Chanceleres da Unasul decidem criar comissão para crise na Venezuela

Por iG São Paulo |

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Primeiro encontro da comissão, que assessorá os lados em disputa nas manifestações no país, deve ser realizado em abril

Os chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) concordaram na quarta-feira em criar uma comissão que assessore e busque mecanismos para restaurar a convivência pacífica na Venezuela, em meio à violência que sacudiu o país nas últimas semanas.

AP
Estudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3)

Após uma reunião extraordinária que se estendeu por várias horas em Santiago, os ministros das Relações Exteriores do bloco reafirmaram a urgência para que o governo venezuelano e todas as forças políticas consigam um acordo que contribua para o entendimento e a paz social.

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, disse em uma declaração que o primeiro encontro da comissão, composta por chanceleres, deverá ser realizado no mais tardar na primeira semana de abril.

A Venezuela está fortemente dividida entre aqueles que defendem o legado socialista do presidente Hugo Chávez, morto no ano passado, e os que dizem que ele e seu herdeiro político, Nicolás Maduro, gastaram as riquezas do país e afundaram sua economia.

Na nota, a Unasul expressou também condolências e solidariedade aos parentes dos mortos durante as manifestações e disse rejeitar os atos de violência que vêm acontecendo no país há um mês. O órgão também defendeu a liberdade de expressão e reunião pacífica.

“Ratificando o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de expressão e reunião pacífica, circulação e livre trânsito, saúde e educação, como condições essenciais ao desenvolvimento do processo de integração sul-americana”, diz a declaração conjunta emitida pelos chanceleres.

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

O Conselho de Ministros também exortou as “forças políticas e sociais do país a privilegiar o diálogo democrático e constitucional, assim como a concordância". “Reafirmamos que qualquer demanda deve ser canalizada de forma pacífica, pela via democrática, respeitando o Estado de Direito e suas instituições”, expressa o texto.

O chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, disse que o documento da Unasul "marcou a coesão e o apoio ao diálogo, à paz e à concórdia na Venezuela" e manifestou a esperança de que todas as forcas políticas venezuelanas participem do diálogo, que terá o apoio da recém-criada comissão.

O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, agradeceu o apoio dos outros 11 ministros, mas manteve firme a sua posição: "O governo não tem de fazer mea culpa. O governo está enfrentando democraticamente com força legal, diferencial e proporcional do Estado venezuelano uma tentativa de derrubada."

*Com Agência Brasil e Reuters

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