sido chamado de "golpe de Estado suave". Fontes venezuelanas que conhecem o setor militar do país e pediram anonimato disseram à BBC Mundo que há uma possibilidade de que a prisão dos três seja uma ação para dar o exemplo, na tentativa de sufocar qualquer irregularidade dentro das Forças Armadas.

Apesar de algumas dessas fontes terem afirmado que não acreditam na existência de condições e nem ânimo entre os militares para dar um golpe e assumir o governo, muitos reconheceram que a FANB é uma "caixa-preta" na qual é muito difícil saber exatamente o que se passa.

'Conspiração'

Na quarta-feira, Maduro indicou que os três generais foram presos por "conspirar para colocar a Força Aérea venezuelana contra o governo" e realizar um golpe de Estado.

Confira fotos das manifestações pelo país

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Terça: Venezuela prende generais acusados de planejar golpe

Durante uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que discutia a situação na Venezuela, Maduro afirmou que os militares presos tinham "ligações diretas com setores da oposição e diziam que esta semana era decisiva".

Antes, o presidente venezuelano já havia acusado "setores de direita apoiados pelos Estados Unidos" de estimular os distúrbios que atingem o país há meses como parte de uma conspiração para um golpe.

Maduro enfrenta há quase dois meses protestos diários contra a inflação, a violência no país e o desabastecimento de produtos básicos em várias cidades. Até o momento 36 pessoas morreram nos confrontos, centenas ficaram feridas e outras centenas foram detidas.

Cassação

A deputada María Corina Machado, que se transformou no rosto internacionalmente mais visível da oposição venezuelana em meio à crise, foi cassada na terça-feira - em um procedimento polêmico que a tirou do Parlamento de forma definitiva sem nem mesmo uma acusação judicial registrada contra a oposicionista.

Fevereiro: Líder da oposição Leopoldo López enfrenta acusações na Venezuela

A imunidade de Machado não foi cancelada antes da cassação e a oposição qualificou a medida de inconstitucional. O presidente da Assembleia Nacional, o governista Diosdado Cabello, justificou a medida argumentando que Machado aceitou um cargo temporário de um governo "hostil", do Panamá, que, na sexta-feira passada convidou a deputada a falar como parte de sua delegação em uma reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em entrevista à BBC Mundo, Machado afirmou que o governo de Maduro está mais "fraco do que nunca".

"A repressão e a violência geraram uma indignação ainda ainda maior e ainda mais força para a mobilização dos cidadãos. A violência só convém ao governo e não é responsabilidade nem culpa dos protestos, é culpa da repressão que impõe Maduro, que passou dos limites", afirmou.

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