Tiros marcam operação em base naval da Crimeia, Ucrânia

Por Reuters |

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Crise na província ucraniana causa a pior divergência entre os Estados Unidos e a Rússia desde a Guerra Fria (1939-1945)

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Homens armados sem identificação dispararam para o alto enquanto rumavam para uma base naval ucraniana da Crimeia nesta segunda-feira (10), no mais recente incidente armado desde que grupos militares russos assumiram o controle da península no mar Negro.

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AP
Premiê regional da Crimeia, Sergei Aksyonov (D), entra em sala antes de negociações com o Parlamento russo em Moscou, Rússia (9/03)


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Em meio a um impasse diplomático, a Rússia disse que os Estados Unidos rejeitaram um convite para realizar novas conversas para a resolução da crise, que representa a pior divergência leste-oeste no mundo desde a Guerra Fria. O primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatsenyuk, afirmou que a Rússia é culpada pela crise e acusou Moscou de minar o sistema de segurança global ao tomar o controle da Crimeia.

Em pouco mais de uma semana, forças russas ocuparam instalações militares em toda a Crimeia, lar da Frota Russa do Mar Negro e território russo até o líder soviético Nikita Khrushchev concedê-la à Ucrânia em 1954. Separatistas pró-Rússia assumiram o controle do Parlamento regional, declararam a Crimeia parte da Federação Russa e anunciaram um referendo para confirmá-lo no próximo domingo.

O presidente Vladimir Putin diz que Moscou age para proteger os direitos dos russos étnicos, a maioria da população da Crimeia, desde que o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, foi deposto no que a Rússia diz ter sido um golpe inconstitucional. Nesta segunda-feira, cerca de dez homens não identificados dispararam para o alto em um posto naval da Crimeia, segundo um porta-voz da defesa ucraniana.

Segundo o canal 5 da TV ucraniana, o porta-voz Vladislav Seleznyov disse que o tiroteio aconteceu em uma base de veículos motorizados perto de Bakhchisaray. Os homens, em dois micro-ônibus, entraram no local e exigiram que os funcionários ucranianos lhes dessem dez caminhões.

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Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Mais cedo, a agência de notícias ucraniana Interfax citou um oficial ucraniano que descreveu os homens como soldados russos e dizendo que nenhum dos ucranianos no local ficou ferido. As forças russas, que controlam a Crimeia há mais de uma semana, não trocaram fogo com as tropas ucranianas até agora. Um grupo de ucranianos foi detido por disparos para o alto durante um impasse em uma base aérea militar na semana passada.

Em outra ação armada, forças russas tomaram um hospital militar e uma unidade de mísseis. Correspondentes da Reuters também viram um grande comboio russo em movimento nas cercanias da cidade portuária de Sebastopol, perto de uma base aérea de defesa ucraniana, composto de mais de cem veículos, incluindo cerca de 20 veículos de transporte de pessoal armado, além de artilharia móvel.

Convite recusado

Putin afirma que a Rússia não controla os acontecimentos na Crimeia, mas os EUA ridicularizam as tentativas russas de negar envolvimento, e os dois ex-inimigos da Guerra Fria conduzem uma batalha geopolítica pelo futuro da Crimeia e da Ucrânia. O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse a Putin que a posição russa na Ucrânia continua em conflito com o Ocidente, mas o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, declinou de um convite para visitar a Rússia para novas conversas.

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"Tudo está sendo formulado como se houvesse um conflito entre Rússia e Ucrânia... e nossos parceiros sugeriram usar a situação criada por um golpe como ponto de partida", afirmou Lavrov a Putin durante as conversas no resort de Sochi, no Mar Negro, sede da recente Olimpíada de Inverno. Ele não disse por que Kerry adiou o dálogo.

Em Kiev, Yatsenyuk, disse que se dirigiria ao Conselho de Segurança da ONU durante um debate sobre a Ucrânia. Ele também deve se reunir com o governo norte-americano, que mostrará o apoio de Washington à nova liderança ucraniana.

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