Crimeia decide no domingo sobre união à Rússia: entenda o referendo

Por BBC Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Referendo, que acontece neste domingo (16), decide se a região autônoma vai se separar da Ucrânia e se juntar ao Estado russo

BBC

Os cidadãos da Crimeia dirão neste domingo em um referendo se querem que sua república autônoma se separe da Ucrânia e se junte à Rússia. A Ucrânia e o Ocidente classificaram o referendo de ilegal e afirmaram que ele está sendo realizado sob "ameaças", mas a Rússia o apóia.

Hoje: Rússia veta resolução da ONU contra referendo na Crimeia

Reuters
Em protesto, manifestante exibe cartaz com a mensagem "Pelo futuro da Crimeia com a Rússia"


Véspera: Sob forte presença militar, Crimeia se prepara para referendo

Por que o referendo vai acontecer?

O Parlamento da Crimeia tem um primeiro-ministro aliado da Rússia e aprovou a separação da Ucrânia, após a derrubada do presidente ucraniano Viktor Yanukovych por manifestantes pró-Ocidente e nacionalistas. O referendo foi planejado para mostrar o apoio público à decisão.

O Parlamento diz que precisa proteger os cidadãos da Crimeia dos "extremistas" que chegaram ao poder no governo central em Kiev e agora ameaçariam seu estilo de vida e seu direito de falar a língua russa. Mas o novo governo em Kiev diz que o referendo está sendo realizado para legitimar a presença das tropas russas na Crimeia e a anexação da república pela Rússia.

O que as pessoas verão nas cédulas de votação?

Há duas questões sendo colocadas em votação:

1. Você é favorável a que a República Autônoma da Crimeia se una novamente à Rússia como parte constituinte da Federação Russa?

2. Você é favorável a restaurar a Constituição da República da Crimeia de 1992 e a condição da Crimeia como parte da Ucrânia?

Entretanto, as regras do referendo não estabelecem se há um número mínimo de votos necessários para que o resultado seja implementado.

O que diz a Ucrânia?

A Ucrânia defendeu o boicote à votação e disse que o referendo é ilegal. O presidente interino da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, anulou a decisão do Parlamento da Crimeia de realizar a votação e o Parlamento da capital dissolveu o legislativo da península.

As autoridades ucranianas emitiram ordens de prisão contra o presidente do Parlamento da Crimeia, Volodymyr Konstantynov, e o primeiro-ministro, Sergei Aksyonov, sob a acusação de tentar tomar o poder do Estado. Mas como as forças russas controlam a Crimeia, a Ucrânia não está em condições de impedir a realização do referendo.

O que o resto do mundo pensa?

Líderes ocidentais classificaram o referendo de ilegal. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou a votação de "apressada" e disse que ela "ignora" a Constituição.

Confira fotos da ocupação russa na Crimeia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Após reunião de 6 horas: EUA e Rússia fracassam em chegar a acordo sobre Crimeia

Os líderes do G7, o grupo das sete nações mais industrializadas do mundo, disseram que não reconhecerão o resultado da votação. Mas o presidente da Rússia, Vladimir Putin, diz que o referendo está "baseado na lei internacional".

O Parlamento russo diz que vai respeitar o resultado da votação e está considerando um projeto para permitir a admissão de partes de um Estado estrangeiro à Rússia. Moscou vetou a adoção pelo Conselho de Segurança da ONU de uma resolução criticando o referendo, mas acabou isolada no organismo.

Entenda: Quais são as motivações da Rússia na crise da Ucrânia?

Quem pode votar?

De acordo com as regras provisórias aprovadas pelo Parlamento da Crimeia, os cidadãos ucranianos com 18 anos ou mais e registrados como residentes na Crimeia podem votar. Eles precisam mostrar um passaporte ucraniano ou outra forma de documento de identificação emitido pelo serviço de imigração.

As regras do referendo não fazem menção aos passaportes russos. Alguns moradores da Crimeia teriam tanto passaportes ucranianos quanto russos, em desacordo com a lei ucraniana. Mas a Ucrânia impediu o acesso das autoridades da Crimeia aos registros de eleitores, então as listas terão que ser compiladas pelos governos regionais da Crimeia.

Que tipo de campanha foi feita?

Os cidadãos da Ucrânia registrados na Crimeia são "livres para discutir as questões do referendo" e para fazer campanha em público, de acordo com as regras. Mas a campanha tem sido quase que inteiramente do lado pró-Rússia, comumente mostrando suásticas para se referir às autoridades em Kiev como neonazistas.

Pouco após a convocação do referendo, os canais de TV ucranianos foram removidos tanto das redes de TV a cabo quanto da TV aberta na Crimeia. Alguns deles foram substituídos por estações russas. Também há relatos de violência contra ativistas pró-Ucrânia.

Haverá observadores internacionais?

O Parlamento da Crimeia convidou formalmente monitores da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa), mas a entidade não tem planos de enviar nenhum observador por considerar a votação ilegal.

Observadores militares da OSCE já foram impedidos de entrar na Crimeia - no dia 8 de março, soldados pró-Rússia dispararam tiros de advertência ante à aproximação dos observadores de um posto de checagem. A Rússia pretende enviar 24 deputados para observar o referendo, além de oito funcionários do órgão eleitoral para acompanhar a votação.

Qual deve ser o resultado?

Com as forças pró-Rússia controlando firmemente a Crimeia politicamente e militarmente, os resultados parecem destinados a aprovar a incorporação da Crimeia à Rússia. O presidente do Parlamento da Crimeia, Volodymyr Konstantynov, diz que é meramente uma questão de "legalizar" a opinião que já é conhecida. "Não haverá surpresas. Nem tenham esperança", disse ele à TV ucraniana.

A população de origem étnica russa compõe a maioria da população da Crimeia (58%), de acordo com o último censo, que foi feito há 13 anos. Os ucranianos são 24%, e os tártaros compõem 12% da população. A comissão do referendo deve anunciar o resultado em até dez dias após a votação.


Leia tudo sobre: russia na ucraniareferendocrimeiaanexacao

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas