Há várias semanas manifestantes promovem manifestações e erguem barricadas para exigir a renúncia do presidente Maduro

Um soldado venezuelano e um motociclista morreram em uma briga confusa provocada por um bloqueio da oposição em uma rua de Caracas, disseram autoridades na quinta-feira, elevando para 20 o número de mortos em quase um mês de violência no país.

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Manifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3)
AP
Manifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3)

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Há várias semanas manifestantes vêm promovendo protestos e erguendo barricadas para exigir a renúncia do presidente do país, Nicolás Maduro, algo que resulta em confrontos com forças de segurança e partidários do governo.

Motociclistas que tentavam remover uma barricada no bairro de classe média de Los Ruices foram atacados por moradores de edifícios próximos que jogaram pedras e depois dispararam contra eles, disse à Reuters o general da Guarda Nacional Manuel Quevedo. O motociclista José Cantillo, com pouco mais de 20 anos, foi baleado no pescoço, disse Quevedo.

"Não se enganem, a Guarda Nacional e as Forças Armadas vão continuar patrulhando as ruas para restaurar a ordem", declarou em uma entrevista no local dos eventos. Um segundo motociclista foi ferido e está em estado crítico, afirmou Maduro na TV.

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As tropas chegaram em cerca de 20 veículos blindados e usaram gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes, disseram testemunhas à Reuters.

Moradores continuaram jogando pedras de cima de edifícios, mas pedestres irados tentaram entrar à força nos prédios em uma aparente ação para encontrar os agressores.

As tropas usaram escudos para proteger outros soldados da chuva de pedras, enquanto derrubavam barricadas e removiam o entulho, incluindo um carro que os manifestantes haviam queimado na parte da manhã, disseram as testemunhas.

Veja imagens dos protestos na Venezuela:

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Na quarta-feira, Maduro pediu a organizações pró-governo, incluindo grupos conhecidos como "colectivos" - que os líderes da oposição descrevem como grupos paramilitares -, que ajudem a manter a ordem nas ruas. O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou que o encontro ocorrerá no Chile na terça-feira (11), mesmo dia em que Michelle Bachelet toma posse como presidente. A presidente Dilma Rousseff já confirmou que comparecerá à posse. 

As manifestações começaram como protestos esporádicos contra a crônica escassez de produtos e a inflação elevada, que alcançou 56% em 2013, mas ganhou impulso e se tornou um movimento nacional depois que três pessoas foram mortas após uma passeata em 12 de fevereiro , fato que desencadeou os piores distúrbios no país em uma década.

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Depois disso, os protestos têm sido mais focados em denúncias de uso excessivo da força contra os manifestantes e pedidos de libertação de ativistas presos, como Leopoldo López , que liderou os protestos em todo o país.

Chávez

Apesar de protestos de rua terem contribuído para derrubar por poucos dias o líder socialista Hugo Chávez em um golpe fracassado em 2002, parece haver pouco risco de a agitação atual levar à derrubada do presidente no estilo ucraniano.

Os partidários do governo definem os protestos como interrupções perigosas e prejudiciais de ordem pública, que têm impedido doentes de receber tratamento de emergência e atrapalham os cidadãos em suas atividades do dia a dia.

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Maduro, um ex-motorista de ônibus que se denomina "filho" do falecido Chávez, pediu uma reunião de presidentes da Unasul, grupo de países latino-americanos, para tratar da agitação no país.

"Com o tempo faremos com que parem de agir assim", disse Maduro em uma transmissão televisionada na quinta-feira à tarde. "Eles vão ser lembrados como vândalos violentos que mataram bons homens e mulheres deste país."

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Na quarta-feira, Maduro cortou os laços da Venezuela com o Panamá , acusando o presidente desse país de conspirar com os Estados Unidos para intervir nos assuntos venezuelanos. Durante um comício nesta quinta-feira, ele deu ao embaixador do Panamá e três outros diplomatas o prazo de 48 horas para deixar o país.

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