Rússia 'se reserva o direito de intervir por seus cidadãos' na Ucrânia

Por iG São Paulo |

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Russos dizem que governo ucraniano não garante segurança. Em Londres, EUA e Rússia se encontram para falar sobre a crise

A Rússia advertiu que se reserva o direito de intervir em defesa da etnia russa que diz estar sob ameaça no leste da Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores russo disse em comunicado, nesta sexta-feira (14), que autoridades ucranianas têm perdido o controle sobre o país e não estão hábeis a promover segurança pública básica à população.

Ontem: Rússia realiza exercício militar perto da Ucrânia

AP
Idosa observa um grupo marchar próximo da estátua do líder revolucionário soviético Vladimir Lenin em Simferopol, Ucrânia (10/03)


Quarta: G7 e UE pedem que Rússia interrompa os esforços para anexar a Crimeia

Na noite de quinta-feira (13), confrontos ao leste da cidade ucraniana de Donetsk evidenciaram a instabilidade crescente no país. Uma pessoa morreu e outras 29 ficaram feridas durante o conflito violento entre grupos pró-Rússia e pró-Ucrânia. Tropas sob o comando russo já estão posicionadas por toda a província da Crimeia, onde será realizado neste domingo (16) referendo sobre a possível anexação da área à Rússia.

A Ucrânia tem acusado a Rússia de invasão militar, e o ocidente está ameaçando impor sanções a Moscou.

Reunião em Londres

O Secretário de Estado norte-americano John Kerry conversa nesta sexta com o chanceler russo Sergei Lavrov sobre a situação da crise ucraniana, em Londres, dois dias antes do referendo na Crimeia. Kerry pretende alertar Lavrov sobre a imposição de sanções, tanto dos EUA quanto da União Europeia, caso o país anexe a província ucraniana a sua federação. 

"Se não houver nenhum sinal de que essa situação será resolvida, haverá uma série de consequências contra a Rússia na segunda-feira (17), da Europa e de Washington, em relação às opções que estão disponíveis para nós", alertou Kerry antes de embarcar para a Inglaterra.

A Rússia também pediu à Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para monitorar o voto na Crimeia. O ministério das Relações Exteriores russo disse que a logística da missão deve estar de acordo com "a liderança das regiões da Ucrânia, onde (a missão) está prevista para ser implantada".

Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador de Moscou, Vitaly Churkin, defendeu o direito da Crimeia, predominantemente de etnia russa, em decidir se quer ou não aderir à Federação Russa. As intervenções militares da Rússia começaram após a queda do presidente pró-Moscou Viktor Yanukovych, que deixou o cargo na Ucrânia em 22 de fevereiro.

Confira fotos da ocupação russa na Crimeia, Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Terça: Crimeia, na Ucrânia, se declarará independente se referendo for aprovado

Kerry disse ainda que os EUA não estão ansiosos para impor sanções à Rússia. “Nossa escolha é respeitar a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia", disse ele.

Ucrânia

Um navio russo descarregou tropas, caminhões e ao menos um veículo blindado para transporte de pessoal em um baía perto de Sebastopol, na Crimeia, nesta sexta, à medida que Moscou continua ampliando sua presença militar na península ucraniana. Um jornalista da Reuters viu caminhões saindo do navio Yamal 156 na baía de Kazachaya, perto de Sebastopol. Um caminhão estava transportando um veículo blindado.

Na última segunda-feira (10), um jornalista da Reuters viu uma coluna de ao menos 100 veículos russos, incluindo caminhões e blindados para transporte de tropas e artilharia móvel, em uma estrada na mesma área. O local pertence à Ucrânia e fica a cerca de 15 quilômetros do porto de Sebastopol, que Moscou arrenda da Ucrânia para sediar sua frota do mar Negro.

Tensão: Com escalada da crise, Otan manda aviões e monitora fronteiras da Ucrânia

Autoridades da Crimeia favoráveis à Rússia negam a presença de tropas russas na península fora da base de Sebastopol, apesar de os homens mascarados que cercam as instalações militares ucranianas dirigirem veículos com placas russas e de se identificaram aos soldados ucranianos como tropas russas.

Os moradores da Crimeia vão votar no domingo sobre a adesão à Rússia ou por uma maior autonomia da Ucrânia, um passo que autoridades pró-Rússia dizem que seria um trampolim para se unir a Moscou no futuro.

*Com Reuters, AP e BBC

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