Senadora dos EUA acusa CIA de 'hackear' investigação do Congresso

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Dianne Feinstein diz que agência 'invadiu' sistema e eliminou provas de seus interrogatórios violentos na era George W. Bush

A líder da Comissão de Inteligência do Senado americano, a senadora Dianne Feinstein, acusou nesta terça-feira a CIA (Agência Central de Inteligência) de atividade criminosa por invadir uma rede de computadores estabelecida por legisladores que investigam alegações de que a agência usou tortura durante as investigações sobre terrorismo no governo de George W. Bush (2001-2009).

Relatório apartidário: EUA usaram tortura após o 11 de Setembro

AP
Chefe do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, a senadora Dianne Feinstein, fala com os jornalistas em Washington


Leia: Relembre as principais denúncias sobre os programas de espionagem dos EUA

A acusação é a mais recente tempestade a atingir a comunidade de inteligência dos EUA, que vem sofrendo com as revelações do ex-analista de sistemas da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden sobre seus programas de monitoramento em massa.

Embora o problema descrito por Dianne parece ser menor do que o escândalo da NSA, seu golpe pode ser significativa por envolver o painel de supervisão dos programas e financiamento da agência.

A crítica feita por Dianne, que fez um longo discurso no plenário, é particularmente irônica, já que a senadora tem sido uma das principais defensoras das agências de inteligência em um período em que os órgãos têm recebido duras críticas nos EUA quanto no exterior.

Questionado sobre as acusações de Dianne, o diretor da CIA, John Brennan, disse que a agência não tentava deter o levantamento realizado pelo comitê e que não hackeou os computadores do Senado. Ele disse também que prefere esperar as autoridades competentes analisarem o caso.

A Casa Branca afirmou, em nome do presidente Barack Obama, que  é importante investigar a fundo para saber se a CIA violou qualquer lei sobre o painel de investigação do Senado. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o governo não tomou partido de nenhum dos envolvidos e afirmou que não vai comentar o caso, pois a investigação está em curso e foi encaminhada ao Departamento de Justiça.

Documentos ultrassecretos

A CIA forneceu os computadores para os funcionários do Congresso em uma sala segura de seu escritório, no norte da Virgínia, em 2009. Assim, o painel poderia rever milhões de páginas de documentos ultrassecretos sobre as detenções e interrogatórios da CIA durante o governo Bush.

Dianne explicou que os funcionários do Senado tinham uma ferramenta de busca eletrônica para lidar com 6,2 milhões de páginas de documentos e copiar esses arquivos. Segundo ela, o acordo foi quebrado quando funcionários da CIA removeram o acesso da comissão aos documentos já fornecidos anteriormente ao painel. Cerca de 870 documentos foram removidos em fevereiro de 2010, de acordo com a senadora.

"Se não nos posicionarmos para proteger a separação dos poderes e fiscalizar isso, especialmente quando a conduta criminosa pode ter sido feita por uma agência do governo, então, o que defendemos?", questionou o senador Patrick Leahy, presidente democrata da Comissão Judiciário.

Democratas da Comissão de Inteligência do Senado concluíram as 6 mil páginas do relatório de interrogação no ano passado e estão revisando o material com os comentários da CIA.

A senadora diz ter “sérias preocupações de que a invasão da CIA pode muito bem ter violado os princípios da separação de poderes inscrito na Constituição dos EUA”, quando ela falou publicamente em uma cada vez mais explosiva disputa entre o Congresso e a agência de espionagem dos EUA.

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