Militar é morto com tiro na cabeça na Venezuela; mortos em protestos chegam a 29

Por Reuters |

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Capitão da Guarda Nacional foi alvejado na noite de domingo em Maracay, diz general. Manifestações já duram seis semanas

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Um capitão da Guarda Nacional atingido por um tiro na cabeça durante uma manifestação na Venezuela morreu nesta segunda-feira (17), de acordo com os militares. Militar se torna a 29ª vítima fatal das várias semanas de confrontos entre manifestantes e as forças de segurança.

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AP
Guardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela

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O general Padriño López, chefe do comando operacional estratégico das Forças Armadas, disse que o capitão foi atingido na noite de domingo (16) em uma barricada de rua montada por manifestantes na cidade de Maracay, no Estado de Aragua, região central do país.

"Ele foi mais uma vítima da violência terrorista", declarou López no Twitter, pedindo o fim dos confrontos. "Nossas Forças Armadas não reprimem manifestações pacíficas, protegem-as... muito mais sangue venezuelano teria sido derramado se não fosse pelas ações responsáveis de nossa Guarda Nacional".

Há seis semanas, estudantes e líderes da oposição linha-dura vêm convocando protestos nas ruas contra o presidente Nicolás Maduro e seu governo socialista. Os manifestantes exigem mudança política e o fim da inflação alta, da falta de alimentos básicos e de uma das piores taxas de criminalidade do mundo.

Os protestos, entretanto, não parecem capazes de derrubar Maduro, um ex-motorista de ônibus, de 51 anos, que venceu a eleição de abril de 2013 e substituiu seu falecido amigo e mentor Hugo Chávez.

As Forças Armadas aparentam apoiar Maduro, e o número de manifestantes é bem menor do que nos protestos de uma década atrás que derrubaram Chávez, ainda que brevemente. Agora, os líderes da oposição estão profundamente divididos sobre os confrontos atuais.

Confira imagens das manifestações no país na galeria de fotos

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Cenário: Protestos aprofundam crise econômica na Venezuela

Durante o dia, milhares de apoiadores da oposição vêm protestando pacificamente. De noite surgem grupos de mascarados, especialmente no abastado sul de Caracas, para bater de frente com a tropa de choque e a Guarda Nacional.

Tropas assumem praça

Manifestantes dos dois lados e muitos membros das forças de segurança foram mortos. Centenas de pessoas ficaram feridas, e mais de 1.500 foram presas. Cerca de 100 pessoas continuam detidas, incluindo 21 membros das forças de segurança acusados de crimes que vão da brutalidade ao homicídio.

No oeste do Estado fronteiriço de Táchira, o mais assolado pela violência, os moradores reconstruíram da noite para o dia algumas barricadas de rua que as autoridades tinham removido. No domingo, em Caracas, soldados da Guarda Nacional dispararam gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar manifestantes antigoverno de Plaza Altamira, uma praça no leste rico da capital que se tornou o local de embates violentos diários e acúmulo de destroços.

"Há um mês isto é objeto de terrorismo e vandalismo," disse a Ministra da Informação, Delcy Rodríguez, à TV estatal na praça. "Hoje é um território de paz".

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