Comboio era acompanhado por 8 veículos blindados, duas ambulâncias e caminhões-tanque de combustível

Um comboio com centenas de soldados russos e formado por cerca de 50 caminhões se dirigia para uma base próxima da capital da Crimeia, Simferopol, neste sábado (07), afirmou uma equipe de reportagem da Reuters na província ucraniana ocupada pela Rússia. O comboio era acompanhado por 8 veículos blindados, duas ambulâncias e caminhões-tanque de combustível.

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A Rússia afirma que suas tropas na Crimeia são apenas aquelas que estão estacionadas em sua Frota do Mar Negro, uma afirmação que os Estados Unidos afirmam ser "ficção (do presidente russo, Vladimir) Putin". 

Tensão entre tropas

As tensões aumentaram depois que discussões durante a madrugada entre tropas russas e soldados ucranianos sitiados terem realçado ainda mais o maior confronto político entre Ocidente e Oriente. Os níveis de pressão cresceram muito na região nos últimos dois dias, desde quando a liderança regional declarou que agora faz parte da Rússia e anunciou um referendo em 16 de março para confirmar a mudança.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou há uma semana que a Rússia tem o direito de invadir a Ucrânia para proteger cidadãos russos, e seu Parlamento aprovou uma mudança na lei para que fique mais fácil anexar territórios.

Até agora, a tomada russa da península localizada no Mar Negro não teve violência, mas as forças da Rússia têm ficado cada vez mais agressivas contra as tropas ucranianas, cercadas em bases e sem oferecer resistência.

O serviço de imigração ucraniano afirmou que tropas russas também tomaram postos fronteiriços localizados no leste da península, despejando autoridades ucranianas e suas famílias de seus apartamentos no meio da madrugada.

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"A situação mudou. As tensões estão muito maiores agora. Vocês têm que sair. Vocês não podem filmar aqui", afirmou um soldado russo que carregava uma metralhadora, com sua face coberta, na base naval ucraniana de Novozernoye.

Cerca de 100 russos armados vigiam os ucranianos que estão na base, onde um navio russo foi afundado propositalmente na entrada para impedir que os ucranianos fujam pelo mar.

"As coisas estão difíceis e o clima piorou. Os russos nos ameaçam quando vamos embora, tomam nossos alimentos e apontam armas contra nós", afirmou Vadim Filipenko, vice-comandante ucraniano na base.

Moscou nega que as tropas que ocuparam a Crimeia e falam russo estejam sob o seu comando, algo que os Estados Unidos classificam como "ficção de Putin".

Embora não usem insígnias, os soldados dirigem veículos com placas russas e se identificam como tropas russas para as forças ucranianas sitiadas.

Os EUA anunciaram sanções contra indivíduos que consideram culpados pela interferência na integridade territorial ucraniana, embora a lista ainda não tenha sido publicada.

A União Europeia também avalia a possibilidade de aplicar sanções, embora isso possa ser muito difícil de acontecer, pois o bloco tem 28 membros, a decisão precisa ser unânime e vários países dependam do gás natural russo.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, não deu indicações de que a posição de Moscou mudou neste sábado, e insistiu que o governo de Kiev foi criado a partir de um golpe de Estado.

O líder pró-Moscou da Crimeia, Sergei Aksyonov, afirmou que o referendo sobre a anexação da região à Rússia, que acontecerá dentro de uma semana, foi convocado rapidamente para evitar "provocação".

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Ataques cibernáticos

O maior órgão de segurança da Ucrânia disse neste sábado que, ao lado da agência de notícias nacional, foi alvo de ataques cibernéticos, os mais recentes sofridos pelas organizações nacionais desde o início da crise na região da Crimeia.

No mais recente incidente, fontes não identificadas lançaram ataques de negação de serviço (DoS), que têm a intenção de tirar do ar máquinas e redes de certos usuários.

"Houve um grande ataque DoS nos canais de comunicação do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, que aparentemente teve como objetivo dificultar a resposta aos desafios que nosso Estado enfrenta", afirmou o conselho.

O comunicado informou que a agência de notícias estatal Ukrinform sofreu ataque parecido. Autoridades ucranianas disseram na semana passada que o sistema de telecomunicações do país foi atacado com equipamentos instalados na Crimeia, que está controlada pela Rússia, e que interferiram nos telefones celulares de membros do Parlamento.

Elas afirmaram que alguns serviços telefônicos e de Internet foram interrompidos depois que forças russas tomaram o controle de bases aéreas e importantes instalações na Crimeia.

O governo pediu a ministérios que tomem medidas urgentes para impedir que seus websites sejam bloqueados e ordenou que órgãos investiguem a "evidência de ataques cibernéticos e punam os responsáveis".

Os chefes da segurança da Ucrânia não disseram quem está por trás dos problemas.

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