Marchas marcam um mês de protestos na Venezuela; três morrem em Valencia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Estudantes da oposição são reprimidos com gás lacrimogêneo quando tentavam chegar à Defensoria Pública em Caracas

Um mês depois do início dos protestos nacionais na Venezuela, duas marchas ocorreram nesta quarta-feira na região metropolitana de Caracas. A juventude que apoia o governo de Nicolás Maduro marchou de Chacaíto, leste da capital, até a sede do Ministério Público. Estudantes opositores que saíram de Bello Monte, também na zona leste de Caracas, em direção à sede da Defensoria Pública foram reprimidos com gás lacrimogêneo quando tentavam chegar ao local.

22 mortos: Líder estudantil é morto a tiros em confronto na Venezuela 

Reuters
Manifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela

Em Valencia, um universitário, um capitão da Guarda Nacional e um terceiro homem foram mortos a tiros em incidentes separados enquanto a cidade também era palco de protestos. Duas das mortes aconteceram no bairro de Isabelica, dominado pela oposição.

As mortes elevam para 25 o número de mortos desde o início da onda de manifestações. Os manifestantes pedem medidas econômicas eficazes contra a escassez de alimentos e a alta da inflação e a favor da segurança pública e pela libertação de presos nas manifestações, a exemplo do opositor Leopoldo López, detido desde 18 de fevereiro.

Leopoldo López: Líder da oposição enfrenta acusações na Venezuela

O governo abriu o diálogo com setores da sociedade e políticos, mas parte do movimento estudantil e da oposição se nega a conversar sem que o governo “garanta o direito às manifestações”, libere estudantes e políticos detidos e estabeleça uma "agenda de conversação".

A oposição acusa o governo de reprimir os protestos de forma violenta. Por sua vez, o governo diz que não agiu com repressão e que somente está “preservando a ordem pública” por causa do vandalismo de alguns grupos. Nesse período, alguns grupos têm destruído o patrimônio público e mantido bloqueios em diversas vias, com as chamadas “guarimbas” (barreiras montadas com entulhos, lixo e fogueiras).

Veja imagens dos protestos na Venezuela:

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Cenário: Estudantes nas ruas apoiam a direita na Venezuela

O presidente da Federação de Centros Estudantis da Universidade Simon Bolívar (USB), Daniel Hernández, declarou à imprensa local que os “estudantes continuarão nas ruas até que solucionem suas demandas”. O movimento estudantil opositor diz que marcha nesta quarta-feira pelos manifestantes mortos.

Nesta quarta, o metrô de Caracas teve sete estações fechadas por segurança, segundo o governo. Também há manifestações em outras cidades, como Valencia, Maracaíbo, San Cristóbal, Mérida, Maracay, Maturín e Barquisimeto. De acordo com o governo, os focos de manifestação representam uma minoria no país. Segundo pesquisa divulgada pela TV multiestatal Telesur, 80% da população não participa dos protestos.

A marcha que apoia o governo, em Caracas, tem a participação do ministro da Juventude, Victor Clark. “Nos mobilizamos com nossa alegria, bandeiras e ideias, mas com força, para garantir que a rua seja um espaço para reafirmar o respeito à democracia que estamos construindo com o povo”, declarou.

Efeito: Protestos aprofundam crise econômica na Venezuela

Estudantes universitários favoráveis ao governo também deram entrevistas nos canais de comunicação estatais e na imprensa privada local. Silvestre Montilla, da Universidade Central da Venezuela, disse que “está concentrado hoje em rejeição aos atos de violência”.

No campo internacional, está programada uma reunião de chanceleres dos países que fazem parte da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Santiago, no Chile, para discutir a situação interna na Venezuela e uma comissão será criada para apoiar o diálogo no país.

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