Bloco deve expandir congelamento de bens e proibições de viagem e G8 só volta após situação se normalizar, diz Alemanha

A Rússia deve enfrentar mais sanções da União Europeia (UE) nesta quinta-feira depois de sua decisão de anexar a Península da Crimeia , enquanto as tensões na região continuam altas apesar da libertação de um comandante naval ucraniano.

Terça: Presidente da Rússia assina tratado para a anexação da Crimeia

Chanceler alemã, Angela Merkel, fala perante o Parlamento alemanhã em Berlim
AP
Chanceler alemã, Angela Merkel, fala perante o Parlamento alemanhã em Berlim

Presidente russo após anexar região: 'A Crimeia sempre fez parte da Rússia'

Em um discurso ao Parlamento da Alemanha, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse nesta quinta-feira que a União Europeia (UE) está preparando mais sanções e que serão suspensos todos encontros do G8 até que a situação política mude. A Rússia detém a presidência do G8, e o presidente russo, Vladimir Putin, estava programado para receber os líderes dos países mais industrializados do mundo em Sochi em junho.

"Enquanto não houver circunstâncias políticas, como agora, para um formato importante como o G8, então não haverá nenhum G8", disse. "Nem o encontro nem o próprio grupo."

Reação: EUA e UE anunciam sanções contra russos e ucranianos

No início desta semana, a UE e os EUA impuseram sanções contra certos indivíduos envolvidos no que dizem ser o referendo ilegal na Crimeia sobre sua anexação à Rússia. Moscou anexou formalmente a Crimeia no início desta semana depois da votação. A península no Mar Negro foi durante séculos parte da Rússia até 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev a transferiu para a Ucrânia.

Domingo: Crimeia celebra aprovação em referendo de anexação pela Rússia

As forças da Rússia efetivamente tomaram o controle de Crimeia há cerca de duas semanas depois da destituição do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych após meses de protestos e violência esporádica. A crise teve início no ano passado, depois que Yanukovych abriu mão de um acordo de associação com a UE para favorecer a promessa de um pacote de resgate russo no valor de US$ 15 bilhões. Isso enraiveceu ucranianos das região central e oeste da Ucrânia, que são pró-Europa.

Veja imagens da presença russa na Crimeia:

Merkel afirmou ao Parlamento as sanções serão expandidas contra a Rússia quando o bloco se reunir ainda nesta quinta-feira em Bruxelas. Segunda ela, será ampliada a lista daqueles cujos bens estão congelados e que estão proibidos de viajar. Ela também reiterou que, se a situação piorar, a UE está preparada para adotar medidas adicionais, que incluem sanções econômicas.

A dura mensagem de Merkel foi transmitida enquanto o comandante da Marinha da Ucrânia foi libertado depois de ter sido detido por forças russas e uma milícia local da Crimeia no quartel-general da península.

Quarta: Homens pró-Rússia assumem controle de base naval ucraniana na Crimeia

Sergei Haiduk e um número não especificado de civis foram mantidos detidos por horas depois que a base naval de Sevastopol foi invadida na quarta. Informações prévias indicavam que a invasão foi conduzida pela autodescrita força de defesa local, mas uma declaração desta quinta-feira do presidente em exercício da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, que confirmou a soltura, disse que forças russas estavam envolvidas.

Tentando responder à incursão russa, a Ucrânia disse na quarta-feira que participaria de exercícios militares com os EUA e o Reino Unido, signatários, juntamente com a Rússia, do Memorando de Budapeste de 1994 — documento projetado para garantir a integridade territorial da Ucrânia quando ela entregou sua parte dos arsenais nucleares russos depois do colapso da União Soviética, em 1991.

Retirada: Ucrânia planeja retirar soldados da Crimeia

Quantas tropas em recuo a Ucrânia terá de absorver no que se assemelha a uma rendição militar da Crimeia não está claro. Muitos oficiais já trocaram de lado para a Rússia, mas as autoridades dizem que eles estão preparados para realocar 25 mil soldados e suas famílias na Ucrânia continental.

Com milhares de soldados ucranianos e marinheiros presos em bases militares, cercados por forças russas e milícias pró-Rússia altamente armadas, o governo de Kiev disse que esboçava planos para retirar um grande número de soldados da Crimeia e que buscaria apoio da ONU para transformar a península em uma zona desmilitarizada.

*Com AP

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