Egito ordena novo julgamento em massa de 919 integrantes da Irmandade Muçulmana

Por iG São Paulo |

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Dois julgamentos serão realizados na mesma província onde, na segunda, 529 membros do grupo foram condenados à morte

O promotor público do Egito determinou nesta quarta-feira que 919 membros da Irmandade Muçulmana sejam submetidos a dois julgamentos por acusações que vão de terrorismo a assassinato, disse a agência de notícias estatal, avançando com uma série de julgamentos em massa de partidários do presidente deposto Mohammed Morsi apesar das críticas internacionais.

Segunda: Tribunal no Egito condena 529 membros da Irmandade à morte

AP
Estudante da Universidade de Alexandria carrega aluna depois de ela ficar ferida em confrontos com a polícia no Egito

Os membros serão julgados na província ao sul de Minya, onde no início desta semana um juiz condenou 529 integrantes da Irmandade à pena de morte sob diversas acusações, incluindo assassinato.

A agência de notícias estatal afirmou que as novas acusações estavam ligadas a incidentes violentos de agosto que aconteceram depois que acampamentos de partidários de Morsi foram dispersados à força por oficiais de segurança.

Nesta quarta, estudantes em várias universidades, em sua maioria islamitas, realizaram protestos contra as sentenças de morte emitidas na segunda, derivando para confrontos com as forças de segurança. Um estudante de 18 anos foi morto na violência na Universidade do Cairo, disse o Ministério da Saúde.

As autoridades egípcias realizam uma série de julgamentos em uma repressão contra a Irmandade e os partidários de Morsi desde que um golpe militar o depôs em julho. Cerca de 16 mil foram presos durante os últimos meses, incluindo a maioria dos principais líderes do movimento islâmico.

As sentenças de morte emitidas na segunda atraíram críticas de grupos de direitos humanos e dos EUA, União Europeia e ONU contra a rapidez do julgamento, que durou apenas duas sessões e na qual os advogados dizem terem tido negado o direito de apresentar sua defesa ou questionar as testemunhas. Há possibilidade de apelação contra as sentenças, e os advogados esperam que elas sejam revogadas.

Os dois julgamentos anunciados nesta quarta serão chefiados pelo juiz Said Youssef, que emitiu a sentença de morte na segunda e começou outro julgamento em massa de mais de 680 réus na terça. No total, os quatro julgamentos envolvem 2.147 réus.

*Com Reuters e AP

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