EUA e Rússia fracassam em chegar a acordo sobre Crimeia após reunião de 6 horas

Por iG São Paulo |

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Secretário de Estado se reúne com chanceler russo e reitera que EUA não reconhecerão referendo de domingo da Crimeia

Apesar de seis horas de conversas, os EUA e a Rússia não chegaram a "nenhuma visão comum" nesta sexta-feira sobre a crise na Ucrânia, onde os residentes na estratégica Península da Crimeia votam em um referendo de separação no domingo.

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Reuters
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, dá coletiva em Londres

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O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, fez o comentário depois de se reunir com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em Londres.

Durante as negociações, Lavrov deixou claro que o presidente russo, Vladimir Putin, não tomaria nenhuma decisão sobre o que fazer com a Crimeia - que agora está sob o controle das forças apoiadas pela Rússia - até depois da votação do domingo. Kerry, entretanto, disse que Washington e a comunidade internacional não reconhecerão o resultado do referendo.

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Amplamente se espera que a votação de domingo na Crimeia - a estratégica península ucraniana no Mar Negro com uma população de 2 milhões de habitantes -  apoie a secessão e, potencialmente, a anexação pela Rússia pelo fato de a região já ter uma população majoritariamente russa. O novo governo em Kiev acredita que a votação é ilegal, mas Moscou diz que não reconhece o novo governo já que ele destituiu o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych.

Veja imagens da presença militar russa na Crimeia, Ucrânia: 

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Saiba mais: Entenda com mapas a crise na Ucrânia

Os EUA e a União Europeia (UE) dizem que o referendo da Crimeia viola a Constituição da Ucrânia e a lei internacional. Se a Crimeia votar para se separar, os EUA e a UE planejam aplicar sanções já na segunda-feira contra autoridades e negócios russos acusados de escalar a crise e prejudicar o novo governo ucraniano.

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Kerry disse que, se o Parlamento russo ratificar o resultado do referendo da Crimeia, significaria sua disposição a uma "anexação indireta" da região. "Essa é uma decisão de amplas consequências com respeito à comunidade global", disse durante uma coletiva após o encontro com Lavrov. "Seria contrário à lei internacional e, francamente, um tapa na cara a qualquer esforço legítimo de tentar se aproximar da Rússia e de outros para dizer que há uma forma diferente de proteger os interesses dos habitantes da Crimeia, de proteger os interesses da Rússia e de respeitar a integridade da Ucrânia e sua soberania."

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Chanceler russo, Serguei Lavrov, dá coletiva na residência do embaixador russo em Londres

Lavrov reafirmou que a Rússia "respeitará os resultados do referendo" na Crimeia e afirmou que as sanções prejudicariam as relações. "Nossos parceiros também percebem que as sanções são contraprodutivas", disse.

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Os líderes da Europa e dos EUA repetidamente pediram a Moscou que retire sua tropas da Crimeia e pare de encorajar milícias locais que projetam a votação como uma escolha entre restabelecer os vínculos geracionais com a Rússia ou retornar aos ecos do fascismo da Ucrânia durante a era da Segunda Guerra Mundial, quando alguns residentes cooperaram com os ocupantes nazistas.

O embate entre a Rússia e o Ocidente tem sido retratado como uma disputa pelo futuro da Ucrânia, um país com um tamanho e uma população similares à França. Grande parte da Ucrânia ocidental favorece laços com os 28 países da UE, enquanto muitos na Ucrânia oriental têm vínculos econômicos e de tradição com a Rússia. Putin trabalhou durante meses para pressionar a Ucrânia a voltar para usa órbita política e econômica.

A Rússia enviou milhares de soldados para sua longa fronteira com a Ucrânia, medida que oficiais dos EUA classificaram de tática de intimidação disfarçada de exercícios militares. As manobras russas anunciadas na quinta-feira incluíram amplos exercícios de artilharia com 8,5 mil soldados somente na região de fronteira de Rostov.

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Lavrov: Rússia 'se reserva o direito de intervir por seus cidadãos' na Ucrânia

Kerry disse que Moscou deve enviar um sinal mais forte de que os soldados ao longo da fronteira ucraniana não estão lá para se preparar para uma incursão militar. Embora tenha reiterado que a Rússia se reserva o direito de intervir no leste da Ucrânia em defesa da população de etnia russa que alega estar sob ameaça, Lavrov negou quaisquer planos de enviar tropas para a região.

*Com AP

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