Parlamento da Crimeia tem direito de convocar referendo, diz Assembleia russa

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em telefonema, Obama pressiona presidente russo a solucionar crise pela diplomacia, mas Putin afirma que ação militar é legal

O Parlamento da Crimeia tem o direito de convocar um referendo sobre o futuro da região e, se a população decidir aderir à Rússia, a câmara alta do Parlamento russo vai endossar a decisão, disse a presidente da Casa nesta sexta-feira.

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AP
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Subestimando as especulações de que a Rússia estaria planejando invadir o restante da Ucrânia, Valentina Matviyenko declarou apoio à decisão do Parlamento local da região do sul da Ucrânia de realizar um referendo sobre a adesão à Rússia em 16 de março.

"Sem dúvida, o Parlamento da Crimeia, como uma autoridade legítima, tem o direito soberano dos povos de determinar seu futuro", disse Valentina Matviyenko, chefe do Conselho da Federação Russa, saudando uma delegação da Crimeia com a presença do novo líder apoiado por Moscou. "Se o povo da Crimeia tomar a decisão em um referendo de aderir à Rússia, nós, como câmara alta, vamos obviamente apoiar essa decisão", completou.

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O Parlamento da Crimeia, região estratégica no sudeste da Ucrânia com 60% de sua população se identificando como russa, convocou a votação em meio a uma crise internacional desatada pela decisão de Moscou de enviar tropas para a península após a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych no dia 22. Ele foi deposto pelo Parlamento depois de três meses de protestos iniciados em novembro por sua decisão de se aproximar da Rússia em vez de assinar um acordo comercial com a UE.

Veja imagens da presença militar russa na Crimeia, Ucrânia: 

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Leia: Saiba quais são as opções do Ocidente para lidar com a crise da Ucrânia

Na quinta, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a proposta de referendo viola o direito internacional e afirmou que os EUA atuaram para impor sanções para fazer a Rússia pagar o custo pela intervenção na Ucrânia. Além dos EUA, a União Europeia (UE) também anunciou a imposição de sanções.

Em telefonema na noite de quinta com Obama, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu a incursão de seu país na nação vizinha como consistente com a lei internacional.

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Segundo uma nota publicada no site do Kremlin, Putin também reiterou seu argumento de que o novo governo de Kiev que sucedeu a Yanukovych é resultado de um "golpe inconstitucional", afirmando que a Rússia "não poderia ignorar" os pedidos de proteção feitos pelo leste e sul da Ucrânia, que pendem para a Rússia.

Apesar da divergência com os EUA, que consideram a ação militar russa uma violação da lei internacional, Putin relembrou a importância das relações da Rússia com os EUA, dizendo esperar que os dois países não se tornem "vítimas do desacordo" em certos assuntos.

Segundo uma declaração da Casa Branca, Obama reivindicou no telefonema que o presidente russo ponha fim à disputa de forma diplomática, recuando as forças para a base russa na Crimeia e trazendo monitores internacionais para a Ucrânia.

Nesta sexta-feira, o novo primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatsenyuk, disse que a Ucrânia está disposta a conversar com a Rússia, mas antes Moscou precisa retirar suas tropas, respeitar os acordos internacionais e interromper o apoio a "separatistas e terroristas". 

O premiê disse que solicitou um segundo telefonema com o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev. Os dois conversaram no sábado, no único contato de alto nível entre os dois países desde o início da crise. "Ninguém no mundo civilizado reconhecerá os resultados de um referendo realizado por essas autoridades", disse Yatseniuk, que considerou os planos ilegais e inconstitucionais.

*Com Reuters

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