Satélite identifica 122 novos objetos que podem ser do voo da Malásia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Imagens obtidas pela França mostram destroços de até 25 m de comprimento. Local das buscas é difícil, diz autoridade malaia

Dados enviados por um satélite identificaram 122 novos objetos que podem ser do avião desaparecido da Malaysia Airlines, de acordo com o ministro da Defesa e dos Transportes interino da Malásia, Hishammuddin Hussein, nesta quarta-feira (26). “É o principal vestígio que temos”, afirmou.

Hoje: Austrália diz ter avistado mais três objetos em buscas por avião desaparecido

AP
O ministro da Defesa da Malásia e dos Transportes, Hishammuddin Hussein, indica local onde os objetos foram registrados por satélite francês, na Malásia


Ontem: Parentes de passageiros de voo da Malásia entram em choque com a polícia

Hussein explicou que os objetos estavam a aproximadamente 2,5 mil km a sudoeste da Austrália. Nuvens dificultam o registro de novas imagens pelo satélite, mas dezenas de objetos podem ser vistos, com comprimentos que variam de 1 até 25 metros. O ministro disse também que alguns desses destroços “pareciam ser brilhantes, possivelmente indicando que são materiais sólidos”.

As imagens foram registradas no domingo (23) e retransmitidas pela empresa francesa Airbus Defence and Space, uma divisão da Airbus Grupo da Europa; seus negócios incluem a operação e comunicação por satélite.

Vários objetos flutuantes foram vistos por aviões e satélites ao longo da última semana, inclusive nesta quarta, quando a Autoridade de Segurança Marítima da Austrália avisou, por meio do Twitter, que mais três destroços foram avistados na região. A origem dos destroços ainda é incerta, já que os objetos podem ser de outro avião ou mesmo de um navio de carga.

Premiê da Malásia: Avião caiu no sul do Índico e não há sobreviventes

"Se for confirmado que os objetos são mesmo do MH370, ao menos passaremos para a próxima fase das buscas de vigilância em alto mar", afirmou Hishammuddin.

As buscas foram retomadas nesta quarta depois que ventos fortes e ondas muito altas forçaram as equipes a fazer uma pausa na terça (25). Um total de 12 aviões e cinco navios dos Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia participam da pesquisa, na esperança de encontrar uma única peça do jato a fim de oferecer uma evidência concreta do acidente aéreo e fornecer pistas para encontrar o restante dos destroços.

A Malásia anunciou na segunda-feira (24) que uma análise matemática dos sinais de satélite do avião mostrou que a aeronave, desaparecido desde o último dia 8 com 239 pessoas a bordo, havia caído no mar sem deixar sobreviventes. Apesar de os novos dados terem reduzido - e muito - a área de buscas, ela continua a ser enorme - estima-se que são 1,6 milhão de quilômetros quadrados, aproximadamente o tamanho do Alasca.

Veja o drama das famílias dos passageiros:

Parentes de passageiros chineses do voo desaparecido da Malásia choram durante protesto em frente de embaixada do país em Pequim (25/3). Foto: APIrmã de passageiro de avião desaparecido da Malásia chora ao assistir programa sobre o voo MH370 em sua casa em Medan, Sumatra do Norte, Indonésia (25/3). Foto: APChinesa é amparada por seus familiares após pronunciamento do premiê malaio que confirmou a queda do voo da Malaysia Airlines, em Pequim, China. Foto: APChinesa entra em desespero ao saber que o avião desaparecido da Malaysia Airlines caiu no oceano Índico, após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: APParentes das vítimas do voo se desesperam ao saber da queda do avião no Índico, em Pequim, China. Foto: ReutersHomem se desespera ao saber que avião desaparecido da Malaysia Airlines caiu no Índico após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: ReutersFamiliares não se conformam com a queda do avião da Malaysia Airlines. Na foto, parentes após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: ReutersParente de passageiro do voo da Malaysia Airlines fica em estado de choque ao saber que avião caiu no Índico após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: ReutersFamílias dos passageiros são amparados após saberem da queda do avião em coletiva de imprensa na China. Foto: ReutersFamiliares se abraçam após saberem da queda do voo desaparecido da Malaysia Airlines, em Pequim, China. Foto: ReutersMulher chora durante coletiva de imprensa sobre o desaparecimento do voo da Malaysia Airlines durante coletiva de imprensa na China (22/03) . Foto: ReutersFamiliar de um dos passageiros a bordo do voo desaparecido da Malaysia Airlines aguarda por novas informações em Pequim, China (22/03). Foto: ReutersParentes das vítimas do voo da Malaysia Airlines rezam enquanto aguardam por mais informações, em Pequim, China (22/03). Foto: ReutersParentes dos passageiros a boardo do voo da Malaysia Airlines assistem à noticiário sobre o avião em Pequim, China (17/03) . Foto: APParentes dos chineses a bordo do avião que havia desaparecido aguardam notícias em Pequim, China (março/2014). Foto: APFamiliares dos passageiros a bordo do voo da Malaysia Airlines deixam sala de hotel após reunião com oficiais malaios, em Pequim, China (março/2014). Foto: APParente de um dos passageiros chineses no voo da Malaysia Airlines chora em frente de jornalistas em Sepang, Malásia (março/2014). Foto: AP

Galeria de fotos: Saiba quais são os desastres aéreos mais misteriosos do mundo

"Estamos dando tudo o que temos nas buscas”, afirmou o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, à rede de televisão Nine Network nesta quarta. "Esse é o local mais inacessível que se pode imaginar. São milhares de quilômetros de lugar nenhum", disse mais tarde à televisão Seven Network. Ele prometeu que "vamos fazer o que pudermos para resolver esse enigma".

China

A China enviou uma autoridade especial à Malásia, segundo a agência de notícias chinesas Xinhua. O político Zhang Yesui encontrou-se com o premiê da Malásia, Najib Razak, para discutir as operações de busca. O país está participando das missões com quatro navios e um avião militar. A maior parte – 153 – dos 239 passageiros a bordo do MH370 era chinesa.

Em Pequim, algumas famílias mantêm a esperança de que seus entes queridos podem ter sobrevivido ao desastre. Cerca de dois terços dos desaparecidos eram chineses e seus parentes têm criticado a Malásia por declarar a morte das pessoas a bordo sem qualquer evidência física. Muitos também acreditam que as autoridades não foram transparentes ou rápidas na divulgação de notícias sobre as buscas.

Segunda: Austrália avista 'novos objetos' que podem ser do voo desaparecido no Índico

Wang Chunjiang, cujo irmão estava no avião, disse que vive "um conflito interno". "Queremos saber a verdade, mas temos medo dos destroços do avião serem encontrados”, afirmou ele enquanto espera por mais informações em hotel perto do aeroporto de Pequim. "Se eles encontrarem os destroços, então a nossa última esperança será frustrada. Não teremos a mínima esperança."

Área de buscas 

As equipes estão concentrando seus esforços durante as próximas 36 horas, já que a previsão é que o clima vá piorar. Especialistas dizem que mesmo que alguns destroços sejam recuperados, o avião ainda pode levar meses ou anos até ser descoberto.

David Ferreira, oceanógrafo da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha, explica que pouco se sabe sobre a topografia detalhada do fundo do mar onde o avião pode ter caído. 

Já para Kerry Sieh, diretor do Observatório Terra de Cingapura, na região, o fundo do mar é relativamente plano, com depressões e fendas semelhantes à área do Oceano Atlântico onde os destroços Air France foi encontrado.

Sieh acredita que todos os pedaços grandes do avião provavelmente ficariam parados depois de terem afundado completamente. Mas a recuperação de qualquer parte do avião vai ser difícil por causa da profundidade - em grande parte chega a 4,5 mil metros  - e pelas condições inóspitas na superfície, onde os ventos intensos e imensas ondas são comuns.

*Com AP e BBC

Leia tudo sobre: malaysia airlinesbuscasaviaochinaaustraliamalasiahussein

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas