Presidente da Rússia assina tratado para a anexação da Crimeia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Legisladores acreditam que até o próximo final de semana a província deverá ser formalmente anexada ao território russo

Com uma canetada, o presidente Vladimir Putin adicionou a Crimeia ao mapa da Rússia nesta terça-feira (18), no que ele descreveu como a correção de uma injustiça, respondendo ao que Putin chamou de "invasão ocidental sobre os interesses vitais da Rússia".

Ontem: Presidente da Rússia declara Crimeia 'Estado soberano e independente'

AP
Soldados da autodefesa ucraniana realizam exercícios militares em um campo de treinamento nos arredores de Kiev

Após referendo: Crimeia se declara independente e pede anexação à Rússia

Em discurso emocionante de 40 minutos transmitido ao vivo a partir do Kremlin, Putin disse que "nos corações e mentes das pessoas, a Crimea sempre foi parte integrante da Rússia". 

Ele também rejeitou as críticas ocidentais sobre o referendo realizado na Criméia no último domingo (16), onde os habitantes da península estratégica do Mar Negro esmagadoramente apoiaram a ruptura da região com a Ucrânia e apoiou a anexação do território à Rússia. 

A chamada para a votação foi realizada duas semanas após as tropas russas ultrapassarem a fronteira e ocuparem a região. O ocidente e a Ucrânia descreveram o referendo, anunciado há duas semanas, como ilegítimo.

O líder russo insistiu ainda que seu país não tem intenção de invadir outras regiões da Ucrânia, dizendo que "nós não queremos uma divisão da Ucrânia, não precisamos disso."

Em seu discurso, Putin se refere à Ucrânia como um estado que nasceu de uma secessão ilegal por parte da União Soviética. Ele também argumentou que a Ucrânia de hoje inclui "as regiões ao sul da Rússia histórica" e foi criado por um capricho pelos bolcheviques. A declaração soou como um aviso claro para ambos que o novo governo da Ucrânia em Kiev e o Ocidente respeitem os interesses da Rússia.

A Corte constitucional da Rússia e os parlamentares do Kremlin esperam endossar o projeto rapidamente. Alguns legisladores dizem que a Crimea pode fazer parte da federação russa até o final da semana.

Os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram na segunda-feira (17) o congelamento de bens e outras sanções contra autoridades russas e ucranianas envolvidas na crise da Crimeia. O presidente Barack Obama alertou que mais sanções podem ser impostas, caso a Rússia não pare de interferir no território ucraniano.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse à rádio Europe-1 nesta terça que líderes do G8 “decidiram suspender a participação russa, e prevê-se que todos os outros países, os sete países líderes, se reunirão sem a Rússia". Os outros sete membros do grupo já havia suspendido os preparativos para a cúpula do G-8 que a Rússia estava programando para sediar, em junho, em Sochi.

Confira galeria de fotos sobre multidão nas ruas da crimeia após o referendo

Pessoas marcham em apoio à anexação da Crimeia pela Rússia em Moscou (18/3). Foto: APIdosa segura calendário com imagem do líder soviético Josef Stalin na Crimeia enquanto assiste a pronunciamento de presidente russo (18/3). Foto: APDuas mulheres seguram bandeira em que se lê: 'Crimeia está com a Rússia' em Simferopol (16/3). Foto: ReutersMulher celebra com bandeira russa resultados preliminares de referendo em Simferopol, Crimeia (16/3). Foto: ReutersHomem pró-Rússia deposita cédula em urna durante votação sobre anexação da Crimeia pela Rússia em Bachisaray, Ucrânia. Foto: APCrimeia vota neste domingo se quer ou não se tornar parte da Rússia. Foto: AFPUma mulher pega sua cédula de votação sobre referendo na Crimeia em Simferopol, Ucrânia. Foto: APEleitor segura cédula do referendo em Simferopol, Ucrânia. Foto: APMulher coloca cédula do referendo em urna eleitoral, durante votação em Simferopol, Ucrânia. Foto: APNovo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov lança seu voto em assembleia de votos de Simferopol, Ucrânia. Foto: APCom sua filha, eleitor participa do referendo da Crimeia, Ucrânia. Foto: APIdoso participa de referendo sobre anexação da Crimeia à Rússia, em Simferopol, Crimeia. Foto: APMilitares protegem o edifício do parlamento regional durante referendo da Crimeia em Simferopol. Foto: APBandeira da Rússia na entrada do prédio do parlamento regional da Crimeia. Foto: AP

Reação: EUA e UE anunciam sanções contra russos e ucranianos

O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev, no entanto, descreveu o referendo de anexação da Crimea como um "acontecimento feliz". Gorbachev, em declarações realizadas nesta terça ao jornal online Slon.ru, disse que o voto da Crimea oferece à população liberdade de escolha e mostra que "as pessoas realmente queriam voltar para a Rússia."

O decreto assinado por Putin e publicado no site oficial do governo na terça de manhã é um dos passos para formalizar a anexação da Criméia. Putin discursará sobre o resultado do referendo nesta terça, onde deve reivindicar a participação da Rússia na Criméia e explicitar sua política na crise ucraniana.

Putin advertiu que estaria pronto para usar "todos os meios" possíveis para proteger os cidadãos russos no leste da Ucrânia. A Rússia tem ocupado a fronteira entre os dois países, aumentando os temores de uma invasão. De acordo com o primeiro-ministro da Ucrânia Arseniy Yatsenyuk, em um comunicado televisionado, as agências de aplicação da lei da Ucrânia reuniram "provas convincentes da participação dos serviços especiais russos na organização de instabilidade no leste de nosso país."

Entenda: Quais são as motivações da Rússia na crise da Ucrânia?

A Criméia fazia parte da Rússia desde o século 18, até que o líder soviético Nikita Khrushchev a transferiu para a Ucrânia, em 1954. Ambos os russos e maioria da população de etnia russa na Crimea veem a anexação como forma de corrigir um insulto histórico. A turbulência na Ucrânia começou em novembro com uma onda de protestos contra o presidente Viktor Yanukovych e se acelerou após sua fuga para a Rússia no final de fevereiro.

'Sancionados'

Parlamentares russos responderam nesta terça com sarcasmo às sanções ocidentais impostas contra autoridades envolvidas nos procedimentos para anexar a Crimeia, pedindo aos Estados Unidos e à União Europeia que imponham as mesmas penalidades a centenas de membros do Parlamento.

Uma declaração adotada por unanimidade pela Duma Federal, a câmara baixa do Parlamento, afirmou: "Nós propomos ao sr. Obama e aos...euroburocratas que incluam todos os deputados da Duma Federal que votaram a favor desta resolução na lista de cidadãos russos afetados pelas sanções dos EUA e da UE".

*Com AP e Reuters

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