Ministério das Relações Exteriores diz que país tem direito a investigação rigorosa. Nove países estão envolvidos nas buscas

A China exortou à Malásia que “intensifique os esforços” em encontrar o voo da Malaysia Airlines desaparecido desde o último sábado (8). As operações de resgate não encontraram uma pista sequer do paradeiro do avião, que transportava 239 passageiros – a maioria deles, chineses.

No avião: Saiba quem são alguns dos passageiros do voo desaparecido

Chrisman Siregar, à dir., mostra foto do filho Firman que estava no voo da Malaysia Airlines que desapareceu (8/03)
AP
Chrisman Siregar, à dir., mostra foto do filho Firman que estava no voo da Malaysia Airlines que desapareceu (8/03)


Dúvidas: Malásia investiga possível falha em aeroporto após sumiço de avião

Autoridades estão ampliando ainda mais as áreas de busca no Estreito de Malaca e no Mar do Sul da China em busca de pistas. O voo MH370 desapareceu do radar na rota para Kuala Lumpur-Pequim.

“Eu acredito que você vai voltar vivo”, uma jovem mulher escreveu na página de seu amigo no Weibo, a versão chinesa do Twitter. O amigo da jovem, assim como a mulher, irmão e cunhado dele, estavam a bordo do voo desaparecido. “Quero saber o que você está fazendo agora! Você está com fome ou sente frio? Você é um cara gordinho. Pode fazer isso, certo?.”

“O tempo está matando a nossa esperança, pedaço por pedaço”, disse a usuária RoseMiiiiira na rede social. “Não posso acreditar que estou perdendo tantas pessoas repentinamente”.

A espera tem sido angustiante para famílias dos desaparecidos que esperam por notícias em um hotel de Pequim. Informações oficiais são escassas e muitas vezes, conflitantes. Em compensação, os websites das redes sociais chinesas têm sido esmagados com milhões de mensagens que expressam simpatia por aqueles que conhecem pessoas do voo MH370.

“Peça mais informações às Malaysian Airlines, e não às famílias”, um usuário repreendeu um jornalista chinês. “As famílias já estão tristes o bastante. Não cerquem eles com suas câmeras. Dê a eles algum espaço e respeito”. Familiares dos tripulantes têm sido preparados para o pior.

O porta-voz do ministro das Relações Exteriores chinês, Qin Gang, insistiu para que a justiça malaia intensifique as buscas.

“Nós temos a responsabilidade de exigir e insistir para que a Malásia intensifique os esforços de busca, inicie uma investigação o mais rápido possível e forneça informações relevantes para a China em tempo hábil”, ele disse.

Hoje: Chineses lamentam falta de notícias sobre voo desaparecido

Confira fotos sobre o desaparecimento da aeronave

Buscas: Vietnã encontra objeto no mar que pode ser parte de avião desaparecido

A paciência parece estar se esgotando na busca de avião desaparecido, diz Celia Hatton, correspondente da BBC em Pequim. As autoridades da Malásia estão tentando responder às consternações chinesas – Eles têm reeditado a promessa de trazer as famílias para Kuala Lumpur, porque assim eles podem estar mais próximos dos esforços das buscas.

Nove diferentes países, com 40 navios e 34 jatos, participam das operações de buscas nos mares do Vietnã e da Malásia. Havia 227 passageiros a bordo, incluindo 153 chineses e 38 malaios. Dois deles eram crianças. Todos os 12 tripulantes eram malaios. 

Entre os cidadãos de origem chinesa, havia uma delegação de 19 artistas que tinha se apresentado em Kuala Lumpur.

Passaportes roubados

De acordo com policiais tailandeses, um iraniano com nome de Kazem Ali comprou dois tickets de voo para dois amigos os quais ele havia dito que gostariam de retornar para suas casas na Europa. Enquanto Ali fez a reserva inicial pelo telefone, ou Ali ou alguém se passando por ele pagou pelas passagens em dinheiro, segundo a polícia.

Azharuddin Abdul Rahman, diretor-geral do departamento de aviação civil da Malásia, disse nesta segunda-feira (10) que autoridades têm revisado as gravações das câmeras de segurança do aeroporto e disseram que os homens que viajaram com os passaportes roubados "não pareciam com asiáticos".

A Interpol twittou no domingo que eles estavam examinando passaportes suspeitos.

"Embora seja muito cedo para especular sobre qualquer conexão entre esses passaportes roubados e o avião desaparecido, é claramente uma grande preocupação que qualquer passageiro estava apto a embarcar em um vôo internacional usando um passaporte roubado listado nos bancos de dados da Interpol", disse o secretário geral da entidade, Ronald K. Noble, em comunicado.

Os passaportes foram roubados na Tailândia, disse o primeiro-ministro tailandês Yingluck Shinawatra à CNN nesta segunda-feira. Também já é sabido que dois passageiros do sexo masculino estavam viajando com passaportes roubados de um austríaco e um italiano.

Os documentos foram furtados em 2012 e 2013, respectivamente, afirmou a Interpol. Os dois passageiros embarcariam para a Europa após uma conexão em Pequim.

Último contato 

O voo MH370 partiu do aeroporto internacional de Kuala Lumpur às 00h41 hora local no último sábado (15h41 horário de Brasília) e deveria pousar em Pequim às 6h30. Os controladores de tráfego aéreo perderam o contato com o avião à 1h30.

Em um horário ainda não revelado, um parente teria conseguido telefonar a um dos passageiros, que carregava um celular de Cingapura. A Malaysia Airlines tentou por diversas vezes ligar para o mesmo número mas a chamada não foi completada.

Terrorismo

O mistério do passaporte levantou preocupações sobre a possibilidade de terrorismo, mas autoridades alertaram que ainda é muito cedo para chegar a qualquer conclusão. Uma possível explicação para o uso de passaportes roubados é a imigração ilegal.

Há casos de imigrantes ilegais usando passaportes falsos para tentar entrar nos países ocidentais. E o sudeste da Ásia é conhecido por ser um mercado de passaportes roubados em expansão.

Cinco passageiros acabaram não embarcando no avião. Suas malas foram retiradas e não estavam a bordo do jato quando desapareceu, de acordo com Azharuddin Abdul Rahman, diretor-geral do departamento de aviação civil da Malásia.

O avião poderia ter sido sequestrado? “Estamos olhando em todos os ângulos, todos os aspectos”, disse Rahman. “Estamos olhando cada centímetro do mar.”

*Com BBC e CNN

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