Mais de 90% apoiam anexação da Crimeia pela Rússia, indica boca de urna

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Muitos oponentes boicotaram o referendo deste domingo, que foi classificada pelos EUA e pela União Europeia de ilegítimo

Cerca de 93% dos eleitores da estratégica Península da Crimeia apoiaram a separação da Ucrânia e anexação pela Rússia, de acordo com pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo por agência de notícias russas. As urnas fecharam às 15 horas de Brasília, e espera-se que os resultados preliminares sejam divulgados dentro de algumas horas.

Votação: Crimeia, na Ucrânia, realiza referendo sobre anexação à Rússia

AP
Homem pró-Rússia deposita cédula em urna durante votação sobre anexação da Crimeia pela Rússia em Bachisaray, Ucrânia

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Muitos oponentes boicotaram o referendo, que foi classificada pelos EUA e pela União Europeia (UE) como ilegítimo. As forças pró-Rússia tomaram o controle da Crimeia em fevereiro, depois que o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych foi deposto.

Na cédula de votação, os eleitores foram questionados se queriam que a Crimeia fizesse parte da Rússia. Uma segunda questão perguntava se a Ucrânia deveria retornar para seu status sob a Constituição de 1992, que daria à região uma autonomia muito maior. Não havia uma opção para aqueles que gostariam de manter inalterada a atual situação constitucional.

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A população de etnia russa corresponde a 58,5% da população da região, e havia a expectativa de que muitos deles optassem pela anexação pela Rússia. Há 1,5 milhão de eleitores com direito a voto na Crimeia.

Sergey Aksyonov, que assumiu como líder do governo regional da Crimeia depois da incursão militar russa, disse que a população votou livremente.

Veja fotos da votação do referendo na Crimeia:

Pessoas marcham em apoio à anexação da Crimeia pela Rússia em Moscou (18/3). Foto: APIdosa segura calendário com imagem do líder soviético Josef Stalin na Crimeia enquanto assiste a pronunciamento de presidente russo (18/3). Foto: APDuas mulheres seguram bandeira em que se lê: 'Crimeia está com a Rússia' em Simferopol (16/3). Foto: ReutersMulher celebra com bandeira russa resultados preliminares de referendo em Simferopol, Crimeia (16/3). Foto: ReutersHomem pró-Rússia deposita cédula em urna durante votação sobre anexação da Crimeia pela Rússia em Bachisaray, Ucrânia. Foto: APCrimeia vota neste domingo se quer ou não se tornar parte da Rússia. Foto: AFPUma mulher pega sua cédula de votação sobre referendo na Crimeia em Simferopol, Ucrânia. Foto: APEleitor segura cédula do referendo em Simferopol, Ucrânia. Foto: APMulher coloca cédula do referendo em urna eleitoral, durante votação em Simferopol, Ucrânia. Foto: APNovo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov lança seu voto em assembleia de votos de Simferopol, Ucrânia. Foto: APCom sua filha, eleitor participa do referendo da Crimeia, Ucrânia. Foto: APIdoso participa de referendo sobre anexação da Crimeia à Rússia, em Simferopol, Crimeia. Foto: APMilitares protegem o edifício do parlamento regional durante referendo da Crimeia em Simferopol. Foto: APBandeira da Rússia na entrada do prédio do parlamento regional da Crimeia. Foto: AP

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A eleitora Olga Koziko disse à BBC que votava pela secessão porque não queria ser governada por "aqueles nazistas que chegaram ao poder em Kiev". "A Rússia nos defenderá e protegerá", disse que a professora.

Longe da região da Crimeia, tumultos continuaram na cidade de Donetsk, no sudeste da Ucrânia. Manifestantes pró-Rússia invadiram o prédio do procurador gritando "Donetsk é uma cidade russa" e então entraram no quartel-general dos serviços de segurança locais pela segunda vez em dois dias. Mais tarde eles foram dispersados, mas prometeram retornar na segunda. Os manifestantes reivindicam que o promotor liberte o líder pró-Rússia Pavel Gubarev.

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O Kremlim disse que o presidente Vladimir Putin disse à chanceler alemã, Angela Merkel, ao telefone que estava preocupado com a escalada de tensões em Donetsk, culpando "grupos radicais" que têm o consentimento de Kiev. Putin também afirmou a Merkel que o referendo deste domingo era legal e que Moscou respeitaria seu resultado.

Segundo o porta-voz da chanceler alemã, Merkel propôs expandir a presença de observadores internacionais da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (Osce, na sigla em inglês) no leste da Ucrânia e que Putin gostou do plano.

O premiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, alertou que as autoridades rastreariam os líderes separatistas. "Encontraremos todos eles - mesmo que leve um ano, dois anos - e levá-los à Justiça e julgá-los em cortes internacionais", disse.

*Com BBC

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