Vitória de ex-rebelde em El Salvador é irreversível, diz comitê eleitoral

Por Reuters |

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Esquerdista Sánchez Ceren obteve 6,6 mil votos de vantagem sobre rival de direita; procuradoria revisará processo eleitoral

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A estreita vantagem de um ex-guerrilheiro marxista nas eleições presidenciais de El Salvador é irreversível, disse o tribunal eleitoral do país nesta segunda-feira, mesmo que seu adversário de direita tenha se declarado vitorioso. A disputa aumenta a perspectiva de desafios legais. No entanto, é certo que o vencedor terá um mandado fraco de governo.

AP
Partidários do candidato presidencial Salvador Sánchez Ceren, do FMLN, seguram imagem do líder venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, em San Salvador, El Salvador (9/3)

Salvador Sánchez Ceren, da governista Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) - que como grupo rebelde combateu uma série de governos pró-EUA na guerra civil de 1980 a 1992 -, conseguiu 6.634 votos de vantagem sobre seu adversário Norman Quijano com 100% das urnas apuradas.

No entanto, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) não dará o resultado como conclusivo até que a procuradoria faça uma revisão detalhada de todo o processo eleitoral, incluindo 14 urnas não processadas e que continham diversas irregularidades.

Após esse processo, que levará vários dias, o TSE vai anunciar o vencedor da eleição, que foi muito disputada, apesar de as pesquisas apontarem vitória confortável de Sánchez.

"Lhes digo com certeza que o resultado dessa eleição é irreversível, mas devemos cumprir a etapa legal de revisar, como manda a lei, documento por documento", disse o presidente do TSE, Eugenio Chicas.

"Em três ou quatro dias teremos um resultado definitivo, que esse, em lei, estabelecerá definitivamente um vencedor", acrescentou, referindo-se à contagem dos votos do segundo turno da eleição, que deu a Sánchez 50,11% dos votos contra 49,89% de Quijano, candidato pela direitista Aliança Republicana Nacionalista (Arena).

Sánchez Ceren fez imediatamente uma coletiva ao lado de seu vice, Oscar Ortiz, ratificando sua vitória e chamando a Arena para trabalhar juntamente com ele. "O mandato dado pelo povo salvadorenho é para que nos entendamos", disse o ex-líder rebelde. "Vamos governar para todos, para aqueles que votaram em nós e para os que não votaram", disse o atual vice-presidente, de 49 anos, a simpatizantes.

Quijano, de 67 anos, ex-prefeito de San Salvador, apontou fraude e disse ser o verdadeiro vencedor. A FMLN e a Arena foram inimigas ferozes durante a guerra civil que deixou cerca de 75 mil mortos. Quijano acusou o tribunal eleitoral de corrupção e insinuou jogo sujo. "Não vamos permitir a fraude... Estamos 100% convencidos de que vencemos", disse Quijano. "Não vão nos roubar a vitória. Vamos brigar, se necessário com as nossas vidas."

Sánchez Ceren havia tido 49% dos votos no primeiro turno, em fevereiro, dez pontos percentuais a mais do que o rival. Como ficou a apenas um ponto percentual de evitar o segundo turno, era visto como amplo favorito para a votação de domingo.

Mas Quijano cresceu no último mês entre os conservadores moderados, ao retratar seu rival como um comunista com sangue nas mãos, disposto a promover uma guinada à esquerda e impor políticas radicais.

No primeiro turno, a principal promessa de campanha do opositor era colocar o Exército nas ruas para combater as quadrilhas conhecidas como "maras". Na reta final, ele alterou sua estratégia e passou a alertar para o risco de "venezuelização" de El Salvador.

Mas Sánchez Ceren - que é o nono filho de um carpinteiro e foi professor rural antes de aderir à guerrilha - e outros líderes da FMLN moderaram suas políticas desde os acordos de paz de 1992, quando a guerrilha virou partido político.

Se confirmada, a vitória de Sánchez Ceren dá um segundo mandato consecutivo à FMLN. O afável vice-presidente, de 69 anos, promete ampliar os programas sociais do atual presidente, Mauricio Funes, o que inclui a distribuição de um copo de leite por dia a crianças nas escolas, além de uniformes e materiais.

A FMLN diz que suas políticas sociais no governo Funes reduziram a pobreza de 40% para 29%. Mas esses programas contribuíram com uma forte elevação na dívida nacional, e o crescimento econômico tem sido fraco.

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